El Cruce: Equipamentos obrigatórios e o Bivac

A lista de equipamentos obrigatórios do Cruce é um pouco diferente do que estou habituado. Faz sentido: será a minha primeira prova em etapas, com dois acampamentos nos três dias. 

O ponto positivo é que a prova não é totalmente autosuficiente como a Marathon de Sables: muita coisa (como comida para os três dias) será providenciada pela organização. 

Ainda assim, a lista de equipamentos inclui: 

Itens obrigatórios:

  • Camiseta de prova (fornecida pela organização)
  • Número de competidor e chip (fornecidos pela organização)
  • Mochila de hidratação
  • Casaco impermeável
  • Camiseta de manga longa
  • Polar ou micro polar (que deduzo que seja um GPS tipo Garmin ou Suunto)
  • Gorro
  • Cobertor de sobrevivência
  • Manta de sobrevivência
  • Bivac ou vivisac

Itens recomendados: 

  • Trekking poles
  • Talheres
  • Headlamp
  • Toalha
  • Saco de dormir
  • Colchão inflável (que não pretendo levar)

Não vou mentir que alguns equipamentos ainda são um mistério para mim – como a diferença de cobertor e manta de emergência. Mas, com o tempo, vou decifrando cada um deles. 

Também estava na dúvida quanto ao bivac ou vivisac ou bivouac: não fazia a mais pálida ideia do que seria esse treco. Descobri: uma espécie de saco de dormir ultra portátil e térmico para ser utilizado em casos de emergência na montanha. 

Minha primeira dúvida: como diabos carregarei isso na mochila de hidratação? A segunda: quanto vou gastar com esse treco? 

Ainda bem que as duas respostas foram positivas. 

Fuçando na Web, encontrei um “Emergency Bivvy” da marca SOL. Se é maravilhoso, não sei: mas é minúsculo, como pode ser visto na imagem abaixo, e barato. Comprei diretamente na Amazon e, incluindo impostos e o frete até o Brasil, ele me custou US$ 44. 

Chegou em menos de uma semana! 

Com isso, o primeiro item misterioso já está devidamente adquirido. 

  

  

   
 

El Cruce: Altimetria dos 3 dias de prova

Ainda estamos em novembro mas, a esta altura, já estou contando os dias para o Cruce. Para quem curte montanhas, afinal, o prospecto de uma prova longa atravessando os Andes com direito a acampar sob as estrelas na fronteira do Chile com a Argentina é, no mínimo, delicioso. 

Vamos, então, ao percurso. O mapa ainda não está disponibilizado no site, mas a altimetria está. Ótimo: já é uma chance de eu me familiarizar e cozinhar a ansiedade que já corre solta nas veias. 

Os dados estão abaixo. Agora é olhar para eles e imaginar aquela vista incrível de uma das regiões mais maravilhosas do planeta. 

Etapa 1: 

  • DISTANCIA: 38 KM
  • ALTURA MAXIMA: 1123m
  • ALTURA MINIMAL: 647m
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1599m
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 1738m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 3378m  


Etapa 2:

  • DISTANCIA: 30 KM
  • ALTURA MAXIMA: 1104m 
  • ALTURA MINIMA: 644m 
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1145m 
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 756m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 1901m


Etapa 3:

  • DISTANCIA: 26 KM 
  • ALTURA MAXIMA: 1843m 
  • ALTURA MINIMA: 644m 
  • DESNIVEL ASCENDENTE: 1935 
  • DESNIVEL DESCENDENTE: 2351m
  • DESNIVEL ACUMULADO: 4286m

   

Oi escadas

Preciso treinar mais subidas. Pegar mais fôlego, desenvolver mais capacidade aeróbica, me preparar melhor para os três dias do Cruce e, claro, para as sempre montanhosas trilhas.

Os percursos que faço no cotidiano não bastam: há pouca altimetria na região do Ibira e um eventual Pico do Jaraguá ou rodagem pelo Pacaembu é pouco demais.

A solução? 

Adeus elevadores, oi escadas. Todos os três lances até minha casa e sete até o trabalho.

Improviso é tudo.

  

Cruce……..

De todas as provas que tenho alinhadas no meu futuro próximo, o Cruce é sem dúvidas a quem mais tem me deixado empolgado. 

Só o prospecto de voltar a correr na região dos lagos andinos – uma das mais belas que já vi na vida – cruzando montanhas e passeando por dois países já faz a endorfina arrepiar cada pelo do corpo. 

Ver um vídeo assim, então, é de matar…

Que chegue logo fevereiro!!! 

El Cruce 2014 | Kailash Team Neptunia from Morfina Filmes on Vimeo.

Por que não criamos ultras mais relevantes no Brasil?

Todas as ultras mais desejadas do mundo tem uma característica essencial: um apelo emocionalmente poderosíssimo para os corredores. E esse apelo pode ir por três lados: relevância histórica, dificuldade colossal ou beleza estonteante. Frequentemente, aliás, esses três elementos estão juntos.

Exemplos?

O percurso da Comrades não é exatamente incrível – mas seus mais de 90 anos de história, a força que exerce sobre toda uma nação e as lendas que giram em torno dela a fazem ímpar.

