Vídeo para matar saudades das trilhas do Cruce

Mesmo com parcos anos correndo em trilhas, posso dizer que poucos são os percursos tao deliciosos quanto os do Cruce. Claro: todo ano os percursos mudam – mas a região é sempre a mesma. 

E isso inclui trilhas lisas e absolutamente corríveis, montanhas belíssimas emoldurando lagos sensacionais ao fundo em três dias de pura endorfina. Quem não foi ainda, recomendo seriamente. 

Para quem foi, eis um vídeo que achei agora na Web com um programa gravado na edição deste ano para a TV espanhola:

Abertura do El Cruce: God save the Queen?? :-)

De repente, uma mão me puxou e me perguntou algo em um espanhol tão rápido que, meio que no susto, apenas respondi “si, claro!”.

Em 5 minutos estava em uma fila indiana segurando uma bandeira gigantesca da… Inglaterra! Aparentemente, eu e 32 outros corredores desfilaríamos logo depois da banda militar homenageando os 33 países presentes no Cruce.

Bom… nunca me achei exatamente parecido com um inglês… mas encarnei de tal maneira que até um ‘God sabe the Queen’ acabou saindo da minha boca :-)

Fiquei até procurando compatriotas para falar sobre a família real, mas acho que só tinha eu mesmo de britânico nos arredores. Ou isso ou – claro – a ‘nossa’ típica discrição impediu os demais súditos de Elisabeth de aparecerem!

Assim, seguindo tambores rufando no meio da praça e sendo parte acidental do evento, acabei absolutamente contagiado de adrenalina da abertura do Cruce 2016. Não que tenha sido tarefa difícil: o palco era ao ar livre, tendo montanhas, lago e um céu azul-turquesa como pano de fundo, com direito a um telão de led e um rock’n’roll entre as falas dos organizadores para ninguém botar defeito. 

Apresentaram a elite – e confesso que estar próximo de ídolos como Marco de Gasperi e François D’Haene foi “tieticamente” empolgante – detalharam a infra e fecharam com um vídeo daqueles feitos de pura palpitação cardíaca. 

A empolgação foi tamanha que, quando terminaram os eventos, a praça inteira de San Martin virou uma versão rock de Carnaval, com gente pulando ao som dos Stones e entoando gritos de euforia pura!

Quer jeito melhor de abrir uma prova dessas??

   
   

E assim se foi o primeiro dia antes dos primeiros dias

E assim se foi o primeiro dia antes dos primeiros dias: da mesma forma que começou, em compasso de espera. 

Cheguei em San Martin de Los Andes por volta das 13:30 absolutamente sonado. Era segunda, feriado de Carnaval, e teria ainda dois dias inteiros para descansar – desconsiderando apenas umas pequenas pausas para o onipresente trabalho, claro. 

A primeira coisa que fiz – depois de um bem vindo banho, claro – foi rodar pelo povoado. Em um par de minutos, acrescento: San Martin cabe na palma de uma mão, não tendo mais que meia dúzia de quarteirões. Ainda assim, respira ares mais forasteiros do que interioranos: embora poucas, suas avenidas são tomadas por lojas de esporte de aventura; pequenas agências pontilham a paisagem; corredores e ciclistas dividem espaço com crianças brincando soltas; e um clima de adrenalina extrema parece ter subjugado um local que certamente nascera com propósitos muito mais bucólicos. 

A vista também era única: dos dois lados, paredões de montanha afunilavam a vila para o Lago Lácar, formando uam espécie de praia tornada ainda mais gelada por ventos cortantes que espalhavam poeira e pinçavam os nervos. O céu, inquieto, já dedurava a geografia ao se pintar com as cores exatas da bandeira da Argentina. 

E, como não poderia deixar de ser, o cheiro de parrilla acentua a fome de qualquer um que pensar em atravessar a frente dos restaurantes. 

Tudo em San Martin era convidativo, do clima às paisagens e aos sons. Mas o cansaço, ao menos neste primeiro dia, estava extremo demais para eu aproveitá-la. Feito o reconhecimento, almocei logo antes da hora do jantar, invadi uma ou outra loja, tentei – sem sucesso – agendar alguma aventura turística de última hora para o dia seguinte, e voltei para o hotel. 

Nada mais poderia me fazer sair da cama, nem mesmo a claridade insistente do outro lado da janela.

Hoje havia terminado. 

E amanhã, ainda bem, será dia de fazer o reconhecimento como ele realmente deve ser feito: a passos rápidos, trotando povoado afora. Ainda não tenho ideia de que lado irei ou de quanto cobrirei – embora obviamente deva pegar leve por conta do Cruce. Mas uma coisa é certa: a Patagonia e os Andes parecem estar tão ansiosos quanto eu para se metamorfosear de paisagem em aventura.

