Checkpoint: Inteiro, mas meio assustado

92,4K, exatamente dentro do planejado. Claro: ter que diminuir o ritmo na semana passada não exatamente o plano, mas pelo menos me recuperei nesta.

Até agora, estou como que em fase de adaptação a esse modelo de treino de 3 semanas pesadas e uma leve, ampliando a volumetria apenas em blocos mensais. Fato: a resistência está mesmo maior: fazia tempo que não somava semanas acima dos 90K, incluindo longões em pares de 40K aos sábados e 20K aos domingos.

Por outro lado, o corpo fecha o domingo esmigalhado de dor, perto de um limite que não quero cruzar. Essa é a parte do “assustado” que se encaixou no título do post: a sensação de estar exigindo muito do corpo é constante.

São, no entanto, 140K sob o sol sertanejo que me aguardam: lembrar disso de vez em quando é sempre importante. Metas servem para encurtar a sensação de distância dos caminhos.

Bom… semana que vem é mais leve e devo ter algo na casa dos 60 ou 70K para rodar – ainda não conferi. Diferentemente da semana anterior de descanso, não pretendo “aproveitar” para encaixar tempos ou tiros: pretendo realmente fazer uma semana inteira de regenerativos. 

Vamos ver como funciona.

(De acordo com o Suunto, tenho 126 horas de “recovery time” pela frente).

Até o horto por novos caminhos

Esses últimos dias foram meio virtualmente ausentes. 

Virtualmente: foi só aqui, no blog, que sumi. E há uma desculpa para isso: com todas essas mudanças recentes no país, foi como se o ano pegasse no tranco e muitos dos projetos que estavam com freio de mão puxados subitamente se acelerassem. 

Com isso, claro, mergulhei feito um louco no trabalho – mas mantendo os planos de treino. Durante a semana, acabei totalmente recuperado e encaixei tudo o que queria. 

Hoje, sábado, escolhi uma rota diferente e fui correndo daqui até o Horto, dando um loop naquele que é um dos parques mais lindos de Sampa, na beira da Serra da Cantareira, e voltando.

Caminhos novos são sempre motivadores: abrem vistas inesperadas, revelam cenas diferentes e expõem uma cidade absolutamente diferente da que estamos acostumados. O caminho até o Horto teve disso, principalmente depois que cruzei o Tietê e me vi percorrendo a Braz Leme por um canteiro central que mais parecia um bosque.

De lá, entre curvas e cotovelos, acabei entrando no parque. Amplo, verdíssimo, com ares de mata virgem e trilhinhas perfeitas. 

Pausa para inevitáveis fotos. 

Pausa para respirar a Serra da Cantareira.

Pausa para repensar a semana.

Pausa para sentir aquela energia de missão cumprida, mesmo antes de voltar para casa, já com o Caminhos de Rosa em mente.

Um passo de cada vez

O primeiro foi hoje.

Não saí exatamente zerado, mas saí em condições muito, mas muito melhores do que eu estava no final do sábado. Descanso, às vezes, opera milagres.

Em tese, hoje deveria ter rodado 10K. Puxei um pouco mais: fiz quase 13.

Fui leve, bem leve: nada de velocidade e nem de testes desnecessários. Apenas uma voltinha ingênua pela pequena trilha de pedras no meio do Ibira.

O suficiente, embora a vontade estivesse mandando comer mais quilômetros.

Segurar a vontade, no entanto, é também parte do treino.

cooper

 

Checkpoint: Quebrado

Pequeno revés no plano: aparentemente, a carga da semana passada foi alta demais para a sua “repentinidade”. 

A semana até começou razoavelmente bem mas, quando pulei para os 20K na quarta com aumento na intensidade, as rodas simplesmente saíram.

Quinta e sexta foram dias de descanso difíceis; o sábado me estourou por completo. 

Bom… antes que seja tarde, desisti do dia de hoje. Semana que vem tentarei uma carga mais alta – mas sem exageros e dando mais tempo à evolução.

Às vezes, o mais difícil de um processo de treinamento é entender que se trata de um processo – e que, como tal, leva tempo. 

Cedamos, pois, ao tempo.

Devia ter me ouvido

Devia ter prestado atenção a mim mesmo quando, no soar do despertador, decidi ignorá-lo e me refugiar nas cobertas.

Sim, fiz exatamente isso ainda que sem nenhum motivo físico aparente. Estava inteiro, intacto e apenas com uma rusga passageira de sono.

