O sábado que fecha um capítulo (e abre outro)

Faz tempo que não descanso em um sábado. Normalmente não curto isso: é um dia inteiro que considero perdido não apenas sob o aspecto do treino, mas (talvez principalmente) pelo bem que ele me faz ao proporcionar horas perdido nos próprios pensamentos e por caminhos diferentes da cidade.

Mas hoje, verdade seja dita, a realidade é outra.

Hoje estou encarando esse descanso mais como uma espécie de marco de diferentes fases de treino. Quando se coloca uma quebra mais brusca, mais radical, na rotina, se informa também ao corpo que algo está prestes a mudar – e essa informação acaba sendo vital para que ele se prepare melhor.

Hoje é como aquele momento de plena calma antes de alguma tempestade, com aqueles instantes mais elétricos em que tudo está prestes a acontecer – mas nada efetivamente acontece.

Hoje é o dia que marca o fim de um capítulo e o início de um outro, mais voltado para ganho de velocidade sem perda de endurance. Há duas ultras pela frente, afinal, e ambas ainda no primeiro semestre.

Hoje é hora de dizer ao corpo e à mente que está na hora dos dois ficarem mais sérios.

Começando por amanhã.

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Características de uma ultra perfeita

Depois dos pantanosos 50K do sábado, comecei a me perguntar quais seriam, de fato, as condições ideais de ultra para mim. Todos tem a sua preferência, afinal – há desde os que curtem trecos como a mega úmida e tensa Jungle Marathon às secas e empoeiradas travessias em deserto.

E eu?

Bom… Descobri que tenho alguns parâmetros do que faz uma ultra ideal para mim. Vamos a algumas de suas características:

Percurso

O campeonato mundial de ultras de 2014 foi em Doha, perfazendo 100km em voltas de 5K. Honestamente, eu enlouqueceria.

O percurso ideal para mim é ponto-a-ponto ou circular, permitindo que se consiga desbravar cenas novas a cada passada. Ver é quase tão importante quanto correr e passar 3 ou 4 ou mais vezes dando voltas entedia. Bastante.

Altimetria

Há dois lados para essa moeda. Quanto mais intensa a altimetria, mais belas tendem a ser as vistas; quanto mais plana, mais rápido o percurso.

Curto as duas alternativas e julgo um meio termo como ideal. E, por meio termo, entenda-se qualquer coisa que varie de 2 a 4 mil metros, com alguma margem, em uma ultra de 80K.

Dá para correr e aproveitar cenas incríveis ao mesmo tempo.

Terreno

Asfalto, aqui, não entra na preferência – mas o estilo de pura aventura, sem demarcações e com surpresas como rios a serem atravessados e barrancos a serem escorregados, também não. Aliás, em uma comparação direta entre esses extremos, o asfalto ganha de longe.

Percursos pantanosos, mega úmidos e cheios de imprevistos são coisas que procurarei evitar ao máximo. Terrenos assim nos fazem passar boa parte da prova olhando para o chão para evitar quedas desnecessárias – algo bem distante do meu estilo.

O ideal? Uma mescla qualquer entre estradas de terra e single tracks que até podem ter alguma dificuldade, claro, mas que não sejam assim tão “infernais”.

Tendo dito isso, cabe uma observação: provas como a Comrades são um ponto totalmente fora da curva. Sim, ela é em asfalto por 90km – mas com tanta gente correndo e torcendo e com tanta história que faz todo o tempo parecer um sonho.

Distância

Para mim, distância não é exatamente um problema. Descobri que tenho uma tolerância relativamente alta por passar loooongos tempos na estrada – o que costuma vir com quilômetros e mais quilômetros de percurso.

Não sou muito rápido – principalmente porque curto tanto estar em uma ultra que paro de tempos em tempos para tirar fotos e aproveitar a experiência. Além disso, convenhamos: para que se matar na velocidade quando se sabe que um podium é impossível e em um esporte com tantas variáveis por prova que mesmo medir recordes pessoais fica complicado?

Mas ainda me falta mais experiência em distâncias maiores: o máximo que fiz, até hoje, foram 90km. Ainda preciso experimentar alguma prova de 100km e de 100 milhas. Não minto que 100 milhas me assustam um pouco – mas um dia chego lá.

