Correr não é sofrer

Para quê?” costuma ser a primeira frase que qualquer corredor – principalmente quem curte ultras – ouve de não corredores. O raciocínio que a embasa é simples: “correr é sofrer”. Ou seja: se para manter um estilo de vida saudável a la comercial de margarina basta fazer uns 5km de vez em quando, para quê sair por horas a fio, cruzando a cidade e atravessando montanhas? 

Uma coisa posso afirmar: certamente não é por saúde. Correr ultras pode ser tudo, afinal – menos saudável. Claro: continua sendo melhor do que viver em um regime de engorda a base de feijoada e pão – mas isso não significa que seja um estilo de vida “cientificamente eficaz”, por assim dizer. 

Em ultras se maltrata as articulações, se exagera no uso dos rins, se testa a capacidade do estômago, se abusa do poder de concentração da mente. E quer saber? Basta ir a uma prova qualquer que rapidamente se verifica um excesso de corredores acima do peso, fruto daquela indulgência turbinada pós longões que praticamente elimina o auto-controle corporal na mesma velocidade em que pizzas e bolos são deglutidos garganta adentro.

Bom… se não é por saúde, então, por que correr tanto? 

O difícil de dar esta resposta é porque ela não cabe, ao menos não com perfeição, em palavras. Mas é só olhar uma foto como essa, abaixo, e entender que ela vai além do cenário e inclui estado de espírito, de “completude”, de oxigênio, de vida. Corre-se tanto para poder testemunhar e sentir esse tipo de coisa. 

5 vezes por semana. 

   


Checkpoint: Voltando às raízes

Talvez o título do post não esteja exatamente correto: quando comecei a correr, o fiz para perder peso, ganhar saúde e permanecer vivo. Simples assim. 

Mas, em um determinado ponto, provavelmente como todo corredor, comecei a perceber que correr nos dá a bênção de testemunhar todo um mundo à nossa volta, de desbravar os lugares mais afastados e descobrir os mais próximos. Essa descoberta pode não ter sido o que me fez levantar cedo nos primeiros dias, mais de 12 mil quilômetros e 3 anos atrás – mas certamente foi o que me fe começar a me divertir. 

Essa semana foi sobre isso. 

Refazendo planilhas para ajustar corpo a teoria, com a próxima prova ainda distante no calendário, mergulhei em audiobooks e em cenários diferentes com um poder de concentração que há tempos não me visitava. 

Na terça e quarta corri ao som de V. S. Naipaul, ouvindo história atrás de história passada na África colonial e decisivamente quebrando qualquer forma de barreira de tempo e espaço.

No feriado de 9 de julho corri pelo centro velho – sempre um prazer inenarrável pelo mundo de contrastes que oferece – e terminei quase no meio de um desfile militar para comemorar uma revolução que, verdade seja dita, nunca aconteceu de fato. 

Ontem voltei ao centro e o fiz de cabo a rabo, passando pela região da bolsa, pelos prédios de um passado glorioso que não mais existe, pelo marco zero nos tempos dos jesuítas, pela Pinacoteca, pelo pedaço do Japão no Parque da Luz. Foi uma das melhores corridas que já tive na vida tamanhas as possibilidades de me perder pelos pensamentos escondidos nos olhares e tijolos com os quais me defrontava. 

E hoje… bom…. hoje, um dia de sol e céu azul descendo com um manto de manhã sobre uma rua molhada, posso dizer que cheguei ao limite do que meu corpo estava preparado. Nem cheguei a completar a volta ao Ibirapuera: voltei antes, temendo as dores que pareciam insistir e castigar as pernas e ameaçar algo mais sério. E, apesar de ter acumulado uma quilometragem baixa perto do que estou habituado – pouco a mais de 70km – voltei bem. 

Voltei com aquela sensação de redescoberta, de saudade da rua e das trilhas, de ímpeto de traçar novos planos para os próximos longões. E me reconfortando também com o fato de que, afinal, estava ainda voltando à forma depois de duas ultras fortes em menos de 30 dias. 

Até por tudo isso, foi uma surpresa me deparar com o gráfico abaixo, mostrando que fiz minha melhor meta de pace semanal desde o começo do ano. Se divertir faz milagres.

   
 

Salve a tecnologia!

Os puristas que me perdoem, mas correr é muito, muito mais intenso por conta da tecnologia.

E não digo isso por conta de Garmins ou Stravas – embora eles também tenham seus imensos méritos. Digo isso por conta dos iPhones, iPods, Androids e demais devices sonoros.

Uma coisa é sair de casa às 5:30 da manhã em pleno inverno, atravessando a cidade escura e solitária sem saber sequer se o céu trará raios de sol ou gostas de chuva nos próximos minutos; outra é rodar por mundos paralelos enquanto se corre.

Se é para passar horas na rua, afinal, que se permita à mente viagens maiores do que o horizonte visível. No meu caso, isso significa plugar algum audiobook e percorrer o Ibira ouvindo histórias de lugares distantes, lendas das selvas africanas, relatos de velhas guerras buscando novos futuros. 

Nesses últimos dias, isso tem significado ouvir V. S. Naipaul, um indo-caribenho que, dentre outras pérolas, presenteou o mundo com A Curva no Rio, uma história passada entre a selvageria do interior da África e o ideal de civilização em alguma capital local logo após as guerras por independência travadas em todo o continente. Não vou entrar no mérito da história aqui, claro – mas o fato de poder atravessar oceanos e décadas e ficar imerso em um universo tão à parte é simplesmente fenomenal.

Salve os Deuses da literatura, da tecnologia, da inovação. E salve, claro, esse que é o mais solitário, mais simples e, ao mesmo tempo, mais inspirador dos esportes: a corrida.

  

Sobre pace

Faz tempo que não olho pace com a devida atenção. E faz sentido: quando se troca asfalto por trilhas, a preocupação com pace médio desaparece quase que instantaneamente. Afinal, como considerar uma média comparando terrenos tão variados quanto a trilha plana do Ibirapuera e a subida da Pedra Grande, em Atibaia? Impossível. 

Seria apenas uma estatística inútil como tantas outras que existem por aí. Média por média, afinal, todo ser humano teria um testículo e um ovário. 

Só que não é bem assim…

Trilhas podem garantir um tipo de aventura mais romântica e incrivelmente mais bonita – mas o treinamento mesmo, ao menos em grandes cidades como São Paulo, acontece no asfalto. E, por mais que se busque variar o percurso, somos criaturas de hábitos e acabamos repetindo a mesma rota cotidiana dia após dia. 

Mesmo quando comecei a rodar por tudo quanto é parque da cidade, em todas as zonas possíveis, documentando aqui no blog a experiência em cada um, tinha os meus dias da semana presos magneticamente ao conveniente Ibirapuera. 

Nesse caso, o pace médio serve, sim, como um parâmetro de comparação evolutiva. Pode-se aplicar o bom senso – ignorando semanas que tiveram alguma ultra ou trilha mais técnica e que, portanto, acabaram forçando uma queda no pace; mas ignorar tudo é desnecessário. 

Pois bem: usando o mar de estatística que mapeio semanalmente, atualizei o meu gráfico de pace médio desde junho de 2014. Resultado:

  
E fazendo as ressalvas: nos últimos tempos, fora a Comrades (31/05), os 50K de Atibaia (28/06) e algum pedaço de recuperação orbitando em torno deles, até que tenho conseguido me recuperar bem de um período de quase 2 meses entre novembro e dezembro do ano passado em que comecei a desacelerar de maneira constante. 

E o gráfico também me deu uma espécie de meta nova a perseguir: descer, por mais tempo, da linha dos 5’46″/km, uma espécie de muro de performance que eu nem imaginei que tinha. Claro: fazer isso em 10K é fácil – mas manter o pace abaixo dessa casa enquanto se treina subidas íngremes, enquanto se faz longões de 3 ou 4 horas em trilhas e considerando pausas nos tantos semáforos que polvilham São Paulo é um pouco mais complicado. 

Complicado ou não, é um desafio novo que acabou de brotar. Vamos ver como me saio nele!
 

Checkpoint: Restart

Com motivação em alta, madruguei hoje para correr por São Paulo. 

Paraty havia ficado para trás e não minto que, durante todo o trajeto de volta, fiquei observando as montanhas do litoral norte paulista caçando trilhas com os olhos e desejando estar perdido nelas. Perfeito: isso confirmou apenas que o mais importante dos ingredientes deste esporte, a empolgação, estava em alta. 

Não foi difícil decidir acordar às 5:30, com um céu nublado ainda escuro e um frio de 11 graus, e rodar pela cidade. Por locais diferentes dos habituais, diga-se de passagem: Barra Funda, Parque da Água Branca, um Minhocão que em instantes serviria de percurso para alguma prova de 10K qualquer, toda a região do centro sujo porém belo da cidade, incluindo Bolsa de Valores, Edifício Martinelli, prédio do Banespa, Municipal etc., subida da Brigadeiro, virada da Paulista, um corte pelo pequeno mas charmoso Parque Trianon e, enfim, encerrando na porta de casa. 

21km em que fiquei curtindo cada passo e ladeira, dividindo a concentração entre pensamentos sobre novos projetos e um audiobook incrível de V.S. Naipaul, A Curva no Rio. 

Cheguei revigorado. 

Agora mal posso esperar para engatar a semana que vem com uma motivação arrebatada para todas as frentes da vida. 

  

Reencontrando a corrida

Tirei quase toda a semana para descansar: não corri segunda, terça, quarta ou quinta. Em todos esses dias, acordei com uma espécie de fadiga acumulada que nunca havia sentido antes. 

Coxas doíam, pés reclamavam, pálpebras insistiam em permanecer fechadas nas primeiras horas da manhã e a motivação simplesmente não se fazia presente. Entendi o recado: estava na hora de descansar mesmo. 

E descansei, sem estresse ou ansiedade, sem agonia, sem pressão, sem nada. Até hoje. 

Estou na minha “peregrinação anual” para Paraty por conta da Flip, evento que minha empresa participa já por 5 anos consecutivos. E Paraty…. bom… digamos que Paraty não seja exatamente o Ibirapuera. 

Encravada no meio da belíssima Rio-Santos, essa cidade colonial é um convite para qualquer um que curta a natureza se esbalde em todas as suas ofertas. E, assim, entendi a viagem como uma espécie de instrução para que eu acordasse mais cedo, calçasse o tênis e saísse. 

Saí antes do sol nascer, ainda com tudo escuro, cambaleando pelas ruas de pedras incertas até o asfalto. Não minto: as dores permaneciam da mesma maneira que estavam antes e minha mente já começava a cortar o plano original e me mandar voltar para casa antes dos 10km. Deixei ela de lado e segui, tomando a direita na estrada. Os passos cansados estavam lentos, pesados, tão escuros quanto a madrugada que insistia em desafiar as horas e permanecer por ali pelo céu. 

Até que, em uma curva que deixava à mostra a cidade de Paraty de um lado e as montanhas de outro, raios vermelhos decidiram romper a noite e decretar um novo momento. 

  
Naquele instante, como que a passe de mágica, todo o cansaço desapareceu, as dores evaporaram e a vontade insana de correr, que aparentemente estava de férias, voltou. 

Mudei o plano: ao invés de voltar para casa, tomaria a trilha pela montanha em frente à cidade, no trecho final da Estrada Real. 

Recuperei do fundo do cérebro o caminho até a trilha e, depois de me perder umas duas ou três vezes, me encontrei. E subi. 

Fui cortando a mata úmida, aparentemente abandonada faz tempo, aproveitando cada milímetro da montanha como se fosse um presente divino. Brinquei com o pace, acelerando em alguns trechos mais do que o bom senso aconselharia. Ali não era lugar para bom senso. 

Em um determinado ponto, me deparei com uma plataforma feita para se observar pássaros. Subi pela escada, tirei uma foto e desci de volta: não era ali que queria chegar. Vasculhei a mata mais um pouco e achei a trilha certa, seguindo adiante. 

  
Nem demorei muito: logo em frente encontrei uma pedra grande com algun degraus podres levando ao cume. 

Subi. 

E, de lá do topo da montanha, respirei fundo com pulmões e olhos. 

Correr era precisamente aquilo: fugir do lugar-comum, do cotidiano, da cidade, das tarefas. Era sair caçando uma trilha velha por uma montanha abandonada sem a certeza de onde chegar. E era, sobretudo, chegar a uma vista absolutamente maravilhosa, de uma beleza tamanha que dá até uma certa culpa por não ser compartilhada com mais ninguém. 

Fiquei alguns instantes ali, apenas olhando, e dei meia volta. 

No retorno, claro, fiz questão de correr a todo vapor pelas descidas íngremes da encosta. Se a paixão havia sido recuperada no caminho até o cume, a rota para a base seria feita à base de diversão. 

Perfeito para encerrar a corrida. E mais perfeito ainda para começar o dia: ainda era, afinal, 8:30 da manhã.

   
   

50 deslumbrantes quilômetros por Atibaia

Já acordei ansioso, lá pelas 5 da manhã do domingo, e com tudo pronto para pegar a estrada. Tinha uma hora até Atibaia para os 50K e, honestamente não fazia ideia do que me esperava. 

A organizadora, a Corridas de Montanha, tem o mérito de garantir que o calendário tenha pelo menos uma prova de 50K todo mês – mas a organização pre-prova não é o seu forte. Mapa de percurso, informações sobre o quão técnico ele é, fotos… enfim, nada aparece para ajudar. 

Mas depois que participei da primeira prova deles, praticamente toda corrida em charcos e escalando morros absolutamente úmidos, aprendi a esperar de tudo. 

Técnica perfeita quando não se sabe nada.

Os primeiros quilômetros em Atibaia foram bem mansos: estradões de terra cortavam as montanhas e abriam caminho para vistas deslumbrantes. Muita subida e descida, claro – mas por trilhas leves, fluidas e deliciosas. 

Só em um trecho tive problemas, quando alguns cachorros grandes decidiram fechar o caminho e mostraram intuito de avançar. Com cautela, parei, dei alguns passos para trás e esperei um pouco até que eles desaparecessem para seguir. São coisas das trilhas para as quais sempre devemos estar preparados.

Fiz os primeiros 40km assim, de forma tranquila e relativamente rápida, caminhando pouco e correndo até na mais íngreme das subidas. Até que chegou a montanha.

Ali, nos km finais, a prova mudou.

Correr era impossível: uma single track bem técnica serpenteava a região da Pedra Grande inclusive por trechos em que se podia duvidar da existência de um caminho. As marcações de percurso ficaram escassas mesmo em bifurcações, um erro da organização reclamado por muitos. Errei.

Segui por uma trilha paralela por mais ou menos 1km, voltando apenas quando um outro corredor que já conhecia a região levantou a hipótese de estarmos perdidos.

Voltamos.

Tomamos o outro caminho.

Acertamos, muito embora as bandeiras que sinalizavam o percurso só fossem aparecer mais de 1km depois.

Houve trechos tão íngremes que tive que parar para recuperar o fôlego e deixar o coração bater mais devagar. Depois continuei.

Em um ou outro momento olhei em volta: a vista era simplesmente incrível!

Mas precisava, claro, seguir. E segui.

Uma subida ainda mais íngreme me esperava. 

Joguei fora um pedaço de pau que estava usando como pole improvisado: já não conseguiria mais utilizá-lo por ali.

Subi com mãos e pés, deixando um rastro de suor para trás.

No topo de uma pedra avistei a chegada, lá longe, onde paragliders e asas delta saltavam para o céu. A vista era inesquecível.

A partir dali tudo estava mais fácil.

Segui a trilha e caminhei pelas pedras, respirando o céu azul e vendo a cidade esparramada lá em baixo. 

Quando cheguei, foi hora de respirar fundo e ainda descobrir que tunha levado o 3º lugar por faixa etária! Uma bela surpresa – muito embora, claro, a pouquíssima quantidade de corredores na ultra certamente tivesse contribuído bastante.

Ainda assim, devo dizer que amei essa prova. Sim: a organização foi média e poderia ter melhorado em muitos aspectos, incluindo a quase inexistente hidratação e a marcação fraquíssima do trecho montanhoso. Mas isso é tudo detalhe.

Olhe as fotos, afinal. Dá para reclamar de algo assim?

   
             

Como serão os 50K em Atibaia?

Sendo bem sincero, é difícil de dizer. Ao contrário de muitos circuitos de ultra no mundo, no Brasil há uma espécie de aversão tácita a prover informações aos corredores. Resultados: nos inscrevemos no escuro, sabendo apenas a distância total e deduzindo o resto pelo perfil do organizador. 

No caso de Atibaia, organizado pelo Corridas de Montanha, imagino que será algo bem técnico e possivelmente em um circuito menor que a distância, incluindo assim alguns loops. Sem problemas quanto a isso: diferente da última vez que fiz uma prova deles, agora estou preparado. 

Mas tive uma ideia essa semana: lembrei que, há algum tempo, vi alguns circuitos deles na minha timeline do Strava. Resultado: depois de uma breve caça, percebi que eles mapearam o percurso nessa semana. 

Ponto positivo: agora pelo menos sei que o percurso incluirá trechos longos em estrada (creio que de terra) e uma subida que promete ser deliciosamente intensa. 

Pelo mapa, acredito que os 50K incluirão uma soma de 4 percursos: 3 loops e um bate-volta até o topo de uma montanha. 

Do ponto de vista de elevação, a altimetria acumulada deve ser de 1.840m – um bom número para a distância – com as duas maiores subidas no final. Pelo mapa, no entanto, parece que a chegada será em um local diferente da largada. Não sei se isso procede mas, caso positivo, será bem vindo. É sempre mais empolgante seguir em uma “reta” do que em “círculos”. 

Agora é me preparar. 

E correr.  
   
 

Treino mental

Tem uma parte do treinamento – de qualquer treinamento – que é mais mental que física. 

Ontem cheguei tarde do trabalho, cansado e com uma lista de pendências grande o bastante para ser medida em anos-luz. Em noites assim só se quer uma coisa: dormir até mais tarde na manhã seguinte.

Quando digo mais tarde não me refiro a 10, 11 horas: levantar às 7 já seria um sonho! 

Mas, quando se tem uma filha pequena em casa, a hora do treino é ditada pela rotina doméstica. Quer ir ao parque? Levante às 5 ou 5:30 e chegue nele junto com o sol, a tempo de estar de volta antes da van escolar embicar no prédio!

E hoje houve ainda uma pimenta a mais no caldo: estava frio e garoando, um daqueles climas típicos de São Paulo que preferimos ler nos livros do que sentir na pele.

Não havia o que fazer. 

Desliguei o despertador.

Coloquei a roupa.

Saí porta afora rumo ao parque.

Não sei dizer se o treino foi forte para as pernas – acabei não o controlando tanto. Mas a mente, esta sim chegou de volta em casa mais forte do que saiu :-)