  
 
 

Correndo na patagônia

Embora geograficamente correto, não sei se, na prática, Villa La Angostura (logo ao lado de Bariloche) pode mesmo ser considerado Patagônia. Ao menos não a Patagônia que costuma perambular pelo nosso imaginário, repleta de fiordes e icebergs.

Ainda assim, corri lá no final do ano passado e devo dizer que foi o local mais incrível, com algumas das trilhas mais embasbacantes, que meus olhos e pés já passaram.

Vi esse vídeo da K42 recentemente no Youtube e deu muita vontade de fazê-lo. Poderia ser maior, claro: uma maratona é curta demais para tanta beleza. Mas que deve valer cada segundo, isso deve.

Checkpoint semanal: De volta

Olhar para trás depois de uma jornada como a que fiz pelos Lagos Andinos dá sempre uma nostalgia. Afinal, foram tantas as experiências acumuladas nas montanhas argentinas que faltam palavras para descrever.

Não sei se quero descrever agora, no entanto – ao menos em palavras. Há coisas que podem dizer mais: as planilhas, mostrando o crescimento do volume de treino, um mapa de calor do Strava mostrando tudo o que foi percorrido e as fotos todas que postei ao longo da semana. Vistas que, para sempre, ficarão presas na memória.

Quanto às planilhas, uma constatação apenas: desde que passei a usar o Garmin, a medição de altimetria mudou dramaticamente. O que antes era 200m em um percurso, por exemplo, virou 80m. No início, não sabia o que estava errada – se a medição anterior ou a atual.

Depois pesquisei mais e descobri que o Garmin realmente falha bastante nisso – conclusão reforçada por medições completamente diferentes com o próprio Garmin sobre exatamente o mesmo percurso. Bom… se não dá para comparar com o passado, então, que sirva de parâmetro para o presente, desde o mês de novembro.

Screen Shot 2015-01-05 at 1.03.13 PM

Screen Shot 2015-01-14 at 10.34.32 AM

IMG_6277 IMG_6288 IMG_6283-1 IMG_6279-1 IMG_6281-1 IMG_6286-1 IMG_6306 IMG_6309 IMG_6304-0 IMG_6297-0 IMG_6302-0 IMG_6299-0 IMG_6295 IMG_6321 IMG_6327 IMG_6325 IMG_6323 IMG_6329 IMG_6335 IMG_6331 IMG_6333 IMG_6337 IMG_6345 IMG_6343 IMG_6341 IMG_6339 IMG_6347 IMG_6354-5 IMG_6356-3 territoriomapuche IMG_6366-0 IMG_6358-0 IMG_6360-0 IMG_6362-0 IMG_6364-0 IMG_6374 IMG_6376 IMG_6394 IMG_6378 IMG_6380 IMG_6382 IMG_6384 IMG_6386 IMG_6388 IMG_6390 IMG_6405 IMG_6406 IMG_6408 IMG_6412 IMG_6409-0 IMG_6411 IMG_6409 IMG_6407 IMG_6410 IMG_6421 IMG_6419 IMG_6420-1 IMG_6422-0 IMG_6423-0 IMG_6424-0 IMG_6425-0

Despedida dos Andes

Os índios Mapuche acreditam que toda relação com a natureza é pautada pela reciprocidade. Quer algo dos Deuses, das montanhas ou das águas? Dê algo em troca, demonstrando respeito e gratidão.

Quando cheguei aqui na Patagônia estava um caco: exausto por um ano dificílimo e repleto de altos e baixos, sem paciência para nada e em níveis de estresse que não lembro ter estado antes. Buscava apenas uma coisa: virar a página, encerrando o ano e começando um novo capítulo de forma inteira, bem mais energizado.

A corrida em trilhas, claro, teve papel fundamental. Na somatória, passei horas e mais horas sozinho, totalizando mais de 100km por montanhas, lagos e florestas.

Fugi de cachorros revoltados já no primeiro dia; subi a mais famosa montanha da região para dar de cara com um portão fechado na primeira base – muito embora tivesse sido recompensado com vistas magníficas no caminho; fiz a rota dos sete lagos, subi o Ístmo de Quetrihue até os mirantes do bosque dos Arrayanes, onde cruzei suas trilhas; atravessei o território Mapuche para subir até o mirante no Cerro Belvedere, de onde atravessei para a montanha vizinha, Inacayal, para testemunhar o espetáculo de uma cachoeira nascendo de suas pedras e dando vida a todo esse ecossistema de lagos.

Em todo esse tempo, a paz interior que tanto buscava aqui nos Andes esteve sempre ao alcance das mãos – mas nunca efetivamente agarrada por elas.

Minha última corrida seria a minha última chance.

Escolhi uma das poucas trilhas que ainda não tinha feito, seguindo em boa parte pela estrada e desembocando na Playa del Espejo – uma espécie de praia na beira de um lago isolado e de incrível beleza.

A manhã clara, de céu azul forte e ar ameno, ajudou. Passo a passo, fui correndo a maior parte do percurso, imerso no silêncio das montanhas e respirando o seu ar por subidas e descidas.

O caminho todo foi como uma espécie de revisita a toda a viagem, ao ano que se foi e ao que virá.

Foi catártico, para dizer o mínimo.

E de repente, como que a passe de mágica, na medida em que a Playa se aproximava, as preocupações e o estresse foram dando margem a uma espécie de energia que estava fazendo falta. Muita falta.

Ao chegar lá, desci até o lago. Lindo, incrível. Uma fina camada de neblina parecia acariciar suas águas calmas que, por sua vez, refletiam os Andes como uma espécie de mensagem. Alta, diga-se de passagem.

Tudo aquilo parecia tão eterno, tão constante e inabalável, que qualquer preocupação a mais parecia futilidade. Era exatamente o que eu precisava entender.

Respirei.

Voltei.

No caminho parei no Lago Correntoso para me despedir. Havia enfrentado suas águas geladas no dia anterior, mergulhando fundo e nadando algumas centenas de metros para ajudar no processo de “limpeza de alma”, por assim dizer. Funcionou.

Complementado com os 21K que havia acabado de fazer, precisava mostrar o meu agradecimento ao estilo Mapuche.

Desci até as suas margens, onde 3 ou 4 pescadores miravam peixes invisíveis em silêncio, sentei em um tronco e simplesmente agradeci com todo o meu espírito.

Abri minha mochila de hidratação e, na terra, despejei toda a água que ainda restava. Não era tanto – mas era tudo o que tinha naquele momento.

Fiquei mais alguns minutos por lá olhando o lago e enchendo o pulmão com o ar andino. Estava, pela primeira vez em muito tempo, inteiramente em paz.

E, com esse último pensamento em mente, coloquei a mochila nas costas, me voltei para a trilha e, lenta mas decididamente, comecei a correr. Até 2015.

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6421.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6419.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6420-1.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6423-0.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6422-0.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6424-0.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6425-0.jpg

Bosque Los Arrayanes

Com a placa apontando para o Bosque Los Arrayanes em mente, já que na corrida anterior havia voltado a partir de lá sem prosseguir, fui para o meu penúltimo dia de trilhas na Patagônia.

Para otimizar tempo, dessa vez, fui de carro até a entrada do Parque Nacional e comecei a partir de lá. Não tinha ainda certeza da distância mas sabia que não faria todo o percurso, somando 24km.

E, assim, comecei pelo mesmo caminho do dia anterior, subindo sem parar até os mirantes. Não cheguei até eles: logo na placa que indicava o bosque segui por outra subida e depois por uma descida bem íngreme. Estava já em territórios inexplorados.

Logo de início um mirador abria a vista do nascer do sol nos Andes, com o lago se estendendo feito um tapete espelhado refletindo as montanhas e os primeiros raios se luz. Vai demorar para eu me desacostumar desses inícios inspiradores de corrida por aqui.

Guardei a imagem na cabeça (e em uma foto) e segui. Reto, sempre em frente, mesclando tantas ondulações de percurso que fizeram o altímetro do Garmin desistir de qualquer precisão.

Uma vez no bosque, as paisagens ficam mais homogêneas: fileiras de pinheiros e árvores gigantescas se alinham dos dois lados da trilha, cobrindo parte do céu e deixando apenas o suficiente de luz entrar pelas suas copas para pintar os troncos de dourado.

De curva em curva, novos tons iam sendo revelados pelo sol, exigindo uma diminuição no pace para um simples (porém fundamental) ato de contemplação.

Pace. Se tem um efeito colateral desse período aqui nos Andes é a diminuição sistemática do ritmo. Afinal, toda corridinha inclui centenas de metros de subida, forçando tanto períodos de caminhada que eles se tornam mais a regra que a exceção. Aqui definitivamente não é o lugar certo para que gosta de velocidade – mas, mesmo para esses, eu ainda arriscaria dizer que a mudança de ares e estilos certamente faz bem.

Estou curioso para saber qual o resultado disso em um próximo intervalado que fizer lá no Ibirapuera. Será que voltarei anos no tempo e precisarei recuperar todo o ritmo? Ou que essa espécie de descanso aos músculos de velocidade gerarão um efeito contrário? Ou será que, dado o pouco tempo, nenhuma mudança significativa terá ocorrido? Só na semana que vem para saber.

Enquanto isso, já era hora de voltar quando o relógio apitou 6km.

A propósito: a falta de sincronia do Garmin com as marcações de km na trilha beiravam o ridículo, assim como o registro altimétrico que deveria ser – mas não foi – sincrônico, já que fiz a mesma rota de ida e retorno.

Bom… exceto pelas minhas planilhas e meus gráficos, quem se importa?

Do km 6 (ou 7) tomei o rumo da saída e fiz de novo todo o trecho do Bosque, subindo até a região dos mirantes e descendo até a entrada.

Uma vez lá dei uma esticadinha até uma praia em frente ao ístmo que havia subido nos últimos dias. O paredão rochoso, coberto de pinheiros, se esticava sozinho lago adentro criando um efeito espelhado absolutamente impressionante. É uma das cenas que levarei comigo desse lugar tão incrível.

A viagem agora está chegando ao fim.

Esses dias na montanha estão, aos poucos, recalibrando o organismo e enchendo o sangue da energia necessária para enfrentar 2015.

Tenho ainda uma meia para fazer e completar os 80km da semana – e pretendo deixar isso para a estrada mesmo, fazendo um bate-volta até a Praia do Espelho – um lago escondido por aqui e com uma beleza estonteante.

Mas isso será para o fechamento da viagem – e abertura oficial de 2015.

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6405.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6406.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6408.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6412.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6409.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6411.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6407.jpg

/home/wpcom/public_html/wp-content/blogs.dir/5b7/69502451/files/2015/01/img_6410.jpg

Mirantes de Arrayanes

A primeira corrida de 2015 tinha mesmo que ser memorável.

Ontem, sacudi a poeira do Reveillon logo cedo e saí às 7:30 para o Bosque de Los Arrayanes, em um dos extremos de Villa La Angostura. Não sabia muito o que encontraria ou mesmo se conseguiria entrar no bosque uma vez que era um Parque Nacional com horário de abertura mais tarde.

Ainda assim, fui. E não me arrependi nada.

A manhã estava absolutamente azul, sem uma única nuvem no céu e com picos brancos nas montanhas por conta da neve que caiu na noite de ano novo.

IMG_6374

O caminho em si já era um presente, passando por uma estrada cercada de pinheiros gigantes, cruzando uma igrejinha de pedra do começo do século XX e desembocando em uma baía de águas cristalinas.

IMG_6376

Em um canto, uma placa indicava a entrada do bosque. Estava mesmo fechado mas, sem correntes no portão, foi fácil ser seduzido pelo visual e desobedecer as regras.

Mais para dentro placas sinalizavam caminhos opostos: o bosque para a esquerda e dois mirantes para a direita. Subi para os mirantes.

Foram alguns quilômetros de subida bem íngreme, com trilhas bem marcadas serpenteando a montanha. Me arrependi de não ter levado os poles – mas nada que um pouco mais de força de vontade não resolvesse.

Aos poucos, depois de algumas curvas, os pinheiros foram ficando mais escassos e a vista começou a se desacortinar. Deslumbrante.

Os mirantes dão para a Baía Mansa e pra a Baía Brava, separadas pelo igualmente belo Ístmo de Quetrihue. Ao fundo, os lagos se estendem por toda a paisagem; no horizonte, picos nevados – incluindo os três que já havia subido (Cerros Belvedere, Inacayal e Bayo), davam um toque de magia; em cima, o azul intenso do novo céu de 2015 completava a tela.

Anos podem se passar, mas dificilmente em me esquecerei dessas paisagens andinas.

IMG_6378 IMG_6380 IMG_6382 IMG_6384 IMG_6386 IMG_6388 IMG_6390

Cheguei a ficar um tempo por lá, de pé, só com a montanha e a vista. Respirei, pensei, repensei. E voltei.

Voei morro abaixo com um senso de realização forte, compatível com a beleza que acabara de testemunhar.

Quando cheguei na base, estiquei ainda pelo outro caminho, rumo ao bosque, mas descobri que ele seguia apenas por 700 metros: por risco de desabamento, os Arrayanes poderiam ser alcançados apenas pelos mirantes, seguindo adiante ao invés de voltar.

IMG_6394

Por um lado, bateu uma certa frustração; por outro, no entanto, foi uma bela desculpa para que eu voltasse ao local antes do fim da viagem.