Por conta de outras metas, acabei essa prova de fora do meu calendário esse ano. No entanto, depois de ouvir alguns relatos de amigos e de ver esse vídeo, bateu uma vontade forte de participar da próxima edição.
Quem sabe?
Por conta de outras metas, acabei essa prova de fora do meu calendário esse ano. No entanto, depois de ouvir alguns relatos de amigos e de ver esse vídeo, bateu uma vontade forte de participar da próxima edição.
Quem sabe?
Segundo artigo do Ian – agora com técnicas menos básicas. Também vale a leitura!
This is a second article in a trio of interviews with Ian Corless, about Navigation for Ultra Runners & more. Read article one HERE
all content ©mountainrun
In the first interview we covered the Basics of Navigation, this encompassed maps, compasses, setting your map & how to set a bearing.
The second interview was moving into intermediate navigation & it consisted of the following information & techniques:
So lets start with:
1) Magnetic Declination or Magnetic Variation:
There are 3 points at which north is seen. 1) True North, 2) Grid North & 3) Magnetic North. We are concerned with Grid North & Magnetic North.
Grid North is what is detailed on a map, its where the North/South grid lines show us the direction of north, according to the grid lines printed on the…
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Contas feitas, mapas desenhados, opções sobre a mesa.
Dentre todos os caminhos que a Estrada Real oferece, separei três trechos que parecem bem interessantes:
Comecemos, hoje, pela primeira das opções: Caminho Velho.
De cabo a rabo, o Caminho Velho tem 710km e liga Ouro Preto a Paraty. É óbvio que não pretendo fazê-lo inteiro – e então escolhi o trecho que se inicia na antiga capital mineira. Além de uma paisagem mais diferente pelas montanhas de Minas, há dois elementos importantes a se considerar: a maior quantidade de pequenas cidades, que servem de pontos de apoio, e uma maior segurança uma vez que os arredores de Paraty são notadamente mais “tensos”, para se dizer o mínimo.
Pois bem: o percurso inteiro vai de Ouro Preto à cidade de Lobo Leite, totalizando algo na casa dos 80km. Nesse percurso, há ainda algumas pequenas cidades a distâncias perfeitas para servirem de postos de apoio, como:
O percurso inteiro não parece ser tecnicamente tão tenso: o trecho mais difícil é o primeiro, que tem inclinações médias de 7%. A partir daí, todos os demais são praticamente planos.
Há, no entanto, diversos atrativos, como:
Estou colocando os perfis altimétricos abaixo, juntamente com algumas fotos especificamente dessa parte do caminho.
Seguem também links para download de outros materiais referentes ao trecho:
Mapa2_Glaura-SantoAntonioDoLeite
Mapa3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite
Planilha2_Glaura-SantoAntonioDoLeite
Planilha3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite
E, claro, as fotos abaixo. Amanhã posto a segunda opção de trecho!
Planilha3_SantoAntonioDoLeite-LoboLeite.
Atualização de 13/11/2014: Percurso e informações gerais estão já plenamente organizados em uma página única: www.rumoastrilhas.com/ultraestradareal . Para saber mais e se inscrever, clique aqui.
Um dos maiores ícones das corridas em montanha é Emelie Forsberg, uma sueca de 27 anos que colecionou títulos que vão do recorde feminino na Ultra Trail de Mont Blanc até o diversos campeonatos de ultra sky racing.
Mas, diferentemente de muitos esportes, esse tem um tipo de conexão diferente entre o meio e o atleta – algo que inclui um tipo de simbiose absolutamente impressionante. Basta ver a Emelie (ou a sua “versão masculina”, Kilian Jornet) falarem sobre o ato de correr em montanhas.
Recentemente, a CNN fez uma matéria curta sobre ela que vale a pena conferir. Veja abaixo:
Curta sobre a Squamish 50/50, lá no Canadá. Não está na minha lista suprema de desejos, é verdade – mas que é inspiradora, certamente é.
Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!
Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.
A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.
Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.
Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.
Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.
O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.
Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.
Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.
Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.
Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.
Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.
E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.
Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.
Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.
E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.
12 semanas. 84 dias. 63 corridas em distâncias que foram de 6 a 46km em uma transição de ruas para montanhas que incluíram um aprendizado incrível, tanto para a vida normal quanto para a de corredor.
Parece besteira, mas a passagem do asfalto para as trilhas ensina a conviver com variáveis incontroláveis; a deixar o cálculo um pouco de lado e a pensar no caminho; a considerar que uma jornada não é só uma linha entre ponto A e ponto B, mas todo um contexto tridimensional em que terreno, altimetria, clima, e foco mental se somam em uma experiência única.
Há coisas que ficam conosco para sempre: esses três últimos meses incluem isso. Ou melhor: todo esse ano que, somando longões em treinos, já somou algo na casa de 6 maratonas e ultras, foi incrível. E isso porque estamos apenas em setembro.