Tecnicalidade

Desde que não seja nada que coloque a minha vida em risco, qualquer coisa é bem vinda.

Claro: ter algum percurso que permita a corrida (e não só trekking) ajuda: afinal, é ela que mais facilita o fluxo livre da endorfina. Além disso, não sou um trilheiro muito safo: a insegurança às vezes bate com maior força que deveria antes de algum movimento mais complicado.

Mas, isto posto, não posso dizer que tenha nenhuma restrição mortal quanto a escaladas ou descidas minimamente complexas.

Ao menos desde que o percurso como um todo seja feito para ser aproveitado, não temido.

Temperatura

Nunca corri em extremos – seja um calor de 50 graus do Saara ou um frio ridículo ao estilo Antártico.

Mas não teria nada contra. Para falar a verdade, a temperatura acaba sendo justamente a cereja do bolo de algumas provas. Ou alguém vê alguma graça em uma Badwater sob amenos 20 graus?

Umidade

Seca. Esse é o segundo dos dois únicos pontos que sou um pouco radical – e pelo mesmo motivo. Não gosto de umidade em excesso justamente porque ela costuma acompanhar percursos quase impossíveis com muita lama e oportunidades abundantes para se escorregar e se esborrachar no chão.

Sou ruim de equilíbrio, possivelmente em todos os sentidos, e não gosto tanto de colocar isso à prova o tempo todo.

Apoios

Não tenho nenhuma preferência aqui – desde que as regras sejam cumpridas. Ou seja: se uma ultra for autosuficiente, então esperar postos de apoio com água e comida é uma imbecilidade. A autosuficiência, nesses casos, é parte da prova, um desafio a mais.

Mas, se houver postos espalhados, o ideal é que pelo menos alguns tenham refrigerante ou infra para um bem vindo descanso de 5 minutos no meio da prova.

O “fator exótico”

Correr em um lugar diferente, inusitado, sempre soma pontos extras para qualquer ultra. A vida, ao menos em meu entendimento, é feita para aproveitarmos ao extremo cada segundo de consciência que temos. E aproveitar ao extremo significa sair do cotidiano e se entregar ao exótico.

Assim, correr nas montanhas da Patagônia, entre as vinhas do Douro, no deserto, em Comrades, na Mata Atlântica, na praia ou em qualquer outro cenário “diferente” sempre valerá a pena – mesmo quando todos os outros fatores estiverem jogando contra.

O resumo

Ultras são ultras: são feitas para testarmos nossos limites físicos e (principalmente) mentais.

Mas são feitas também para honrarmos a nossa própria vida, entregando ao coração experiências que ele jamais esquecerá.

Não me considero muito exigente aqui: tendo 50 ou mais quilômetros – o suficiente para garantir um bom tempo correndo – quase qualquer coisa vale.

Quase: o limite, para mim, é a linha que separa o aproveitamento de uma experiência memorável do estresse de passar horas olhando para o chão para não cair de cara (ou em um precipício).

Fora isso, é tudo uma questão de se entregar a uma experiência nova, de mergulhar em si mesmo e de se permitir entrar em uma zona mental tão intensa que o final sempre trará uma noção mais cristalina de quem realmente somos.

Cabot Trail tourism destinations

50K de aventura na Serra do Mar

A aventura em si começou mesmo na noite anterior: vim com toda a família para o Guarujá para que minha mulher e filha pudessem curtir a praia com mais um trio de amigos enquanto eu me embrenhava na Mata Atlântica.

Bom… por volta da meia noite – hora em que o trio de amigos chegou na praia – todas as ruas em torno do prédio inundaram e ficaram intransitáveis até as 4:00. Para ajudar, a energia também foi embora e, assim, só saberia se realmente conseguiria sair para a prova na madrugada.

Por conta desses imprevistos, acabei com a noite totalmente virada e, às 4:30, com água mais baixa e luz reestabelecida, peguei o carro e fiz o trajeto de 1h30 até a largada.

Uma observação: até aquele momento, eu não fazia nenhuma ideia de que os 50K eram uma corrida de aventura. Para mim, seria uma corrida de montanha normal, com trilhas bem demarcadas, paisagens incríveis e aquela vibração única.

Não foi. Trilha, para falar a verdade, deve ter existido apenas em uns 10 ou 15km entre estrada de terra e single tracks. O resto era tudo mato mesmo – e do tipo pantanoso. Passei boa parte do percurso com água até os tornozelos, cruzei três ou quatro rios, caí em uma poça de areia movediça (que, para ser sincero, eu nem sabia que existia no Brasil) e tomei tanto tombo que fiquei irreconhecível.

Isso sem falar em subidas íngremes e descidas enlameadas, sol forte em uns momentos, neblina espessa em outras e uma sensação de completa solidão no mato. No total, estimo que não mais de 15 ou 20 corredores tenham largado para os 50K – número que se espalha já nos primeiros trechos do percurso.

Terminei marrom, com minha inexperiência em percursos assim somando pouco mais de 8 horas de prova. Cansado? Sim. Mais com dor de cabeça dado que não consegui comer absolutamente nada durante todo o percurso. Mas inteiro.

E também com uma sensação de que faltaram as paisagens bonitas, as vistas deslumbrantes da Serra do Mar. Estas foram, verdade seja dita, “trocadas” pelas visões dos trechos que precisariam ser percorridos – uma mescla de assombração com empolgação.

Resumo da ópera? Amei ter participado de uma prova de aventura, principalmente por ter sido uma ultra com tantos desafios assim. Foi pro “currículo”. Em contrapartida, devo dizer que não é algo que eu esteja tão empolgado assim para repetir. Prefiro mesmo provas mais secas, com trilhas mais existentes e vistas mais inspiradoras.

Agora é hora de pensar na próxima.

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Molho e massagem

Sábado tem ultra: a Copa Paulista de Corridas de Montanha.

Não é das maiores, mas incluirá 50km por trilhas novas no topo da Serra do Mar. Imagino que as vistas sejam incríveis, que o sol inclemente deste verão tatue a experiência na pele, que a endorfina vá correr solta pelas veias. Espero tudo o que se possa esperar de uma ultra em um clima de ansiedade poderoso.

Até aí, tudo lindo. Só que as costas continuavam doendo e o medo de enfrentar 6 ou 7 horas nas montanhas com a coluna incomodando desde o primeiro minuto começou a pegar.

Resultado: mudança de planos.

Até agora fiz apenas um treino na semana, de 11K, na terça. Foram 11K relativamente puxados, mas no mesmo ritmo. Ontem teria mais um treino, com intervalados, que acabei cancelando por precaução. Cancelando não: trocando.

Ao invés dele, em um ato de pura (e talvez desesperada) esperança, fiz uma tal de massagem “Tailor Made” na Lush, aqui perto. 30 minutos concentrados na lombar e que me custaram os olhos da cara – mas que, confesso, fizeram efeito.

Aliás, se soubesse que ficaria tão melhor, teria antecipado a decisão. Não é que eu esteja “curado”, mas boa parte da dor realmente desapareceu!

E isso sem contar com a experiência exótica: essa massagem é feita com música de marinheiros irlandeses bêbados ao fundo, fumaça saindo do chão e um clima que em nada lembra spas tradicionais. Curti.

Agora é uma espécie de teste: sair para uma corrida leve, lenta, de pouco menos de uma hora, para soltar os músculos e testar o “novo” corpo.

Que as boas notícias se confirmem no caminho do Ibirapuera!

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Os 3 Ibirapueras

Por mais que eu goste de explorar lugares novos e sair por aí desbravando trilhas, urbanas ou não, é sempre bom ter um lugar para chamar de casa. E, aqui em Sampa, esse lugar é o Ibirapuera.

É o ponto principal de meus treinos durante a semana, seja nas primeiras horas da manhã, às noites ou, em alguns raros momentos, no intervalo do almoço. É onde me sinto mais à vontade por conhecer cada uma de suas travessas e cada esconderijo e, claro, onde posso variar por diferentes percursos.

O Ibira, na verdade, pode ser dividido em três.

Primeiro, há a tradicional pista no interior do parque, totalizando 3km e que costuma ficar coalhada de corredores nos horários de pico ou finais de semana. Quer treinar velocidade? É perfeito. Desde que se tenha cuidado com ciclistas que, volta e meia, voam cortando caminho.

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A pista não é o meu lugar preferido. A trilha é.

