Checkpoint: Pico 1

Em tese, essa era a minha semana de pico do treinamento para o Cruce. E, em tese, não fiz feio. 

Transformei os 5 treinos em 4, comprimindo dois deles em um, e gerando duas sessões de back to back perfeitas. 

Na terça e na quarta, fiz um treino de 15 e outro de 20; no sábado e domingo, um de 30 e outro de 20. Alternei percursos, cheguei na boca dos mil metros de ganho altimétrico e, melhor, fechei inteiro, intacto, bem. 

O total acabou sendo de 85km cravados, número que costuma ser abaixo do que faço no preparo para ultras. Mas…. bom… Considerando que beirei os 100 no Rio há poucas semanas e que o formato dessa fase de treino foi bem mais “adequado” ao desafio, tudo está bem. 

E por que “pico 1”? 

Por conta da BR135, claro. Ela já será na semana que vem: viajo na quarta cedo e largo com a equipe na quinta. Nossa meta: fechar os 217km em até 40 horas. Do total, pretendo rodar algo entre 50 e 60km – o que caracterizará um outro longão back to back, claro. 

Só que, para a equipe, não será exatamente um treino – claro. Será uma prova real, concreta, onde meu papel de pacer acaba trazendo toda uma gama de responsabilidades diferentes. Daqui até lá, então, descanso puro. Nada de treino amanhã ou terça. Quarta? Talvez um trotinho leve para aquecer. 

E carga total na quinta e sexta. Que venha essa nova experiência.

  

 
  

Back to backs no caminho do Cruce

Agora eu respiro back-to-backs. Daqui até o começo de fevereiro, meus dois objetivos de treinamento são me habituar a correr sobre pernas cansadas e me manter confortável em subidas e descidas. 

O segundo objetivo é relativamente tranquilo: os dias de trilha e morro em Niterói deram um gás perfeito que está sendo mantido tanto pelos percursos que tenho traçado em Sampa quanto pelas escadarias que inseri no meu cotidiano. 

O primeiro não chega a ser exatamente difícil: tudo, afinal, é sempre uma questão de hábito. Mas é um tipo de treinamento diferente, muito diferente do que estou habituado. 

Tomemos essa semana. Em tese, eu teria uma sessão de 15km na terça e duas de 10km na quarta e na quinta. Seria o normal, fechado por um longão no sábado e mais uns 15km no domingo. Mudei isso. 

Mantive os 15km na terça – mas juntei os outros dois dias no mesmo e, ontem, rodei 20. Cansou bem mais, obviamente – mas confesso que estou começando a me sentir mais confortável com esse acúmulo de sessões back-to-back. Dor, afinal, é sempre resultado de percepção que, por sua vez, é sempre algo relativo. 

Ainda assim, não dá para descuidar do fato de que back-to-backs são um risco à parte: treinar em pernas cansadas aumenta riscos de lesões por forçar uma quebra na biomecânica e impor uma sobrecarga anômala. Para evitar cair dessa corda bamba, inseri um dia de descanso a mais: hoje e amanhã serão dedicados à mais pura regeneração. E confesso que acordar com a certeza de que o descanso será bem vindo foi muito, muito positivo. 

Aproveitemos os days-off: sábado tem longão de novo. 

  

Checkpoint: Back2backs e a busca pela seriedade na fase final do treino para o Cruce

Logo depois que postei a desistência de correr ontem, mudei de ideia e fui para a rua.

Saí no final da tarde embalado pela planilha que, claro, mostrava que o Cruce estava logo ali na esquina. 

Para ser bem sincero, meu treinamento para o Cruce está bem desleixado: tenho mantido um volume médio razoável de rodagem e buscado inserir o máximo possível de subidas, claro… Mas parei por aí.

Nem tenho ideia de quando deveria chegar no pico; tapering é algo que verei em cima da hora; e uma mescla de treinos de qualidade com volumetria é ficção científica. Estou apenas saindo para correr, mantendo um pace quase homogêneo mesmo sabendo que isso está longe de ser ideal e mal olhando para a programação que tracei há meses.

Isso sem contar com o inesperado apoio que darei à Zilma na BR como pacer, que acabarei usando como longão máximo daqui a menos de duas semanas. Quanto planejo correr? Algo como 50 a 60k, mais ou menos. “Mais ou menos”, aliás, sendo o conceito que melhor descreve todo o meu planejamento atual.

Já não há mais muito tempo para mudar isso e acrescentar estrutura no treinamento: o Cruce será em menos de dois meses. Mas dá para tentar, que foi o que acabei fazendo nesse final de semana.

Para mim, a principal diferença do Cruce para outras provas às quais estou habituado é que ela se dará em estágios. Serão 40km no primeiro dia, 30 no segundo e 30 no terceiro, todos somando altimetrias pra lá de tensas. 

Com o medo de parecer arrogante, não é o volume que me assusta: já tenho experiência o suficiente – ou pelo menos espero ter – para saber fazer a mente empurrar o corpo. O que preciso trabalhar é o inesperado de largar por dois dos três dias com as pernas mastigadas, castigadas, esmigalhadas. 

Não serei também injusto comigo mesmo: tenho feito back2backs com mais frequência, educando o corpo a correr cansado. Todo o final de ano em Niterói, afinal, foi recheado de corridas morro acima e morro abaixo, emendadas umas nas outras e com o bônus de um calor sobrehumano. 

Ainda assim, não seria agora a hora de parar: esse final de semana acabou repetindo a fórmula de pouco tempo de descanso entre os treinos. Saí para 25K no final da tarde do sábado, emendando com mais 17 na manhã do domingo. Era o mínimo que precisava fazer para fugir do fantasma da preguiça.

Estou agora como deveria estar: com as pernas mastigadas, doloridas, exaustas – mas “satisfeito”. Essa seriedade a mais no treino para o Cruce já estava se fazendo gritantemente necessária.

Só espero que dê tempo para que ela surta o efeito necessário e me garanta o que estou buscando: uma experiência esperacular.

   
 

Comrades 2015: passagens compradas e reservas feitas!

Pronto.

Agora não tem mais volta.

Primeira parcela devidamente paga, garantindo os vôos e hospedagens na costa leste africana.

Chego em Durban no dia 28 de maio, com 2 dias para me ambientar. De lá, vou (naturalmente) correndo até Pietermaritzburg no dia 31.

Durmo no interior, recuperando as energias de peito estufado com a medalha back-to-back reluzindo.

Volto no dia 1 para Durban, onde passo a noite.

E volto para São Paulo no dia 2 pela manhã.

Cruzar a linha de chegada em qualquer ultra é sempre uma incógnita, por mais que se esteja preparado – mas a linha de largada, pelo menos, está já garantida.

Shosholoza!