Ainda é cedo para comemorar: para fechar essa jornada, há ainda 80km pelas montanhas do Douro, cortando a Serra do Marão e passando por aldeias medievais, bebendo a paisagem das vinículas em plena época de cultivo e varrendo, com olhos e pernas, a região demarcada mais antiga do mundo.
De toda forma, já com a linha de chegada em vista, este é o último checkpoint.
Fechado com um trote leve de 45 minutos sob uma chuva bíblica pelas ruas estreitas de Ílhavo, pequena cidade próxima ao Porto.
Agora é entrar na semana que vem apenas esquentando os músculos para o próximo sábado.
É… aparentemente, a DUT não é a prova mais famosa aqui por essas bandas! Tudo bem: na prática, ela está apenas em sua segunda edição, sendo que a primeira teve um percurso diferente (e mais curto).
Peguei as infos abaixo do site deles:
No total, portanto, há 528 inscritos – o que faz da DUT uma prova de tamanho respeitável principalmente dado o seu tempo de vida. Pena só ter eu de brasileiro lá – mas tenho certeza que os irmãos do além-mar me receberão bem :-)
O prospecto de levantar às 5 para fazer mais um percurso de 2h30, verdade seja dita, não era dos melhores.
Acordei brigando com o despertador e sentindo um pouco as pernas – provavelmente mais pelo que estava por vir do que pelo que passou.
Ainda assim, não se completa ultras trocando as ruas pela cama. Saí.
Ainda noite, o ar de Sampa estava frio, meio cortante e com aquele tipo de eletricidade esquisita no ar indicando que o dia seria inesperado. De alguma forma.
A corrida em si não foi. Ela cansou mais a cada volta pelo Ibira, ao ponto de eu chegar a me questionar sobre cortar 30 ou 40 minutos. Não cedi: em momentos assim, aprendi que o melhor a fazer é me fechar em mim mesmo e buscar pensamentos mais intensos na cabeça, focando-me neles ao invés de nos quilômetros por vir.
Funcionou até o final, inclusive na subida da Ministro.
Quando cheguei de volta na portaria do prédio, estava exausto: as dores pelo corpo pareciam subir lenta e decididamente, em forma de minúsculas pulsações elétricas, pelas pernas.
Como farei as 5 horas do sábado? Esse foi o meu último pensamento antes de entrar em casa.
Aí aconteceu o inesperado: o silêncio.
Passava um pouco das 8 e minha mulher havia levado minha filha na escola. A partir daí, ela seguiria para o dia dela, tão intenso quanto o de qualquer um que vive aqui na urbe.
A minha primeira reunião, no entanto, seria apenas às 10.
A casa estava vazia e em um silêncio absolutamente estranho para qualquer um (que tem filho). E por pelo menos uma hora e meia ela ficaria assim.
Hora, então, de respirar fundo e desacelerar.
Fiz café, sanduiche, omelete com curry e tanto tempero que faria a Companhia das Índias pasmar de inveja. Acendi um incenso mais exótico chamado Frankencense e deixei a casa ser tomada pelo cheiro.
Nada de TV com notícias: busquei um playlist chamado “Your Favorite Coffeehouse” no Spotify e deixei ele tocar lentamente, levemente. A cada gole de café. A cada inspirada incensada.
Sentei. Respirei.
Não dá para dizer que uma mágica súbita aconteceu e levou embora todas as dores musculares. Elas ainda estão aqui, muito embora bem mais relaxadas. Até o final de amanhã devem passar.
Neste instante, escrevo este post ainda imerso em um clima absolutamente zen e imune a qualquer tipo de estresse, barulho, ou interrupções – incluindo as que mais amo na vida, diga-se de passagem. É que um pouco de pausa, às vezes, faz bem.
Quando acordei hoje, brigando com a planilha e o tênis que me olhava torto, imaginei que teria um dia cheio de tumulto, cansaço, demandas alheias e próprias. E provavelmente ainda terei, dado que a minha primeira reunião começa apenas em alguns minutos.
Mas só essa hora e meia de calmaria entoada por temperos, café quente e aromas exóticos já foi absolutamente – e inesperadamente – perfeita. Essa hora e meia, por si só, já valeu o dia.
Desde que comecei a percorrer distâncias mais longas, passei também a buscar filmes e conteúdos em geral sobre esse esporte que, na prática, considero uma espécie de união entre corrida e algo zen como o Yoga.
E há diversos espalhados pela Web para basicamente todos os gostos: documentários sobre o Grand Slam de corridas no deserto, sobre Western States, sobre Bad Water e assim por diante.
Um deles, no entanto, me chamou a atenção: uma série protagonizada pelo Kilian Jornet que, ao invés de corridas oficiais, fala sobre o ato de correrem algumas das mais incríveis montanhas do mundo. O primeiro filme da série já está no ar e disponível no Youtube. Vale conferir: