El Cruce: checklist de equipamentos

Com o Cruce chegando perto, já era hora de resolver a questão dos equipamentos. Pois bem: munido nas informações (meio confusas) do site e de dicas de alguns amigos, saí às compras ontem e está tudo quaaaaaase pronto. 

Além da mochila de hidratação (a mesma Quechua RaidTrail 10L de sempre), os seguintes itens estão devidamente preparados: 

  

Itens fornecidos pela organização:

  • Camiseta de prova
  • Número de competidor e chip
  • Camiseta manga longa (ou remera)
  • Polar (jaqueta)
  • Mochila resistente à água para os acampamentos

Itens obrigatórios:

  • Mochila de hidratação (não está na foto, mas está conferida)
  • Manta térmica (na foto, número 5)
  • Casaco impermeável (4)
  • Gorro (7)
  • Bivac ou vivisac (3)

Itens recomendados:

  • Isolante térmico (1)
  • Saco de dormir (alugarei junto à organização)
  • Poles (2)
  • Headlamps (6)
  • Luvas para trilhas (8)
  • Toalha
  • Kit com talheres
  • Kit para bolhas (também não está na foto, mas está já preparado)

O que falta, então? Apenas 3 itens: 

  1. kit com talheres
  2. Pilhas AAA para a headlamp

Resolvo ainda esta semana. 

(A propósito, participar dessa prova dá muito mais trabalho do que de qualquer outra que já fiz antes!!!)

Motivação excessiva versus autocontrole pre-prova

Um dos momentos mais curiosos depois de alguma prova grande é a distância colossal que se interpõe entre a motivação e o corpo. 

Voltei da BR com sede de ruas, trilhas e provas. Já no dia seguinte mandei email ao organizador perguntando sobre a inscrição do próximo ano; na sequência, passei mais de uma hora vasculhando a Web em busca de provas de 100K a 100 milhas; e, na segunda, saí para rodar (exagerados) 16K no centro de São Paulo. 

Por outro lado, embora eu realmente não esteja nem de longe tão cansado quanto imaginaria depois de ter rodado 84K, não dá para negar uma certa fadiga nas pernas. Ponto de atenção: dado que o Cruce é em menos de 3 semanas, é ele que deve entrar em foco. 

Pois bem: a planilha, ao menos no restante desta semana, foi parar no lixo. Estou me coordenando pelo puro “feeling”: se acordo dolorido um dia, cancelo a saída; se a dor esmaece no outro, mas o sono é intenso demais pela manhã – outro sinal de cansaço – tento me programar para uma corrida noturna; e assim por diante. 

Até agora, por exemplo, o único treino que fiz foi na própria segunda, feriado em São Paulo. Claro: ainda há o final de semana onde, somando sábado e domingo, devo rodar algo como 45K. Mas, em linhas gerais, o plano é manter a semana ativa e não exagerada, cair o volume na semana que vem (mas aumentando a intensidade) e, na próxima, voltar a subir de leve como se fosse um “esquenta” para o Cruce. 

Domingo será o dia de fazer um “assessment”, de rodar uma espécie de check-up mental. A meta: estar fisicamente preparado, com fadiga apenas marginal e sem nenhuma daquelas dores-fantasma que costumam aparecer em fases de tapering, motivo pelo qual evito, a todo custo, cair de maneira intensa demais o volume. 
De qualquer forma, o nome do treino agora definitivamente mudou. Agora, ele se chama “autocontrole”.
 

Checkpoint: O pico perfeito

Tenho mais duas semanas de treinamento: na terceira embarco para San Martin de Los Andes, de onde largo no El Cruce. Estou convicto de que o problema com uma prova dessas não é a rodagem em si – 100km em 3 dias – ou mesmo a altimetria, esta sim de uma intensidade poderosa. Tampouco o grau técnico das trilhas me deixa tenso: sem querer parecer presunçoso demais, acredito que as duas provas da Indomit que fiz (Bombinhas, há um ano, e Costa Esmeralda, há alguns meses – ambas encharcadas de tanto temporal) tenham deixado o couro mais rijo em relação a isso.

