Vídeo: INDOMIT Caribe 2017

Vai ser bem difícil conciliar essa prova no calendário do ano que vem. Verdade seja dita, o fato dela acontecer na Venezuela, por si só, coloca em dúvida a própria existência da prova. 

Ainda assim, um vídeo como esse abaixo empolga bastante!

4 de junho de 2017

Ainda não tenho ideia de como será o ano que vem. Para falar a verdade, tem sido difícil prever a semana que vem nesses dias tão turbulentos! 

Mas há coisas que não mudam há eras, que são certezas com as quais sempre podemos contar e que, portanto, nos dão um certo sossego, uma certa segurança.

Uma dessas coisas é a Comrades, em sua edição de número 92. Quando? 

Em 4 de junho de 2017. 

Não sei se estarei lá – mas ela estará. E, no que depender da minha vontade, nos encontraremos mais uma vez. 

Regenerativos ilogicamente efetivos

Por definição, treinos regenerativos são curtos e leves, tendo um efeito analgésico no corpo depois de treinos mais intensos. Pela lógica, eles não fazem sentido: como, afinal, aplicar qualquer tipo de esforço ao corpo cansado pode fazê-lo descansar? 

O problema é que funciona. 

No meu caso, ainda, costuma fazer algo ainda mais ilógico – como rodar 15km no domingo depois de correr uma maratona no sábado. Sob qualquer parâmetro, 15K dificilmente se enquadram no que se pode chamar de “regenerativo”. Eu sei. 

Mas repito: funciona. 

Funcionou. 

Quando cheguei de volta no sábado estava tão mastigado que até o tornozelo inchou. O ato de locomoção, durante todo o sábado, foi desafiador. No domingo, acordei mais ou menos do mesmo jeito. 

E aí decidi dar uma volta no Ibirapuera. 

O incômodo todo evaporou no segundo quilômetro. A partir daí estava novo. E mais: no km 10 já estava querendo mais, curtindo mais os metros pela frente do que os que estavam ficando para trás. 

Quando cheguei em casa de volta estava pronto para encarar não apenas a semana que começaria a partir dali, mas todo um novo prospecto de treinos pesados. Dá para entender?

Não. Há uma lógica torta com regenerativos: eles não fazem sentido algum, mas funcionam.

Efeito placebo? Pode ser. Mas faz alguma diferença? 

Sábado na USP

Quem não é de São Paulo provavelmente terá dificuldades em entender o que significa a USP para corredores. 

Sempre fui apaixonado por esta cidade mas, verdade seja dita, encontrar uma natureza pardisíaca para se correr aqui não é tarefa fácil. Sim: há o Pico do Jaraguá e o Cantereira – mas eles são distantes, fora de mão quando se busca um treino mais fácil. 

Há o Ibirapuera, sem dúvidas – mas este acaba sendo cotidiano demais quando se pega o hábito de corrê-lo em 3 dias úteis por semana. Há a cidade em si? Claro: cruzar o centro velho é sempre um prazer para mim – mas às vezes queremos aquele tipo de paz que apenas passos cruzando o verde proporciona. 

É aí que entra a USP. 

Aos sábados, ela costuma ficar tomada de corredores e ciclistas como se fosse uma prova de rua, com todos querendo aproveitar o seu espaço verde, bem cuidado e quase vazio de vida urbana. Seu entorno abre diversos percursos: três grandes e um com uma pequena trilha fechada que nos dá a sensação de ter entrado no meio de uma floresta virgem. 

Em dias chuvosos, então, tudo fica ainda melhor. Além de respirar esporte como em todo sábado, o movimento fica suavemente mais leve e se consegue cruzar seus bosques e ladeiras sentindo na pele a umidade fria da capital paulista, clima responsável, em última instância, para que a cidade tivesse sido fundada aqui. 

Tinha uma maratona para rodar no sábado passado e fui para lá. Além do caminho de e para casa, foram necessárias 3 voltas. Alternei o percurso nelas e, por todo o tempo, corri com o fone desligado apenas escutando a mata. Ali, no meio da cidade, dava para ouvir apenas sons de pássaros, plantas chacoalhando ao vento e eventuais passadas de corredores. 

Dava para sentir o cheiro da umidade, para sentir o clima provocar uma mescla de suor com frio arrepiando os braços.