Algumas horas depois, no entanro, estava calçando o tênis e projetando o percurso dos 40K do dia.

A preguiça era mais que ela mesma: era um aviso.

Ignorado, decidiu se vingar.

Saí por um percurso novo, até: novidades sempre me empolgam. Margeei a trilha do trem na Barra Funda, tomei um rumo da Lapa e subi até a região do City Lapa. Deixei o Rio Tietê para trás e, cruzando a pseudo-península paulistana, desci até a região do Rio Pinheiros.

Entrei no Parque Villa-Lobos, dei uma volta. Estava ali somando pouco mais de 15K, mas as pernas começavam a protestar ferozmente. 

Tudo, tudo começava a doer. Coxas gritavam. Tronco se desfigurava. Tornozelos se bambeavam.

Diminuí o ritmo – corrijo-me: o ritmo me foi diminuído pelo corpo.

Andei um pouco.

Forcei o pace.

Deixe a ideia dos 40K de lado: fui direto para casa. A casa, no entanto, estava a uns 10K de distância. 

Fui me arrastando, xingando a própria ignorância e temendo a sempre sádica planilha que, inevitavelmente, seria ignorada na semana.

O tempo voava e parava simultaneamente: enquanto os relógios na rua denunciavam que eu estava atrasado, o do pulso mostrava que o vergonhoso ritmo que me dominava era quase tão ágil quanto o de um cágado com sono.

Fechei os olhos por um minuto. Respirei. Segui reto.

E reto fui, ignorando paisagens e pessoas, até chegar na porta do meu prédio. 28km somados – 12 a menos que o planejado.

Amanhã tenho – ou teria – mais 20. Impossível.

A recuperação da semana passada foi menos completa do que eu previa. Prejudicou.

Talvez seja bom aproveitar melhor esta para completar o descanso. Ainda há um longo caminho, afinal, até o Grande Sertão.

Dois descansos

Não que eu tenha corrida à velocidade da luz – mas estava já me cansando do pace vagaroso que parece tomar conta das pernas quando treinamos para provas muito longas. 

Estava já me habituando a rodar na casa dos 6-quase-7 min/km, algo impensável no passado não tão distante. Não minto: estava até bem encaixado nesse ritmo, contente pelo volume que estava somando enquando rodava embalado por audiolivros e podcasts. 

O problema era chegar em casa e ver as estatísticas no Strava. Estatísticas servem, em muito, para isso: para nos deixarem constrangidos em nome do próprio ego e nos forçarem melhorias. 

Assim, com alguma gana, saí no final do dia de ontem. 

Saí sério, quase sisudo, com o objetivo de engolir uma meia maratona aparentando maldade nos olhos. Foi o que fiz. 

Saí doido a uma média de 5 min/km. Pode não parecer tanto para os mais elitizeiros mas, para mim, a essa altura, é. Folguei um pouco: fui para 5min30. Me mantive apertado, tenso, grunhido. 

Busquei parar no mínimo possível de semáforos. 

Varri o Ibirapuera por fora e por dentro. 

Serpenteei o caminho de pedrinhas. 

Ultrapassei os lerdos que corriam como eu estava correndo. 

Voltei furando o trânsito. 

Parei de súbito em frente ao portão do prédio.

Quando cheguei em casa estava com um outro tipo de cansaço no corpo. Presente, por certo, e fazendo as coxas reclamarem com as ideias – mas naquele tipo de reclamação que inclui um tipo de orgulho, quase de soberba, no tom. 

Ganhei com isso dois dias de descanso – hoje e amanhã. Descanso perfeito, aliás, dadas as quarto horas de rua que devo para o sábado. 

Mas esses dois dias, não me engano, servirão também para sossegar as têmperas e me fazer voltar ao foco de somar os quilômetros mais lentos e constantes, constantes, constantes. 

Teriam sido dois descansos? Por certo. 

Um, feito de pernas em movimento, para a ansiedade de ir mais rápido; e outro, feito de pernas para o ar, para tirar a eletricidade do sangue. 

Ambos foram muito bem vindos. 

Vídeo: Indomit São Paulo/ São Bento do Sapucaí

Taí o vídeo de uma das corrida mais duras e belas que já fiz. Se alguém estiver pensando em um desafio sensacional pela inigualável Serra da Mantiqueira, recomendo fortemente. 

Até porque, provavelmente, esse é um que eu repetirei em 2017!

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