E vamos às maratonas!

Tenho uma relação esquisita com a Maratona de São Paulo. 
Foi minha primeira maratona, lá em 2012. Estava com febre, nariz entupido, dor de cabeça e nenhum preparo físico para encarar o que acabou sendo 5 horas da mais pura tortura. A baixa de energia foi tamanha que nem consegui comemorar direito: por vezes me pego considerando a Maratona do Rio, feita poucos meses depois, como a minha primeira. Do ponto de vista de aproveitamento, pelo menos, a orla carioca certamente foi melhor do que o asfalto paulistano. 

Depois disso acabei participando de mais algumas edições. Nunca fui tão apaixonado pela prova – e por motivos que considero justos. A organização da Yescom é sofrível, a largada é tumultuada até o extremo e o público apoiando é praticamente nulo. Mas nada é pior do que o percurso: em uma cidade com tantos atrativos históricos quanto São Paulo, enfiar milhares de corredores na cotidiana e tediosa USP de sempre e evitar trechos como a Paulista é algo que simplesmente não me entra na cabeça. É como se o evento fosse feito só para constar ao invés de ser encarado como um atrativo de potencial turístico como tem as maratonas de Nova York ou Chicago. 
Mas, enfim, é o que se apresenta. É a oportunidade de correr 42km em um percurso demarcado, com hidratação e em pleno domingo. 
Nesse ano, serão duas oportunidades: a de abril, tradicional no calendário, e a Golden Run, entre o primeiro e segundo semestre, que tende a ser mais organizada. 
Me inscrevi em ambas. 
Como tenho um casamento no feriado de abril, ainda não estou certo de conseguir chegar a tempo na primeira maratona – mas tentarei. No mínimo será uma oportunidade de ouro para eu reencontrar meus amigos de Comrades que provavelmente estarão fazendo seus últimos longões antes de embarcar para Durban. 
A maior esquisitisse da relação com a prova? Ela é, provavelmente, a que menos gosto de todo o calendário de corridas – mas a que mais participo!
  

Comparando performances e evolução

Quem acompanha este blog sabe que tenho uma certa tara por números e métricas. Guardo com um zelo ridículo minhas marcas, melhores ou piores, além de cada registro que puder colocar as mãos e que me ajude a entender melhor o corpo e a mente.

Na prática, confesso que a utilidade é pouca: não sou e nunca serei um atleta de elite e, no máximo, gosto de satisfazer a minha própria curiosidade quanto a mim mesmo. Digamos apenas que eu seja uma espécie de acumulador virtual.

Nesse espírito, decidi fazer alguns gráficos para entender a minha performance correndo maratonas e trilhas/ ultras desde a minha primeira linha de largada, em 2013. E cheguei a algumas conclusões interessantes.

Maratonas de Rua

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Fiz, até hoje, um total de 8 maratonas “oficiais” (desconsiderando treinos de 42K, naturalmente). Até a de Chicago, minha meta era uma só: tempo. Nunca havia pisado em uma trilha e o máximo de sonho que eu tinha era correr Nova York, Londres, Berlim etc. E exceto por um pequeno soluço na Maratona do Rio de 2013 – que estava com um calor infernal – vinha conseguindo baixar meus tempos praticamente a cada corrida.

E isso durou até a Comrades de 2014.

Ultras e Trilhas

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Depois da Comrades, minha primeira prova foi uma maratona de trilha – a Indomit – que estava usando como preparo para a Douro Ultra Trail. Novidade pura para mim, incluindo terrenos super técnicos, uma necessidade óbvia de se caminhar de vez em quando e um bônus valiosíssimo: as paisagens.

Foi só fechar a Indomit e a DUT, esta última em setembro do ano passado, que virei um trilheiro convicto. Com o abandono das metas de rua, passei a me dedicar mais a treinos de resistência e a focar provas em montanha, com altimetrias mais severas e uma largura de tempo substancialmente maior.

É difícil comparar uma ultra com a outra: cada uma delas tem terreno e distância diferente, o que as faz únicas. Mas dá para perceber que me mantive com uma resistência semelhante dado que a diferença das minhas duas Comrades ficou em ridículos 23 segundos (mesmo considerando a alternância dos percursos).

Mas a velocidade em maratonas ficou nitidamente comprometida, bastando olhar os dois resultados que tive (ambos em São Paulo) depois de Chicago.

Que grande e disruptiva conclusão se pode tirar disso? Nenhuma, claro. Ficar lento em maratonas depois de ser abduzido para o mundo das ultras de trilhas não é nada além do óbvio.

Mas fiquei curioso quanto à minha capacidade de retomar a performance e, quem sabe, bater um sub 3h30.

Quem sabe um dia? Por enquanto, minha vontade de participar de uma prova de rua realmente é mínima…

Hora de voltar para as trilhas

No último mês, saí das trilhas e me foquei no asfalto. A meta: me qualificar para Comrades, onde devo voltar em 2015 em busca da back-to-back medal.

Não vou dizer que fiquei satisfeito: fiz uma maratona de SP difícil, sob um calor escorchante e que me quebrou miseravelmente, levando meu tempo para sofríveis 4h15.

Mas me qualifiquei, mesmo que em uma baia diferente da que pretendia. Hora de virar a página.

E a Maratona de São Paulo, aliás, é perfeita para isso. Sem atrativos no percurso, boa parte do tempo na Marginal, em túneis ou sobre pontes, ela marca bastante as diferenças entre trilhas e asfalto.

E dá saudade das trilhas.

Agora, no entanto, é hora de retornar a elas. Ainda não sei qual a minha próxima prova, mas estou inclinado a me inscrever em uma ultra de 50K lá em São Bento do Sapucaí no final de novembro.

Seja qual for, a sensação de estar de volta ao tipo de percurso que eu realmente gosto é muito, muito boa!

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