Cruce……..

De todas as provas que tenho alinhadas no meu futuro próximo, o Cruce é sem dúvidas a quem mais tem me deixado empolgado. 

Só o prospecto de voltar a correr na região dos lagos andinos – uma das mais belas que já vi na vida – cruzando montanhas e passeando por dois países já faz a endorfina arrepiar cada pelo do corpo. 

Ver um vídeo assim, então, é de matar…

Que chegue logo fevereiro!!! 

El Cruce 2014 | Kailash Team Neptunia from Morfina Filmes on Vimeo.

Por que não criamos ultras mais relevantes no Brasil?

Todas as ultras mais desejadas do mundo tem uma característica essencial: um apelo emocionalmente poderosíssimo para os corredores. E esse apelo pode ir por três lados: relevância histórica, dificuldade colossal ou beleza estonteante. Frequentemente, aliás, esses três elementos estão juntos.

Exemplos?

O percurso da Comrades não é exatamente incrível – mas seus mais de 90 anos de história, a força que exerce sobre toda uma nação e as lendas que giram em torno dela a fazem ímpar.

Spartathlon, na Grécia? Junta a dificuldade homérica de se completar 246km em menos de 36 horas – com pontos de corte no mínimo sádicos – com o peso histórico de se estar refazendo o percurso de Filípides.

El Cruce? Precisa falar alguma coisa da sua beleza estonteante? A experiência de cruzar os Andes e beber uma paisagem daquelas por dias está longe – muito longe – de ser considerada corriqueira.

A Marathon de Sables, com quase uma semana para se cruzar 254km no Saara, não é considerada tão difícil quanto outras do gênero por ter postos de corte mais generosos – mas, da mesma forma que o Cruce, permite se testemunhar cenas absolutamente inesquecíveis.

E por aí se vai. TransVulcania, Barkley, Mont Blanc (UTMB)… todas tem um ou mais destes três ingredientes.

Agora olhemos o Brasil.

Das poucas ultras que temos em nosso solo, a única que realmente se destaca é a Jungle Marathon – e que é mais famosa no exterior do que aqui. Mas há tantos locais incríveis no Brasil que, honestamente, não fazer uma ultra neles é jogar fora oportunidades. Exemplos práticos?

Começo com o que nós mesmos fizemos no começo do ano, por conta própria: a Ultra Estrada Real. Refazer o caminho dos mineiros no auge do ciclo do ouro e terminar aos pés da estátua de Tiradentes em Ouro Preto em plena Páscoa, época que toda a região fica deslumbrante, certamente é uma candidata. Dezenas de corredores participaram dessa iniciativa que começou por aqui e que, aparentemente, terá alguma continuidade.

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E outros locais?

Correr no sertão em pleno verão escaldante certamente seria um belo desafio. Aliás, o amigo André Zumzum organiza o Caminhos de Rosa que é justamente isso – com o bônus de acontecer na trilha das histórias do mestre Guimarães Rosa. Não fosse tão longa – ela tem 263km – eu participaria na mesma hora.

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Há outro sertão perfeito: Canudos. Terra de santos, beatos, guerras e de um dos episódios mais marcantes da nossa história, seria um desafio e tanto.

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E Lençóis Maranhenses? Uma prova por suas dunas seria inesquecível e atrairia gente de todo o mundo.

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Chapada Diamantina? Que me conste, há apenas uma maratona por lá – mas há terreno suficiente para se explorar distâncias maiores com pérolas espalhadas por ela.

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Falando em Chapada, há a dos Veadeiros que tem o pitoresco Vale da Lua.

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O Rio de Janeiro também poderia receber uma ultra. A cidade é inegavelmente uma das mais lindas do Brasil e conta com pontos perfeitos como o Pão de Açúcar, o Cristo, a região da Vista Chinesa. Sua cidade irmã, Cape Town, fez uma ultra pela cidade que rapidamente cresceu (Ultra Trail Cape Town).

