Dores acumuladas ao fim do ciclo

Confesso que, quando iniciei esse modelo de treino com 3 semanas intensas e uma de descanso, não sabia que havia tanta lógica por trás da sua concepção. Imaginei que fosse um estilo de treinamento como outros quaisquer. Errei. 

No ciclo anterior, tive dificuldades em preencher as 3 semanas intensas: na do meio, acabei cedendo e deixando o volume cair um pouco para voltar a crescê-lo apenas na terceira. 

Descansei na quarta e comecei tudo de novo. Neste último ciclo fiz tudo quase à perfeição, batendo 107, 100 e 105km. Como da última vez, a mais difícil foi a segunda semana – mas ela foi superada. 

Uma descoberta curiosa: correr 15 ou 20km depois do longão do sábado passou a ser não apenas possível, como uma espécie de remédio muscular. Sim: por mais insano que pareça, os domingos pós-maratona tem sido os treinos mais rápidos, leves e analgésicos que tenho feito. 

Mas o mais curioso é o conjunto de dor que tomou conta do meu corpo ontem à noite, depois que esfriei o corpo. A ciática emanou uma dor tão lascinante que imaginei que alguém estivesse sadicamente pinçando o nervo. Depois que me recompus, caí em mim que o corpo todo doía mais do que imaginava. Nada de assimétrico ou indicativo de lesão: apenas um tipo de dor acumulada que não havia sentido há muito tempo. 

Foi quando caí em mim que todo o acúmulo veio justamente na semana de descanso. Perfeito: dará para que o corpo se recomponha bem antes que o terceiro ciclo comece. 

Enquanto isso, já estou sentindo claros os efeitos do treino: minha resistência está cada vez maior e a musculatura muito mais forte do que quando comecei. Até agora, só os pontos positivos se somam na avaliação geral que faço desse modelo. 

Vídeo: İznik Ultra 2015 – Race Video

Essa está na minha lista de desejos.

Afinal, não é justamente a possibilidade de desbravar lugares exóticos e testemunhar outros mundos e culturas que nos empurra para esse mundo das ultras? 

Iznik, a 2 horas da mágica Istanbul, mistura os climas otomano, muçulmano, cosmopolita, provinciano e, sobretudo, aventuresco. Tudo em uma só corrida. 

Um dia estarei lá. 

4 de junho de 2017

Ainda não tenho ideia de como será o ano que vem. Para falar a verdade, tem sido difícil prever a semana que vem nesses dias tão turbulentos! 

Mas há coisas que não mudam há eras, que são certezas com as quais sempre podemos contar e que, portanto, nos dão um certo sossego, uma certa segurança.

Uma dessas coisas é a Comrades, em sua edição de número 92. Quando? 

Em 4 de junho de 2017. 

Não sei se estarei lá – mas ela estará. E, no que depender da minha vontade, nos encontraremos mais uma vez. 

Regenerativos ilogicamente efetivos

Por definição, treinos regenerativos são curtos e leves, tendo um efeito analgésico no corpo depois de treinos mais intensos. Pela lógica, eles não fazem sentido: como, afinal, aplicar qualquer tipo de esforço ao corpo cansado pode fazê-lo descansar? 

O problema é que funciona. 

No meu caso, ainda, costuma fazer algo ainda mais ilógico – como rodar 15km no domingo depois de correr uma maratona no sábado. Sob qualquer parâmetro, 15K dificilmente se enquadram no que se pode chamar de “regenerativo”. Eu sei. 

Mas repito: funciona. 

Funcionou. 

Quando cheguei de volta no sábado estava tão mastigado que até o tornozelo inchou. O ato de locomoção, durante todo o sábado, foi desafiador. No domingo, acordei mais ou menos do mesmo jeito. 

E aí decidi dar uma volta no Ibirapuera. 

O incômodo todo evaporou no segundo quilômetro. A partir daí estava novo. E mais: no km 10 já estava querendo mais, curtindo mais os metros pela frente do que os que estavam ficando para trás. 

Quando cheguei em casa de volta estava pronto para encarar não apenas a semana que começaria a partir dali, mas todo um novo prospecto de treinos pesados. Dá para entender?

Não. Há uma lógica torta com regenerativos: eles não fazem sentido algum, mas funcionam.

Efeito placebo? Pode ser. Mas faz alguma diferença? 

Checkpoint: Indo

Na série anterior, acabei não conseguindo fazer três semanas intensas seguidas: fiquei tão cansado depois da primeira que precisei baixar o ritmo inteiro no meio do plano para depois retomar. 

Minha meta nesse ciclo era conseguir – e com o detalhe de ter mais volume programado. 

Estou na segunda semana e, apesar de uma leve baixa em relação à semana passada, dá para considerar que consegui resultados melhores. No total, fiz 107K na emana passada e 100K nesta, ambas com uma maratona em cada sábado. 

Não vou mentir: minha tarde de ontem foi bem dolorida – mas bastou 15K hoje de manhã e fiquei como novo, inteiro, com a musculatura solta. 

Semana que vem é a terceira e última desse ciclo com 5 sessões programadas incluindo uma meia na terça e outra maratona no sábado. Que bons ventos me levem até esta linha de chegada!

Tenho andado sumido

É, tenho. Há motivos – sempre há.

Correr, nessas últimas semanas, se transformou em uma espécie de momento religioso para mim, algo quase catártico dado o momento de vida.

Tudo está acontecendo. Toco duas empresas no cotidiano – uma agência de comunicação e uma editora online. Não tenho do que reclamar de nenhuma delas mas, como para todo empresário brasileiro, atravessar esse mar de incertezas gerado pela crise política, social e moral brasileira, tem demandado uma energia colossal. A cada instante, planos novos, projetos súbitos brotam da ansiedade de tentar deduzir se ainda teremos um país para trabalhar na semana seguinte. Incerteza é o pior dos inimigos da calma.

Some-se a isso o fato de eu estar finalizando uma obra para me mudar de apartamento no final do mês. Mais malabarismos.

Talvez soe como uma espécie de auto-tortura considerar que estou ainda beirando a fase de pico para o Caminhos de Rosa, rodando 100, 110km semanais. Mas não é.

É o oposto.

Em uma daquelas metáforas piegas de tão óbvias, pode ser que esteja mesmo é correndo dos problemas. Pode ser – mas o fato de sempre retornar a eles ao cabo de algumas horas com a cabeça mais fresca e o peito mais oxigenado não deixa de ser um bom sinal.

Essas 11 horas que passo entre ruas e trilhas são responsáveis, em verdade, pelas outras 157 horas divididas entre muito trabalho e pouquíssimo sono.

A acidez das mudanças é tamanha, no entanto, que sobra pouco espaço para uma descompressão mais suave, feita de palavras sendo marteladas aqui no blog. É desligar o relógio e pronto: sou imediatamente catapultado para dentro do celular, nova casa de todos os problemas que carecem de soluções imediatas.

Mal subo o elevador e, ainda suado, estou já imerso no trabalho.

Sim, ando sumido – e isso não está me fazendo bem. Espero que alguma normalidade volte a aparecer por essas bandas: definitivamente não é normal sentir, já em junho, aquele cansaço mental típico de dezembro.

O ano precisa correr mais rápido que nós.

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Checkpoint: Sentindo o efeito

Há semanas em que sentimos na pele o efeito do treinamento. 

Nesta, comecei com uma meia na terça, emendei 11k na quarta com 15 na quinta e rodei uma maratona ontem e uma quase meia hoje. No total, 107km.

Mas o mais interessante foi que acabei relativamente inteiro, tendo fechado o domingo – um dia depois da maratona – com o melhor pace de toda a semana.

Isso sem contar uma altimetria acumulada bem boa e o fato de eu ter entrado, finalmente, no Parque da Cantareira.

Perfeito.

Vamos ver se isso tudo se segura na semana que vem: em tese, afinal, há mais duas de pedreira pura pela frente antes de um novo “descanso”!