Spartathlon, na Grécia? Junta a dificuldade homérica de se completar 246km em menos de 36 horas – com pontos de corte no mínimo sádicos – com o peso histórico de se estar refazendo o percurso de Filípides.

El Cruce? Precisa falar alguma coisa da sua beleza estonteante? A experiência de cruzar os Andes e beber uma paisagem daquelas por dias está longe – muito longe – de ser considerada corriqueira.

A Marathon de Sables, com quase uma semana para se cruzar 254km no Saara, não é considerada tão difícil quanto outras do gênero por ter postos de corte mais generosos – mas, da mesma forma que o Cruce, permite se testemunhar cenas absolutamente inesquecíveis.

E por aí se vai. TransVulcania, Barkley, Mont Blanc (UTMB)… todas tem um ou mais destes três ingredientes.

Agora olhemos o Brasil.

Das poucas ultras que temos em nosso solo, a única que realmente se destaca é a Jungle Marathon – e que é mais famosa no exterior do que aqui. Mas há tantos locais incríveis no Brasil que, honestamente, não fazer uma ultra neles é jogar fora oportunidades. Exemplos práticos?

Começo com o que nós mesmos fizemos no começo do ano, por conta própria: a Ultra Estrada Real. Refazer o caminho dos mineiros no auge do ciclo do ouro e terminar aos pés da estátua de Tiradentes em Ouro Preto em plena Páscoa, época que toda a região fica deslumbrante, certamente é uma candidata. Dezenas de corredores participaram dessa iniciativa que começou por aqui e que, aparentemente, terá alguma continuidade.

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E outros locais?

Correr no sertão em pleno verão escaldante certamente seria um belo desafio. Aliás, o amigo André Zumzum organiza o Caminhos de Rosa que é justamente isso – com o bônus de acontecer na trilha das histórias do mestre Guimarães Rosa. Não fosse tão longa – ela tem 263km – eu participaria na mesma hora.

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Há outro sertão perfeito: Canudos. Terra de santos, beatos, guerras e de um dos episódios mais marcantes da nossa história, seria um desafio e tanto.

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E Lençóis Maranhenses? Uma prova por suas dunas seria inesquecível e atrairia gente de todo o mundo.

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Chapada Diamantina? Que me conste, há apenas uma maratona por lá – mas há terreno suficiente para se explorar distâncias maiores com pérolas espalhadas por ela.

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Falando em Chapada, há a dos Veadeiros que tem o pitoresco Vale da Lua.

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O Rio de Janeiro também poderia receber uma ultra. A cidade é inegavelmente uma das mais lindas do Brasil e conta com pontos perfeitos como o Pão de Açúcar, o Cristo, a região da Vista Chinesa. Sua cidade irmã, Cape Town, fez uma ultra pela cidade que rapidamente cresceu (Ultra Trail Cape Town).

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Lá no sul há a região das Missões ou a Serra Gaúcha. Locais PERFEITOS para se correr em trilhas animais e memoráveis.

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Isso sem contar com locais de mais difícil acesso como o Monte Roraima, o Jalapão e tantos outros.

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O fato é que vivemos em um país que, embora não esbanje praias como as do Caribe ou montanhas como as dos Alpes, tem belezas inquestionáveis. Também é fato que, senão todos, a grande maioria dos ultramaratonistas vivem para beber cenas marcantes nas trilhas ou ruas do mundo.

Por que, então, as ultras que acontecem por essas bandas cismam em não aproveitar quase nada das nossas belezas naturais?

Tomara que alguém leia esse post e tome alguma providência organizando algo mais parrudo. Uma coisa eu garanto: a minha participação entusiasmada.

Planejamento de ultras

Depois de algumas semanas me organizando, caçando calendários e fazendo todo tipo de conta, é hora de efetivamente estabelecer as minhas próximas metas. E já digo uma coisa: estou absolutamente empolgado com elas!

Daqui até fevereiro tenho pelo menos três provas nas quais já me inscrevi e que, claro, pretendo dominar para riscar itens da minha lista de desejos.

A primeira será logo agora, no final do mês: 50K em Atibaia, parte do circuito da Copa Paulista de Corridas de Montanha. A prova em si não deve ser nada de apavorante, mas quero tirar da mente aquela impressão negativa de passar por percursos “excessivamente selvagens”. Não sei se é ou não o caso de Atibaia – o site não dá nem sequer uma pista sobre nada – mas será excelente para returbinar o corpo.

A segunda já será mais “tensa”: meus primeiros 100K, com direito às trilhas técnicas da Indomit Costa Esmeralda e a uma largada à meia noite. Uma prova de fogo: passando bem por ela, encaro qualquer coisa! E, para falar a verdade, essa é a prova que mais está me deixando de cabelo em pé, meio inseguro. Mas, enfim, só sabemos mesmo quais são os nossos limites depois de nos testarmos.

Finalmente, a terceira e última também está nos meus sonhos faz tempo: o El Cruce, lá nos Andes, paisagem exuberante que tive o prazer de percorrer por conta própria no final do ano passado. E, nesse caso, será a minha primeira corrida em estágios.

Agora é treinar.

Empolgado.

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