Ela vai mais discreta, logo dentro da grade, e soma cerca de 5km entre zigues e zagues. Não é uma trilha técnica, obviamente: salve uma ou outra ladeirinha, o Ibira é relativamente plano. Mas, ainda assim, é uma trilha: tem pontos com lamas, árvores caídas servindo de obstáculos em alguns pontos, cheiros de floresta, silêncio e muito, muito menos corredores. Dá para sair muito mais livre, sentindo a corrida como ela realmente deve ser.

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Finalmente, há o percurso fora do parque, margeando a grade pela calçada. Tecnicamente, a distância não é muito diferente da trilha – mas há mais asfalto e, dependendo do ponto (principalmente na IV Centenário), ainda mais isolamento. A corrida por fora é uma espécie de mescla dos dois mundos: tem o asfalto do circuito e a distância da trilha, com trechos cheios (nos arredores dos pontos de ônibus) e vazios (nas zonas mais residenciais). E, claro, há iluminação – algo que falta na trilha por um motivo óbvio: é uma trilha.

Dia desses decidi fazer os três percursos no mesmo treino. Variar, afinal, faz bem – mesmo quando se está no percurso mais repetido de todos. Quer saber? Gerou uma sensação de “patrulha em torno da própria casa” quase inédita, como se eu estivesse oficialmente conferindo as “condições” do Ibira. Senso de propriedade é bom, faz bem – principalmente quando se está falando de um lugar tão importante para mim (e para tantos corredores paulistanos).

Fora isso, há ainda as surpresas que o parque prepara por ficar no coração de Sampa, como a iluminação incrível de Natal, os shows com as águas, os concertos que emanam música clássica cortando qualquer headphone aos domingos etc.

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Tem como não amar esse parque?

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Checkpoint semanal: A dor que persiste

Tenho tentado passar pela semana como se nada tivesse acontecido.

Fiz os treinos normais em quase todos os dias, com tiros, intervalados e longões. Acordei no horário de sempre, alternei algumas corridas matutinas com noturnas e fiz a trilha urbana habitual do sábado.

Mas a verdade continua ali, presente, incomodando: a dor na coluna que ganhei depois de um domingo carregando minha filha no ombro por mais tempo que deveria não sumiu.

Ela melhorou, é verdade – mas ainda existe.

Hoje, por exemplo, cortei um pouco o longão, reduzindo em cerca de 30 minutos e chegando ao final da semana com 75km rodados. Tempo bom, principalmente considerando as condições – mas preocupante por conta da necessidade de adaptação às incessantes “vozes do corpo”.

O que me anima é que, pouco a pouco, a dor – que some completamente enquanto estou correndo – está diminuindo no restante do dia. Na segunda, por exemplo, tomei analgésicos 4 vezes no dia; ontem, apenas uma vez; hoje, nenhuma – ao menos até agora.

E o ponto que mais preocupa, no curto prazo, é que no sábado que vem tenho uma corrida de 50K para correr aqui perto.

Os próximos dias serão mais leves por conta do período de tapering, buscando descansar as pernas. Torçamos para que as costas também descansem e fiquem melhores.

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Que tal uma ultra surpresa? Me inscrevi nos 50K da Copa Paulista de Corridas de Montanha!

Tem ultra “surpresa” no sábado, dia 24!

Pois é: navegando em busca de desafios novos para esse ano, acabei me deparando com uma corrida de 50K bem perto de São Paulo – algo que serviu como uma espécie de ordem divina para que eu participasse.

Aqui, afinal, pode até haver corridas de 5 a 10K toda semana – mas ultras são realmente raras.

Isto posto, a ideia é madrugar no sábado, dirigir cerca de 1h15 até a largada e fazer os 50km na parte de cima da Serra do Mar, mas já próximo a Cubatão. Aliás, espremido entre a represa Billings e a Serra do Mar, o percurso deve ser muito, muito interessante.

A etapa de Santo André da Copa Paulista de Corridas de Montanha, como foi batizada, contará com uma altimetria tranquila para a distância, com o ponto mais baixo de 740m e o mais alto, de 798m em relação ao nível do mar. Ou seja: haverá ondulações, claro, mas nada de tenso.

É uma pena apenas que o site da organizadora, a Corridas de Montanha, seja tão, tão ruim. Não há nenhuma foto, nenhuma descrição sobre o tipo de terreno ou percurso ou nada que possa servir de apoio. Pelo menos há uma integração com o Strava na versão beta do novo site, cujo print colo abaixo.

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Para ver mais detalhes é só clicar aqui ou sobre a imagem.

Agora é inventar uma micro fase de polimento e me preparar para 50K nas trilhas paulistas!

Kandy Doces: Já temos um apoiador para a Ultra Estrada Real

Internet é uma coisa incrível.

De repente, de uma busca quase individual por algum lugar diferente para correr, a Ultra Estrada Real nasceu e começou a tomar um corpo que eu sequer imaginaria.

Muito embora seja uma corrida totalmente independente, sem acompanhamento oficial, medalha, chips ou coisa do gênero, o amor pelo esporte já gerou mais de 50 pessoas que se inscreveram através do formulário online.

Muitos já se colocaram à disposição para ajudar com carros, equipe de staff e assim por diante – e isso tem feito a diferença.

No final da semana passada, a já amiga e respeitadíssima ultracorredora Zilma Rodrigues, que está ajudando enormemente em toda essa empreitada – apareceu com uma novidade interessante. A empresa Kandy entrou no clima e garantiu o apoio do “evento” cedendo biscoitos, água e isotônico em todos os postos de apoio.

É claro que ainda falta conseguirmos gente para ajudar no manuseio dos postos – mas essa ajuda da Kandy já é de um valor inestimável!

Se você, corredor, quiser ou puder ajudar, mande email para emailnacorrida@gmail.com . Neste momento precisamos principalmente de equipe para atuar nos postos descritos aqui nesse link.

Apoio Ultra Estrada Real

Importante: não custa sempre deixar claro que, independentemente do apoio, a Ultra continua sendo independente. Ou seja: conte com a possibilidade de você fazer todos os 88km por conta própria, levando dinheiro para comprar água refrigerante etc. nas cidades ao longo do caminho!

Trilha urbana: Sumaré, Jardim das Perdizes, Parque da Água Branca e Minhocão

Há um pequeno novo parque no centro de São Paulo, ainda com árvores novas e pouco sombreado, que dá o tom do bairro que está surgindo em seu entorno: o Jardim das Perdizes.

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O bairro em si ainda é um embrião: prédios residenciais, torres comerciais, shopping e hotel ainda estão sendo erguidos. Apenas o parque está efetivamente aberto e correr nos seus pouco mais de 1km é como testemunhar o nascimento de um novo pedaço da metrópole justamente em uma de suas áreas mais antigas: o bairro da Barra Funda.

Não dá para fazer um longão em um parque tão pequeno, claro – e por isso o Jardim das Perdizes é apenas o começo do percurso. Ou meio.

Afinal, chegar lá inclui subir até a Dr. Arnaldo, descer até a Sumaré e correr pela faixa do canteiro central – perfeita para o esporte – passando ainda pelo novo Estádio do Palmeiras.

Depois de lá dá para esticar ainda até o Parque da Água Branca, nas proximidades. Esse é, talvez, o mais exótico dos parques paulistanos por ser estabelecido em torno de construções muito bem cuidadas que datam de 1929, quando ele foi inaugurado como centro de exposições e estudos zootécnicos.

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Assim, passa-se por um estábulo (que, hoje, abriga algumas feirinhas gastronômicas), por um museu, por espaços de leituras, por um parquinho de diversões e muito mais. Tudo isso com eventuais galinhas cruzando o percurso como se estivessem em alguma fazenda no interior do estado.

Relembrando: estamos no centro de São Paulo.

O Parque da Água Branca não é gigante – mas é maior, claro, que o Jardim das Perdizes. E um percurso incluindo os dois, ligados ainda pela Sumaré e pelo Minhocão.

Pois é: aos domingos, aproveitar o Minhocão fechado para trânsito para voltar para casa é a opção perfeita.

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Resultado? Em um único percurso consegue-se cruzar uma via fantástica – a Sumaré – ver uma parte da cidade nascer, passar por um parque com ares de fazenda interiorana e terminar subindo o icônico Minhocão.

Nada mal para um domingo qualquer.

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