Para considerar seriamente em 2015: Mizuno Uphill Marathon

Por conta de outras metas, acabei essa prova de fora do meu calendário esse ano. No entanto, depois de ouvir alguns relatos de amigos e de ver esse vídeo, bateu uma vontade forte de participar da próxima edição.

Quem sabe?

Navigation 101: Intermediate Navigation – Beyond the Basics by Mountain Run

Segundo artigo do Ian – agora com técnicas menos básicas. Também vale a leitura!

iancorless.com - Photography, Writing, Talk Ultra Podcast

Mountain Run

This is a second article in a trio of interviews with Ian Corless, about Navigation for Ultra Runners & more. Read article one HERE

all content ©mountainrun

In the first interview we covered the Basics of Navigation, this encompassed maps, compasses, setting your map & how to set a bearing.

The second interview was moving into intermediate navigation & it consisted of the following information & techniques:

  1. Declination/Magnetic Variation
  2. Grid Numbers/Plotting a Grid Reference
  3. Back Bearings
  4. Re-Orienting/Re-locating
  5. Thumbing the Map
  6. Hand-railing
  7. Catching Features
  8. Aiming Off

So lets start with:

1) Magnetic Declination or Magnetic Variation: 

There are 3 points at which north is seen. 1) True North, 2) Grid North & 3) Magnetic North. We are concerned with Grid North & Magnetic North.

Grid North is what is detailed on a map, its where the North/South grid lines show us the direction of north, according to the grid lines printed on the…

Ver o post original 2.620 mais palavras

Plano Estrada Real: Opção de Rota 1 (Caminho Velho)

Contas feitas, mapas desenhados, opções sobre a mesa.

Dentre todos os caminhos que a Estrada Real oferece, separei três trechos que parecem bem interessantes:

  1. De Ouro Preto a Lobo Leite, primeiro trecho do Caminho Velho.
  2. De Ouro Preto a Santa Bárbara, pelo Caminho dos Diamantes
  3. De Cocais a Sabará, pelo Caminho de Sabarabuçu

Comecemos, hoje, pela primeira das opções: Caminho Velho.

De cabo a rabo, o Caminho Velho tem 710km e liga Ouro Preto a Paraty. É óbvio que não pretendo fazê-lo inteiro – e então escolhi o trecho que se inicia na antiga capital mineira. Além de uma paisagem mais diferente pelas montanhas de Minas, há dois elementos importantes a se considerar: a maior quantidade de pequenas cidades, que servem de pontos de apoio, e uma maior segurança uma vez que os arredores de Paraty são notadamente mais “tensos”, para se dizer o mínimo.

Pois bem: o percurso inteiro vai de Ouro Preto à cidade de Lobo Leite, totalizando algo na casa dos 80km. Nesse percurso, há ainda algumas pequenas cidades a distâncias perfeitas para servirem de postos de apoio, como:

  • Ouro Preto > São Bartolomeu (K11)
  • São Bartolomeu > Glaura (K28, somando 17km trecho)
  • Glaura > Cachoeira do Campo (K35, somando 7km de trecho)
  • Cachoeira do Campo > Santo Antônio do Leite (K43, somando 8km de trecho)
  • Santo Antônio do Leite > Miguel Burnier (K63, somando 20km de trecho)
  • Miguel Burnier > Lobo Leite (K79, somando 16km de trecho)

O percurso inteiro não parece ser tecnicamente tão tenso: o trecho mais difícil é o primeiro, que tem inclinações médias de 7%. A partir daí, todos os demais são praticamente planos.

Há, no entanto, diversos atrativos, como:

  • Caminhos que mesclam trilhas fechadas, um pouco de asfalto e estrada de terra
  • Povoados antigos da região do Ouro e em excelente estado de conservação
  • Paisagens incríveis da região de Minas, incluindo uma finalização justamente na transição de vegetação de Campos para o Cerrado

Estou colocando os perfis altimétricos abaixo, juntamente com algumas fotos especificamente dessa parte do caminho.

Screen Shot 2014-10-27 at 1.34.35 PM Screen Shot 2014-10-27 at 1.34.53 PM Screen Shot 2014-10-27 at 1.35.07 PM

Seguem também links para download de outros materiais referentes ao trecho:

Mapa1_OuroPreto-Glaura

Mapa2_Glaura-SantoAntonioDoLeite

Mapa3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite

Planilha1_OuroPreto-Glaura

Planilha2_Glaura-SantoAntonioDoLeite

Planilha3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite

E, claro, as fotos abaixo. Amanhã posto a segunda opção de trecho!

1dc14cdb16ef97cac9735ad33a19cebe 4d380db8d8b69d3e7ff7975dfc83151e 7b40e3545d0af23f4137034d97273f1b 8d89fbb4ca1165ce9f49c71ea78c0311 8dde7ba57ef28cee979ce5cbed1cf8f8 82c28c04f180ae208d3f720970c72bd5 209afa509f02dc8dfdb03c4b065c265a 7997e86c5c5e5e8a3234565af5e19f00 a562eb3a8c2aedf3652833f9c0384527 a82329754de98cbcb049b2272fe9208c aac41d1c8f7f6b06f3cadd2756c7f680 c2162ba4b0797230c6c8de37db910ef2 cbc6491318e5dafca161fb393c14ea14 e7ff701ab275721d633988f256b47e16 e78430e598d99535ceaaae63040e9841 e318397a82d42fc425800711eedc593f

Planilha3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite.

Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.

Sky Running, por Emelie Forsberg

Um dos maiores ícones das corridas em montanha é Emelie Forsberg, uma sueca de 27 anos que colecionou títulos que vão do recorde feminino na Ultra Trail de Mont Blanc até o diversos campeonatos de ultra sky racing.

Mas, diferentemente de muitos esportes, esse tem um tipo de conexão diferente entre o meio e o atleta – algo que inclui um tipo de simbiose absolutamente impressionante. Basta ver a Emelie (ou a sua “versão masculina”, Kilian Jornet) falarem sobre o ato de correr em montanhas.

Recentemente, a CNN fez uma matéria curta sobre ela que vale a pena conferir. Veja abaixo:

http://edition.cnn.com/video/api/embed.html#/video/sports/2014/10/08/spc-human-hero-emelie-forsberg.cnn

Douro Ultra Trail: missão cumprida!

Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!

Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.

A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.

Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.

Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.

Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.

O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.

Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.

Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.

Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.

Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.

Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.

E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.

Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.

Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.

E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.

IMG_5385.JPG

IMG_5386.JPG

IMG_5387.JPG

IMG_5384.JPG

IMG_5391.JPG

IMG_5389.JPG

IMG_5388.JPG

IMG_5390.JPG

IMG_5394.JPG

IMG_5393.JPG

IMG_5392.JPG

IMG_5395.JPG

IMG_5396.JPG

IMG_5397.JPG

IMG_5399.JPG

IMG_5398.JPG

IMG_5400.JPG

IMG_5403.JPG

IMG_5402.JPG

IMG_5401.JPG

IMG_5410.PNG

IMG_5423.JPG

IMG_5424.JPG

Checkpoint 12: Parada final

12 semanas. 84 dias. 63 corridas em distâncias que foram de 6 a 46km em uma transição de ruas para montanhas que incluíram um aprendizado incrível, tanto para a vida normal quanto para a de corredor.

Parece besteira, mas a passagem do asfalto para as trilhas ensina a conviver com variáveis incontroláveis; a deixar o cálculo um pouco de lado e a pensar no caminho; a considerar que uma jornada não é só uma linha entre ponto A e ponto B, mas todo um contexto tridimensional em que terreno, altimetria, clima, e foco mental se somam em uma experiência única.  

Há coisas que ficam conosco para sempre: esses três últimos meses incluem isso. Ou melhor: todo esse ano que, somando longões em treinos, já somou algo na casa de 6 maratonas e ultras, foi incrível. E isso porque estamos apenas em setembro. 

Ainda é cedo para comemorar: para fechar essa jornada, há ainda 80km pelas montanhas do Douro, cortando a Serra do Marão e passando por aldeias medievais, bebendo a paisagem das vinículas em plena época de cultivo e varrendo, com olhos e pernas, a região demarcada mais antiga do mundo. 

De toda forma, já com a linha de chegada em vista, este é o último checkpoint.

Fechado com um trote leve de 45 minutos sob uma chuva bíblica pelas ruas estreitas de Ílhavo, pequena cidade próxima ao Porto.

Agora é entrar na semana que vem apenas esquentando os músculos para o próximo sábado. 

Screen Shot 2014-09-07 at 5.10.42 AM 

Único brasileiro na Douro Ultra Trail

É… aparentemente, a DUT não é a prova mais famosa aqui por essas bandas! Tudo bem: na prática, ela está apenas em sua segunda edição, sendo que a primeira teve um percurso diferente (e mais curto).

Peguei as infos abaixo do site deles:

  • Minitrail de 15km: 223 inscritos (222 portugueses e 1 espanhol)
  • Trail de 44Km: 196 inscritos (190 portugueses, 4 espanhóis, 1 belga e 1 italiano). Há uma observação importante aqui: originalmente, o percurso do trail era de 40km, tendo sido ampliado por questões logísticas. Alguns inscritos manifestaram nas redes a intenção de abandonar a prova, o que significa que esse número deve cair um pouco.
  • Ultratrail de 80km: 109 inscritos (107 portugueses, 1 belga e 1 brasileiro – eu)

No total, portanto, há 528 inscritos – o que faz da DUT uma prova de tamanho respeitável principalmente dado o seu tempo de vida. Pena só ter eu de brasileiro lá – mas tenho certeza que os irmãos do além-mar me receberão bem :-)

Douro Ultra Trail

Semana de pico, longão 2: o inesperado

O prospecto de levantar às 5 para fazer mais um percurso de 2h30, verdade seja dita, não era dos melhores. 

Acordei brigando com o despertador e sentindo um pouco as pernas – provavelmente mais pelo que estava por vir do que pelo que passou. 

Ainda assim, não se completa ultras trocando as ruas pela cama. Saí. 

Ainda noite, o ar de Sampa estava frio, meio cortante e com aquele tipo de eletricidade esquisita no ar indicando que o dia seria inesperado. De alguma forma.

A corrida em si não foi. Ela cansou mais a cada volta pelo Ibira, ao ponto de eu chegar a me questionar sobre cortar 30 ou 40 minutos. Não cedi: em momentos assim, aprendi que o melhor a fazer é me fechar em mim mesmo e buscar pensamentos mais intensos na cabeça, focando-me neles ao invés de nos quilômetros por vir. 

Funcionou até o final, inclusive na subida da Ministro.

Quando cheguei de volta na portaria do prédio, estava exausto: as dores pelo corpo pareciam subir lenta e decididamente, em forma de minúsculas pulsações elétricas, pelas pernas.

Como farei as 5 horas do sábado? Esse foi o meu último pensamento antes de entrar em casa.

Aí aconteceu o inesperado: o silêncio. 

Passava um pouco das 8 e minha mulher havia levado minha filha na escola. A partir daí, ela seguiria para o dia dela, tão intenso quanto o de qualquer um que vive aqui na urbe. 

A minha primeira reunião, no entanto, seria apenas às 10. 

A casa estava vazia e em um silêncio absolutamente estranho para qualquer um (que tem filho). E por pelo menos uma hora e meia ela ficaria assim. 

Hora, então, de respirar fundo e desacelerar. 

Fiz café, sanduiche, omelete com curry e tanto tempero que faria a Companhia das Índias pasmar de inveja. Acendi um incenso mais exótico chamado Frankencense e deixei a casa ser tomada pelo cheiro.

Nada de TV com notícias: busquei um playlist chamado “Your Favorite Coffeehouse” no Spotify e deixei ele tocar lentamente, levemente. A cada gole de café. A cada inspirada incensada. 

Sentei. Respirei. 

Não dá para dizer que uma mágica súbita aconteceu e levou embora todas as dores musculares. Elas ainda estão aqui, muito embora bem mais relaxadas. Até o final de amanhã devem passar. 

Neste instante, escrevo este post ainda imerso em um clima absolutamente zen e imune a qualquer tipo de estresse, barulho, ou interrupções – incluindo as que mais amo na vida, diga-se de passagem. É que um pouco de pausa, às vezes, faz bem. 

Quando acordei hoje, brigando com a planilha e o tênis que me olhava torto, imaginei que teria um dia cheio de tumulto, cansaço, demandas alheias e próprias. E provavelmente ainda terei, dado que a minha primeira reunião começa apenas em alguns minutos.

Mas só essa hora e meia de calmaria entoada por temperos, café quente e aromas exóticos já foi absolutamente – e inesperadamente – perfeita. Essa hora e meia, por si só, já valeu o dia. 

coffee-cool-cup-fantastic-life-Favim.com-276736

Summits of My Life, com Kilian Jornet

Desde que comecei a percorrer distâncias mais longas, passei também a buscar filmes e conteúdos em geral sobre esse esporte que, na prática, considero uma espécie de união entre corrida e algo zen como o Yoga.

E há diversos espalhados pela Web para basicamente todos os gostos: documentários sobre o Grand Slam de corridas no deserto, sobre Western States, sobre Bad Water e assim por diante.

Um deles, no entanto, me chamou a atenção: uma série protagonizada pelo Kilian Jornet que, ao invés de corridas oficiais, fala sobre o ato de correrem algumas das mais incríveis montanhas do mundo. O primeiro filme da série já está no ar e disponível no Youtube. Vale conferir: