O melhor percurso para longões de São Paulo

Esse é, ao menos para longões, o melhor percurso para fazer em São Paulo. 

Começa pela descida via Rebouças, um trecho não exatamente arborizado ou verde, mas que logo muda quando se cruza a ponte e se entra à esquerda no Butantã. A partir daí, a urbe dá lugar a um verde mais esparramado e quase mesclado a casarões meticulosamente plantados no terreno. 

Pelo bairro deserto, com árvores para todos os lados, vamos atravessando uma zona que parece outra cidade. Há ladeiras: o sobe e desce não pára, um dos pontos altos desse trecho. Em uma das descidas, acabamos na Oscar Americano quase de frente para o Parque Alfredo Volpi. Nova mudança de cenário. 

O parque é pequeno, mas com uma natureza quase intacta. Não há asfalto e nem visão de prédios: tudo é trilha pela mata atlântica, incluindo um ou outro single track e aquela umidade típica das florestas. Dá para se passar um bom tempo lá, mas demos uma volta. Às vezes, é o suficiente para respirar o ar mais denso do verde. 

De lá, saímos e subimos a avenida que passa pelo São Luis. Subida grande, mas voltando a ter os ares de outra cidade. Ainda assim, o cenário vai se transformando e, de repente, entramos no Morumbi. Não o Morumbi que se ouve falar, do trânsito e da violência: um outro, vazio, super arborizado e delicioso se estende pela frente. 

Entre subidas e descidas, passamos pelo Palácio do Governo, pela casa que parece ter sido construída a 4 séculos (embora seja relativamente nova), pelo pórtico de entrada da antiga fazenda que ocupava o terreno, pela Capela do Morumbi. Seguimos por entre praças, casas e prédios que se contrastavam mantendo a beleza. Descemos. Subimos. Subimos mais. 

De lá de cima, a cidade parecia se estender pelos nossos pés tendo apenas uma faixa densa de mata no caminho. Essa faixa abria caminho para o próximo destino: o Parque Burle Marx. 

Nele, é possível passar horas percorrendo as trilhas que se ziquezagueiam e se cruzam. Tudo parece diferente, mas mantendo o estilo. Tudo é verde, é mata, é trilha. Tudo é tão sintonizado que, de novo, parece que estamos em outra cidade. Nos mantivemos correndo naquele naco de natureza por alguns poucos quilômetros até sair. 

Era hora de voltar, só que por outro caminho. No começo, subimos a ladeira até o alto do Morumbi e tomamos a avenida. Nela, no entanto, nos mantivemos até cruzar a ponte e chegar no Brooklin, onde outra cidade nos aguardava.

Essa não era particularmente bonita. Era cinza, mais poluída, mais movimentada pela pressa dos carros, mais paulistana. Cruzamos um dos epicentros da metrópole, a Berrini, cruzamos o Parque do Povo, subimos a Tabapuã e entramos na Faria Lima. 

Hora de entrar pela Cidade Jardim. Subimos testemunhando os novos prédios cedendo o terreno para casas amplas, confortáveis. Estávamos já no final. 

Dali era só cruzar a Brasil, subir a Bela Cintra e pronto: fechar os 30km de percurso. Foi onde meu companheiro de corrida de hoje, Geovane, se separou de mim e seguiu seu rumo até o outro lado da Paulista, somando ainda a cena da grande avenida ao seu percurso. 

No total, foram dois parques com trilhas sempre bem vindas, cenários absolutamente diferentes, contrastes, árvores, vistas, subidas, descidas.

Longões são bons assim, quando quebram a monotonia e agregam cenas diferentes para divertir a cabeça. E, por mais que não faltem opções de percursos e trilhas urbanas em Sampa, esse certamente está no topo da lista. 

(A propósito, deixei o link do trajeto via Strava abaixo – é só clicar na imagem ou aqui).

  

Sábado endorfinado

Dia de longão esperado. Depois de uma semana tensa, com gerenciamento simultâneo de 2 crises e algumas noites sem dormir, tudo se resolveu perfeitamente na sexta. 

E correr no sábado de manhã nessas condições, com endorfina pre-liberada pelo alívio, é perfeito. 

Fui até o Morumbi, via Parque Alfredo Volpi e com destino às trilhas escondidas atrás do Parque Burle Marx. 

Não lembrava que havia tanta ladeira pelo trajeto, mas elas fizeram bem. Acordaram músculos que estavam adormecidos, posicionaram obstáculos mais interessantes e fizeram suor ser liberado de maneira mais solta.

Nem escutei podcasts ou audiobooks: fui direto em playlists de Rock no Spotify e saí acelerando e sorrindo sozinho. 

Ajudou também o fato do percurso – ignorado por muitos paulistanos – ser belíssimo. Em um sábado ensolarado pela manhã, as ruas arborizadas e desertas do Morumbi são incríveis. Os parques, tanto o Volpi quanto o Burle Marx, são muito bem cuidados e com trilhas que mais parecem ter saído de um conto de fadas, com bosques, lagos e retões convidativos.

Até levei mais tempo que havia planejado – mas quase sem sentir.

No final das contas, rodei 29km cheio de subidas, com trilhas e ruas, sob um céu impressionantemente azul e carregado de endorfina do primeiro ao último minuto.

Difícil imaginar uma maneira melhor de começar um sábado.

  

Trilha Urbana: Parque Alfredo Volpi e Morumbi

Dentre os tantos lugares de Sampa que ainda faltava explorar, um já estava chamando mais atenção: o Morumbi.

Não é exatamente perto de onde moro e, em dias de semana, tem lá os seus problemas críticos com trânsito. Segurança também não é o forte: assaltos são frequentes na região da Giovani Groncchi, principalmente quando filas de carros ficam estacionadas esperando algum milagre que faça as entupidas artérias paulistanas voltarem a fluir.

Mas há um outro aspecto para tudo isso, um outro lado de toda a região. O Morumbi tem morros e ladeiras fortes, impondo um treinamento mais intenso do que o normal. É também um bairro altamente arborizado, com parques espalhados pelos quatro cantos colorindo ruas que, por si só, são inegavelmente bonitas, pontilhadas por casarões que mais parecem castelos.

O meu longão começou descendo a Rebouças, nas próximidades da Paulista, até atravessar o Pinheiros. É o mesmo caminho da USP – só que com uma virada à esquerda depois.

Um alerta aqui: por algum motivo, o Garmin simplesmente pifou na marcação do trecho, como pode ser visto abaixo. Para facilitar, desenhei uma linha azul no percurso real e coloquei “x” no fictício, traçado por ele. Essa falha “cortou” também 5km de percurso, para quem quiser entendê-lo melhor a partir do mapa no final do post.

Isto posto, prossigamos.

ao virar à esquerda, toda a paisagem começa a mudar: estamos no alto do Butantã, uma espécie de “pré-Morumbi”, com casas incríveis e cenários realmente lindos. Parece uma cidade inteiramente diferente de Sampa, tamanha a paz e a calma que emanam do bairro.

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Há uma espécie de ziguezague pelo Butantã até se chegar à Oscar Americano, avenida que dá no Parque Alfredo Volpi. Esse é um caso à parte: um enclave no meio de uma das zonas mais comerciais de São Paulo onde se pode encontrar – veja só – trilhas cortando trechos incríveis de mata atlântica. E quando digo trilhas, incluo aqui subidas, descidas, partes com single tracks e tudo mais. Há grupos de atletas profissionais treinando por lá, talvez por ser ainda um local pouco utilizado por corredores na cidade, o que dá uma sensação mais emocionante. Apenas para ilustrar, quase fui atropelado pela olímpica Ana Cláudia Lemos, que voou como um trem bala por mim, enquanto me esguelava para subir um trecho. Me senti uma mula velha cansada.

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Dei uma volta e saí. Meu destino agora era um parque próximo ao Palácio do Governo, no Morumbi.

O caminho era basicamente uma reta, passando pela Av. Morumbi e por um trecho pequeno da Giovani Groncchi. Lá há uma praça que mais parece um parque, a Vinícius de Morais, que permite uma volta relativamente grande por áreas muito, muito verdes e bem cuidadas.

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É um daqueles lugares que dá vontade de passar mais tempo curtindo, bebendo a energia dos outros corredores e sentindo uma espécie de calma incompatível com a região em dias que não sejam finais de semana.

Mas, claro, era hora de voltar.

Prolonguei: fiz um caminho diferente, entrando por outras ruelas que chamaram a atenção e voltando ao Parque Alfredo Volpi para mais uma volta.

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Foi uma espécie de despedida da região, do dia, de uma trilha urbana que me levou a lugares diferentes de todos os outros que havia corrido em Sampa até hoje. Houve de tudo, afinal: casarões, pontes sobre rios poluídos, trilhas na mata atlântica, palácio do governo. Presentes que só se encontra em percursos por cidades gigantes como Sampa.

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