Ressaca high carb e readaptação

Na medida em que o tempo vai passando, meu corpo se acostuma mais e mais com o estilo low-carb. Comecei, afinal, lá em março – tempo o suficiente para que eu nem me lembre mais de como era viver de outra maneira. Até que o corpo seja forçado a se lembrar, claro.

Esse “imposição”, por assim dizer, aconteceu em uma festa de aniversário. Há duas semanas, minha filha comemorou 4 anos e eu acabei mergulhando em quilos de brigadeiro com a mesma gana de um alcoólatra depois de dar o primeiro gole de whisky. 

A partir daí, confesso que acabei inserindo ao menos uma barrinha de chocolate e ampliando o consumo de carboidratos no cotidiano diário. O resultado? 

Na semana passada, estava lerdo. Lento. Desmotivado. Cansado. 

Isso passou, ainda bem. 

Mas, nos últimos dias, cada pequena “bomba” de carboidrato que como gera uma dor de cabeça quase instantânea. Nada como uma enchaqueca daquelas aterrorizantes que, graças aos céus, nunca tive na vida: apenas um leve (porém irritantemente consistente) incômodo.

Pelo que pesquisei, isso não é exatamente incomum: há centenas de relatos de pessoas que passam por essa sensação de ressaca high carb. E há uma série de “remédios”, muitos deles bem parecidos com a maneira de se tratar ressacas alcóolicas: tomar água, comer (mais proteína e gordura, naturalmente), se exercitar para queimar os carbs extras. 

Mas se esse tipo de incômodo não aparecia antes, quando minha restrição a carboidratos era ainda maior, por que agora? Minha dedução, embora ainda sujeita a testes, é que os benditos brigadeiros relembraram o corpo de como carboidratos são deliciosos. Feito isso, tive que começar tudo de novo – e, como a adaptação ao low-carb inclui mesmo essa fase mais chata com dores de cabeça, tontura etc…. Bom… uma coisa leva à outra.

Tá… mas a readaptação não deveria já ter ocorrido? Pode até ser que sim – só que esse consumo diário de chocolates e coisas do gênero devem estar postergando ou diminuindo o processo como um todo. 

Seja como for, há apenas uma forma de saber: testando. Hora de re-restringir o consumo de carbs da mesma maneira que fazia no começo da dieta, mesmo que por alguns dias apenas. E, claro, hora também de fazer novos exames para ver se o corpo continua bem e com os indicadores positivos que estavam no mês passado. 

  

LCHF: Exames depois de 75 dias

Passados 75 dias depois da adoção da low-carb, decidi fazer uma outra leva de exames para saber como o meu corpo estava lidando com isso. Antes de entrar nos resultados: fisicamente, tudo parece estar perfeito, com disposição em alta, resistência forte, alto poder de concentração etc.

No entanto, a continuidade da dieta pode estar em risco por conta de um dos indicadores. Vamos a todos:


Em geral, quase todos os indicadores melhoraram: Gama-GT, TGO e TGP, três dos principais indicadores de função hepática, caíram substancialmente (45 para 34, 42 para 32 e 54 para 40, respectivamente).

A glicose também caiu (86 para 82) , juntamente com a insulina (3,5 para 3). O colesterol total subiu levemente (177 para 181), sendo que o HDL foi de 53 para 51 e o LDL de 107 para 120. Todos dentro da normalidade, assim como TSH e T4 Livre.

Tudo também está relacionado à perda de peso: nesses últimos 90 dias, como pode ser visto no gráfico abaixo, 6,7kg desapareceram praticamente sem esforço:

  

Tudo estaria perfeito não fosse um dos marcadores: a Ferritina. Esta disparou de 257 (há mais de 1 ano) para 334 (há 45 dias) e, agora, foi para 430. Ainda está dentro da normalidade (que fica entre 17,9 a 464) – mas foi um salto alto demais para ser ignorado.

Há, claro, hipóteses plausíveis – incluindo um excesso de consumo de carne vermelha que pode ter gerado o crescimento na Ferritina aliado à queda de outros indicadores relacionados ao fígado. Via das dúvidas, já vou cortar a carne vermelha do cotidiano e trocar por salmão, atum ou frango. 

E, claro, está na hora de fazer uma ressonância e de ir ao médico para uma leitura mais científica de todos esses resultados. Na pior das hipóteses, talvez seja o caso de, com pesar, abandonar a LCHF . 

A vida deveria ser mais fácil.