Dava para estufar o pulmão e deixar nas ruas todo o estresse que cisma em grudar em nossos peitos em tempos difíceis. 

Dava para correr com uma leveza bem próxima à perfeição.

Não vou à USP com tanta frequência assim: na maior parte das vezes acabo cavando percursos inéditos ou cantos mais isolados da cidadade. Tudo depende sempre do estado de espírito no sábado pela manhã. 

É sempre bom, no entanto, saber que ela estará lá, à espera, sempre que precisar. E que imagens como essas abaixo, que instagramei no meio do treino, estarão sempre ao alcance.

 

Checkpoint: Indo

Na série anterior, acabei não conseguindo fazer três semanas intensas seguidas: fiquei tão cansado depois da primeira que precisei baixar o ritmo inteiro no meio do plano para depois retomar. 

Minha meta nesse ciclo era conseguir – e com o detalhe de ter mais volume programado. 

Estou na segunda semana e, apesar de uma leve baixa em relação à semana passada, dá para considerar que consegui resultados melhores. No total, fiz 107K na emana passada e 100K nesta, ambas com uma maratona em cada sábado. 

Não vou mentir: minha tarde de ontem foi bem dolorida – mas bastou 15K hoje de manhã e fiquei como novo, inteiro, com a musculatura solta. 

Semana que vem é a terceira e última desse ciclo com 5 sessões programadas incluindo uma meia na terça e outra maratona no sábado. Que bons ventos me levem até esta linha de chegada!

Tenho andado sumido

É, tenho. Há motivos – sempre há.

Correr, nessas últimas semanas, se transformou em uma espécie de momento religioso para mim, algo quase catártico dado o momento de vida.

Tudo está acontecendo. Toco duas empresas no cotidiano – uma agência de comunicação e uma editora online. Não tenho do que reclamar de nenhuma delas mas, como para todo empresário brasileiro, atravessar esse mar de incertezas gerado pela crise política, social e moral brasileira, tem demandado uma energia colossal. A cada instante, planos novos, projetos súbitos brotam da ansiedade de tentar deduzir se ainda teremos um país para trabalhar na semana seguinte. Incerteza é o pior dos inimigos da calma.

Some-se a isso o fato de eu estar finalizando uma obra para me mudar de apartamento no final do mês. Mais malabarismos.

Talvez soe como uma espécie de auto-tortura considerar que estou ainda beirando a fase de pico para o Caminhos de Rosa, rodando 100, 110km semanais. Mas não é.

É o oposto.

Em uma daquelas metáforas piegas de tão óbvias, pode ser que esteja mesmo é correndo dos problemas. Pode ser – mas o fato de sempre retornar a eles ao cabo de algumas horas com a cabeça mais fresca e o peito mais oxigenado não deixa de ser um bom sinal.

Essas 11 horas que passo entre ruas e trilhas são responsáveis, em verdade, pelas outras 157 horas divididas entre muito trabalho e pouquíssimo sono.

A acidez das mudanças é tamanha, no entanto, que sobra pouco espaço para uma descompressão mais suave, feita de palavras sendo marteladas aqui no blog. É desligar o relógio e pronto: sou imediatamente catapultado para dentro do celular, nova casa de todos os problemas que carecem de soluções imediatas.

Mal subo o elevador e, ainda suado, estou já imerso no trabalho.

Sim, ando sumido – e isso não está me fazendo bem. Espero que alguma normalidade volte a aparecer por essas bandas: definitivamente não é normal sentir, já em junho, aquele cansaço mental típico de dezembro.

O ano precisa correr mais rápido que nós.

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Checkpoint: Sentindo o efeito

Há semanas em que sentimos na pele o efeito do treinamento. 

Nesta, comecei com uma meia na terça, emendei 11k na quarta com 15 na quinta e rodei uma maratona ontem e uma quase meia hoje. No total, 107km.

Mas o mais interessante foi que acabei relativamente inteiro, tendo fechado o domingo – um dia depois da maratona – com o melhor pace de toda a semana.

Isso sem contar uma altimetria acumulada bem boa e o fato de eu ter entrado, finalmente, no Parque da Cantareira.

Perfeito.

Vamos ver se isso tudo se segura na semana que vem: em tese, afinal, há mais duas de pedreira pura pela frente antes de um novo “descanso”!