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Lá no sul há a região das Missões ou a Serra Gaúcha. Locais PERFEITOS para se correr em trilhas animais e memoráveis.

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Isso sem contar com locais de mais difícil acesso como o Monte Roraima, o Jalapão e tantos outros.

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O fato é que vivemos em um país que, embora não esbanje praias como as do Caribe ou montanhas como as dos Alpes, tem belezas inquestionáveis. Também é fato que, senão todos, a grande maioria dos ultramaratonistas vivem para beber cenas marcantes nas trilhas ou ruas do mundo.

Por que, então, as ultras que acontecem por essas bandas cismam em não aproveitar quase nada das nossas belezas naturais?

Tomara que alguém leia esse post e tome alguma providência organizando algo mais parrudo. Uma coisa eu garanto: a minha participação entusiasmada.

Bertioga-Maresias: o que imagino encontrar

Antes de qualquer coisa: não tenho nenhuma dúvida de que qualquer ultra aqui no Brasil teria um peso fortíssimo se fosse tratada pelos organizadores de maneira mais profissional – ao menos na comunicação. Digo isso sem jamais ter corrida a Bertioga-Maresias e já fazendo a ressalva de que só ouvi elogios quanto à prova.

Mas puxa… qual o problema em usar o site para colocar altimetria detalhada, mapa e um acervo de vídeos minimamente bem produzidos? Outras provas na Europa, África ou EUA esbanjam qualidade nesse sentido e não tenho dúvidas de que isso faz toda a diferença para elas.

Mas enfim: chega de reclamações. Vamos à parte prática.

De acordo com os zilhões de relatos que cacei Web afora, devo encontrar um percurso relativamente plano – ao menos no começo. Essa imagem ilustra bem (apesar de ser desatualizada por conta de uma mudança no percurso desde 2012). Mas, contando com a possibilidade da mudança ter sido pequena, ei-la:

Percurso Altimetria Bertioga-Maresias 75K

Uma outra imagem, mais recente, dá alguns dados a mais:

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A parte mais tensa é no final, principalmente na subida da serra de Maresias. Será uma subida de 300 a 400 metros em algo como 2 ou 3 km depois de ter passado por bastante areia fofa. O fato disso ter ficado para o final é até bom: não seria uma ultra de respeito sem alguma pitada de sadismo :-)

Achei uma outra imagem, de outro corredor, que destaca justamente esta subida:

bertioga-maresias-altimetria

O site tem também uma relação de pontos de controle:

percursoInterno

Pois bem: hora de começar a aquecer os motores. Até lá, meu foco será misto entre uma manutenção de volumetria e alguns tiros para forçar velocidade.

Como meu foco principal é a Indomit 100K – esta prova é mais um longão de luxo – não devo fazer nenhum processo mais agressivo de “tapering” ou forçar muito a barra para bater o recorde galáctico. A ideia será apenas correr como se fosse um dia como outro qualquer – só que aroveitando a maravilhosa paisagem do litoral norte paulista.

Para manter a empolgação em alta

Um remédio bom para apatia, cansaço em excesso e todos aqueles sintomas que tem dominado as minhas manhãs e atrapalhado meus treinos? Focar em alguma meta nova. 

E foco, claro, sempre pode receber uma ajudinha da Internet. Como visualizar esse vídeo, por exemplo, desafio que está – ainda bem – em meu caminho:

2ª edição INDOMIT Costa Esmeralda Ultra Trail – Teaser 2015 from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

Nos calcanhares dos Templários

Eu amo história. 

Metade do tempo que passo correndo – pelo menos – fico com fones entuchados no ouvido ecoando audiolivros de história. Das eras medievais às navegações, dos incas aos maias, de Gengis Khan a Maomé, do ocidente ao oriente, tudo que inclua a linha de tempo da humanidade me interessa. 

Não foi por outro motivo que comecei a organizar a Ultra Estrada Real, refazendo o caminho dos primeiros mineiros e escravos na nossa era colonial. Sim: trilhas em lugares inesquecíveis, como os Andes ou os alpes, sempre serão únicas. Mas e se der para unir uma coisa a outra? 

Eis o Festival des Templiers, lá no interior da França. O objetivo: percorrer quilômetros e mais quilômetros de “estradas” utilizadas pelos Templários enquanto estes protegiam os cristãos em suas peregrinações até Jerusalém, lá na era das Cruzadas. Isso inclui passar por castelos antigos e abandonados, cidades fantasmas, cavernas que serviam de esconderijo e solos por onde se derramou muito, muito sangue medieval. 

O conjunto de ultra – que eles chamam de Festival – está na minha lista de desejos faz tempo e recentemente me deparei com a altimetria da prova de 75km. Perfeita. 

Não está nos planos de curto prazo agora… mas ansiedade e endorfina já viraram uma coisa só apenas de sonhar com essa prova. 

Quem quiser saber mais, clique aqui.

   
 

Checkpoint: De acordo com o planejado

Apesar dos obstáculos nos primeiros dias – dores esquisitas no joelho e na panturrilha – a semana acabou exatamente como planejado. Melhor, até, dado que as dores evaporaram por completo. 

Foram 76km rodados, uma altimetria acumulada de mais de 1.100 metros, pace médio abaixo dos 6 min/km e, de quebra, exames que retornaram resultados perfeitos, indicando a (desejada) manutenção da dieta low-carb. 

De certa forma, foi como se essa semana representasse uma luz verde para o próximo ciclo em todas as frentes: nutrição, preparo físico, endurance. Ciclo, diga-se de passagem, que terá os 70K da Bertioga-Maresias e os 100K da Indomit Costa Esmeralda lá em novembro, riscando mais um item da minha lista de desejos. 

Que seja um bom sinal para as próximas semanas.

    

Maratona Bertioga-Maresias no caminho!

Enquanto a luz amarela continuava acesa, acabei pesquisando mais sobre meu treinamento até os 100K da Indomit Costa Esmeralda, no dia 7 de novembro. E olha o que encontrei: a Bertioga-Maresias, prova que sempre quis fazer e que, este ano, acontecerá em 17/10.

Em outras palavras: acontecerá no dia perfeito para o último longão pre-Indomit. E contará ainda com sol, trechos em areia e aquele clima de prova que sempre bate qualquer treinamento.

Serão 75km que pretendo fazer na categoria solo, pegando leve com o pace e buscando apenas um último treino. Depois, descanso e recuperação.

Com a inscrição já devidamente feita, é hora de passear pelo Youtube e curtir alguns dos vídeos de edições passadas para adrenalinar corpo e alma!

50 deslumbrantes quilômetros por Atibaia

Já acordei ansioso, lá pelas 5 da manhã do domingo, e com tudo pronto para pegar a estrada. Tinha uma hora até Atibaia para os 50K e, honestamente não fazia ideia do que me esperava. 

A organizadora, a Corridas de Montanha, tem o mérito de garantir que o calendário tenha pelo menos uma prova de 50K todo mês – mas a organização pre-prova não é o seu forte. Mapa de percurso, informações sobre o quão técnico ele é, fotos… enfim, nada aparece para ajudar. 

Mas depois que participei da primeira prova deles, praticamente toda corrida em charcos e escalando morros absolutamente úmidos, aprendi a esperar de tudo. 

Técnica perfeita quando não se sabe nada.

Os primeiros quilômetros em Atibaia foram bem mansos: estradões de terra cortavam as montanhas e abriam caminho para vistas deslumbrantes. Muita subida e descida, claro – mas por trilhas leves, fluidas e deliciosas. 

Só em um trecho tive problemas, quando alguns cachorros grandes decidiram fechar o caminho e mostraram intuito de avançar. Com cautela, parei, dei alguns passos para trás e esperei um pouco até que eles desaparecessem para seguir. São coisas das trilhas para as quais sempre devemos estar preparados.

Fiz os primeiros 40km assim, de forma tranquila e relativamente rápida, caminhando pouco e correndo até na mais íngreme das subidas. Até que chegou a montanha.

Ali, nos km finais, a prova mudou.

Correr era impossível: uma single track bem técnica serpenteava a região da Pedra Grande inclusive por trechos em que se podia duvidar da existência de um caminho. As marcações de percurso ficaram escassas mesmo em bifurcações, um erro da organização reclamado por muitos. Errei.

Segui por uma trilha paralela por mais ou menos 1km, voltando apenas quando um outro corredor que já conhecia a região levantou a hipótese de estarmos perdidos.

Voltamos.

Tomamos o outro caminho.

Acertamos, muito embora as bandeiras que sinalizavam o percurso só fossem aparecer mais de 1km depois.

Houve trechos tão íngremes que tive que parar para recuperar o fôlego e deixar o coração bater mais devagar. Depois continuei.

Em um ou outro momento olhei em volta: a vista era simplesmente incrível!

Mas precisava, claro, seguir. E segui.

Uma subida ainda mais íngreme me esperava. 

Joguei fora um pedaço de pau que estava usando como pole improvisado: já não conseguiria mais utilizá-lo por ali.

Subi com mãos e pés, deixando um rastro de suor para trás.

No topo de uma pedra avistei a chegada, lá longe, onde paragliders e asas delta saltavam para o céu. A vista era inesquecível.

A partir dali tudo estava mais fácil.

Segui a trilha e caminhei pelas pedras, respirando o céu azul e vendo a cidade esparramada lá em baixo. 

Quando cheguei, foi hora de respirar fundo e ainda descobrir que tunha levado o 3º lugar por faixa etária! Uma bela surpresa – muito embora, claro, a pouquíssima quantidade de corredores na ultra certamente tivesse contribuído bastante.

Ainda assim, devo dizer que amei essa prova. Sim: a organização foi média e poderia ter melhorado em muitos aspectos, incluindo a quase inexistente hidratação e a marcação fraquíssima do trecho montanhoso. Mas isso é tudo detalhe.

Olhe as fotos, afinal. Dá para reclamar de algo assim?

   
             

Como serão os 50K em Atibaia?

Sendo bem sincero, é difícil de dizer. Ao contrário de muitos circuitos de ultra no mundo, no Brasil há uma espécie de aversão tácita a prover informações aos corredores. Resultados: nos inscrevemos no escuro, sabendo apenas a distância total e deduzindo o resto pelo perfil do organizador. 

No caso de Atibaia, organizado pelo Corridas de Montanha, imagino que será algo bem técnico e possivelmente em um circuito menor que a distância, incluindo assim alguns loops. Sem problemas quanto a isso: diferente da última vez que fiz uma prova deles, agora estou preparado. 

Mas tive uma ideia essa semana: lembrei que, há algum tempo, vi alguns circuitos deles na minha timeline do Strava. Resultado: depois de uma breve caça, percebi que eles mapearam o percurso nessa semana. 

Ponto positivo: agora pelo menos sei que o percurso incluirá trechos longos em estrada (creio que de terra) e uma subida que promete ser deliciosamente intensa. 

Pelo mapa, acredito que os 50K incluirão uma soma de 4 percursos: 3 loops e um bate-volta até o topo de uma montanha. 

Do ponto de vista de elevação, a altimetria acumulada deve ser de 1.840m – um bom número para a distância – com as duas maiores subidas no final. Pelo mapa, no entanto, parece que a chegada será em um local diferente da largada. Não sei se isso procede mas, caso positivo, será bem vindo. É sempre mais empolgante seguir em uma “reta” do que em “círculos”. 

Agora é me preparar. 

E correr.