A dificuldade mesmo, acredito, estará em largar por dois dias (o segundo e o terceiro) com o corpo frio e as pernas cansadas. O cronograma da prova inclui, afinal, 40K no primeiro dia, 30 no segundo e 30 no terceiro – uma divisão quase homogênea de dificuldades não fosse esse acúmulo de exaustão. E, se o ideal em treinamento é buscar simular as provas ao máximo, creio ter feito isso bem. 

Na semana do Reveillon, em Niterói, somei pouco menos de 100K em um sobe e desce de montanhas por trilhas diversas sem parar. O calor, elemento que dificilmente encontrarei nos Andes, serviu como pimenta para agregar um pouco mais de dificuldade. 

As duas semanas seguintes até foram mais leves do ponto de vista de volume, mas organizei os treinos de forma a deixá-los consecutivos, fazendo back-to-backs que simulassem a sensação de correr sobre pernas cansadas. Foi diferente e bastante intenso – mas viável. 

Na semana retrasada, 85Kms também comprimidos – desta vez em quatro saídas. Subi o que pude aqui em Sampa, somando algo como 1.000 metros de altimetria acumulada, mantendo um pace mais lento porém controlado. 

E, claro, teve a semana passada: o pico perfeito de um treinamento que, se não foi radicalmente de acordo om o traçado, também passou longe de ser desleixado. Deixei segunda, terça e quarta para descanso total. 

Na quinta, iniciei meus trabalhos de pacer na BR. Entre quinta e sábado de manhã, rodei quase os mesmos 85km da semana anterior – porém em menos dias e com muito, muito mais altimetria: 3 mil metros. Enquanto corria, a sensação que tive foi de absoluta surpresa: não podia imaginar o quão preparado estava. Não senti cansaço algum e, correndo o risco de soar arrogante, acredito que poderia até ter feito a BR inteira em formato solo. 

Os intervalos de descanso, em que outros pacers assumiam, deveriam ter servido para esfriar o corpo – algo que não chegou, de fato a acontecer. Cada largada minha era mais marcada por empolgação do que pode dor, resultado também das paisagens fenomenais da Serra da Mantiqueira. 

E, bom… se consegui fazer tão confortavelmente este último treinão, que de certa forma teve quase a mesma quilometragem que o Cruce em quase o mesmo tempo, embora em formato diferente, praticamente sem trilhas e com altimetria mais baixa, então creio estar preparado. 

Bem preparado, arriscaria dizer. 

Isso também significa que essas próximas duas semanas, a começar por hoje, devem ser mais dedicadas a um tapering leve, um descanso maior ao corpo para que ele fique mais forte. 

De toda forma, entre volume de rodagem, altimetria, tempo e sensação de segurança, devo dizer que estou absolutamente confortável. Mais: esse pico de treinamento talvez tenha sido o mais perfeito de todos até agora. 

Veremos os efeitos práticos em breve.

   
   

Checkpoint: Pico 1

Em tese, essa era a minha semana de pico do treinamento para o Cruce. E, em tese, não fiz feio. 

Transformei os 5 treinos em 4, comprimindo dois deles em um, e gerando duas sessões de back to back perfeitas. 

Na terça e na quarta, fiz um treino de 15 e outro de 20; no sábado e domingo, um de 30 e outro de 20. Alternei percursos, cheguei na boca dos mil metros de ganho altimétrico e, melhor, fechei inteiro, intacto, bem. 

O total acabou sendo de 85km cravados, número que costuma ser abaixo do que faço no preparo para ultras. Mas…. bom… Considerando que beirei os 100 no Rio há poucas semanas e que o formato dessa fase de treino foi bem mais “adequado” ao desafio, tudo está bem. 

E por que “pico 1”? 

Por conta da BR135, claro. Ela já será na semana que vem: viajo na quarta cedo e largo com a equipe na quinta. Nossa meta: fechar os 217km em até 40 horas. Do total, pretendo rodar algo entre 50 e 60km – o que caracterizará um outro longão back to back, claro. 

Só que, para a equipe, não será exatamente um treino – claro. Será uma prova real, concreta, onde meu papel de pacer acaba trazendo toda uma gama de responsabilidades diferentes. Daqui até lá, então, descanso puro. Nada de treino amanhã ou terça. Quarta? Talvez um trotinho leve para aquecer. 

E carga total na quinta e sexta. Que venha essa nova experiência.

  

 
  

Checkpoint: Back2backs e a busca pela seriedade na fase final do treino para o Cruce

Logo depois que postei a desistência de correr ontem, mudei de ideia e fui para a rua.

Saí no final da tarde embalado pela planilha que, claro, mostrava que o Cruce estava logo ali na esquina. 

Para ser bem sincero, meu treinamento para o Cruce está bem desleixado: tenho mantido um volume médio razoável de rodagem e buscado inserir o máximo possível de subidas, claro… Mas parei por aí.

Nem tenho ideia de quando deveria chegar no pico; tapering é algo que verei em cima da hora; e uma mescla de treinos de qualidade com volumetria é ficção científica. Estou apenas saindo para correr, mantendo um pace quase homogêneo mesmo sabendo que isso está longe de ser ideal e mal olhando para a programação que tracei há meses.

Isso sem contar com o inesperado apoio que darei à Zilma na BR como pacer, que acabarei usando como longão máximo daqui a menos de duas semanas. Quanto planejo correr? Algo como 50 a 60k, mais ou menos. “Mais ou menos”, aliás, sendo o conceito que melhor descreve todo o meu planejamento atual.

Já não há mais muito tempo para mudar isso e acrescentar estrutura no treinamento: o Cruce será em menos de dois meses. Mas dá para tentar, que foi o que acabei fazendo nesse final de semana.

Para mim, a principal diferença do Cruce para outras provas às quais estou habituado é que ela se dará em estágios. Serão 40km no primeiro dia, 30 no segundo e 30 no terceiro, todos somando altimetrias pra lá de tensas. 

Com o medo de parecer arrogante, não é o volume que me assusta: já tenho experiência o suficiente – ou pelo menos espero ter – para saber fazer a mente empurrar o corpo. O que preciso trabalhar é o inesperado de largar por dois dos três dias com as pernas mastigadas, castigadas, esmigalhadas. 

Não serei também injusto comigo mesmo: tenho feito back2backs com mais frequência, educando o corpo a correr cansado. Todo o final de ano em Niterói, afinal, foi recheado de corridas morro acima e morro abaixo, emendadas umas nas outras e com o bônus de um calor sobrehumano. 

Ainda assim, não seria agora a hora de parar: esse final de semana acabou repetindo a fórmula de pouco tempo de descanso entre os treinos. Saí para 25K no final da tarde do sábado, emendando com mais 17 na manhã do domingo. Era o mínimo que precisava fazer para fugir do fantasma da preguiça.

Estou agora como deveria estar: com as pernas mastigadas, doloridas, exaustas – mas “satisfeito”. Essa seriedade a mais no treino para o Cruce já estava se fazendo gritantemente necessária.

Só espero que dê tempo para que ela surta o efeito necessário e me garanta o que estou buscando: uma experiência esperacular.

   
 

El Cruce: Mapa e altimetria da etapa 3

Como devem ser a noite e o amanhecer em um acampamento no alto das montanhas andinas, sem luzes urbanas e com aquele silêncio que apenas a natureza consegue proporcionar? 

Essa é a minha principal curiosidade e ansiedade quanto ao Cruce. Não é só o desafio de cruzar a cordilheira, colocando o pé no Chile e voltando para a Argentina: é a curiosidade de sentir a vida no alto das montanhas. De estar em um dos topos do mundo, de respirar o ar puro, de sentir a altitude, de ver o planeta todo esparramado aos meus pés. 

Esta terceira e última etapa terá a primeira metade quase toda pela espinha dorsal das montanhas, provavelmente permitindo cenas memoráveis. Somente depois, lá pelo km 18, é que devemos descer e tomar caminhos mais ou menos planos até a chegada em San Martin de Los Andes. 

No total, serão 30km com 2.094m de subida e 2.530m de descida. 

No acumulado dos 3 dias de Cruce, terei rodado 100km, subido 5.091m e descido 5.229m. Para contextualizar, isso dará pouco mais da metade do Everest (8.848m) e mais que Mont Blanc (4.810m). 

E nem imagino as cenas que estarão gravadas em minha mente. 

Bom… a organização do Cruce ficou de disponibilizar algumas fotos do percurso nas próximas cartas aos corredores. Assim que chegar, posto por aqui. 

  

El Cruce: Mapa e altimetria da etapa 2

Aqui começa um novo território para mim. 
Em tese – bem em tese – rodar 100km em um só dia é “mais fácil” do que quebrado em 3 dias. Não sei se acredito nisso.

Afinal, quando se está no embalo de uma ultra, a mente cessa apenas depois de enxergar a linha de chegada. Dor de verdade vem depois, na manhã seguinte, quando cada milímetro da musculatura começa a bradar contra a via crucis que acabara de ser concluída. Mas o fato é que o corpo reclama depois que se roda 100, 90, 80, 50 ou mesmo menos quilômetros. Basta que o desafio seja intenso e haverá um espaço seguro para inflamação e dor. É aí que entra o desafio de ultras em estágios. 

Quando amanhecer neste segundo dia o corpo já terá acumulado 42km nas montanhas andinas com direito a 1.700 metros de subida e 1.800 de descida. E sabe o que aguarda? 

28km de adrenalina pura com mais 1.264 metros de subida e 815 de descida. 

Nesta etapa nos afastaremos do lago Lácar e entraremos mais a fundo nas montanhas, o que certamente será um presente para os olhos. Aliás, foi precisamente por esta etapa que escohi me inscrever na categoria “amador” (ao invés de “elite”). Apesar de ambas terem tempos relativamente folgados, queria ter a garantia de poder parar para tirar fotos em qualquer um dos pontos que julgar inesquecíveis. 

Há um ponto negativo aqui: a falta de um lago gelado na chegada impedirá o corpo de descansar como deveria. Tudo bem: a esta altura, com 70km acumulados, imagino que o corpo começará a entrar naquele estado de desistência de reclamação. Conto com isso. 
  

El Cruce: O que é fornecido e o que precisamos levar de equipamentos obrigatórios

O site deixa dúvidas: dependendo do idioma, as informações sobre o que devemos levar e o que será fornecido pela organização são inclusive contraditórias. Mas nada que não seja facilmente resolvido: eles mesmos fazem alguns plantões no Facebook onde se pode perguntar o que quiser e ter a resposta na hora. Aliás, a organização do El Cruce, ao menos até agora, é muito perto da perfeição. 

Bom… vamos então a uma atualização de equipamentos obrigatórios:

  • Camiseta de prova: Fornecida pela organização
  • Número de competidor e chip: Fornecidos pela organização
  • Mochila de hidratação: Deve ser levado
  • Casaco impermeável: Deve ser levado
  • Camiseta manga longa (ou remera): Fornecida pela organização
  • Polar (jaqueta): Fornecida pela organização
  • Gorro: Deve ser levado
  • Mochila resistente à água para os acampamentos: Fornecida pela organização
  • Cobertor de sobrevivência: Fornecido pela organização
  • Bivac ou vivisac: Deve ser levado

Por essa lista, me resta apenas o gorro e um casaco impermeável decente. No mais, agora é fazer um checklist dos itens recomendados.