Desvio de acessos: pegando a estrada para Comrades

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Depois de quase uma semana, está na hora de voltar as atenções para Comrades. Ainda tenho como objetivo conseguir a Back-to-Back em 2015, fazendo os 87km que separam Durban de Pietermaritzburg.

E, claro, o treinamento muda: o percurso é todo em estrada, mais rápido, mais dolorido e com aquele clima que só a rainha das ultras tem.

Não dá para mentir: corridas de rua certamente perderam muito do seu encanto para mim depois que descobri as trilhas e as paisagens deslumbrantes que se escondem por trás de cada montanha ou local abandonado. Mas, ainda assim, Comrades é diferente. E, embora esteja longe ainda, já está na hora de fazer o qualify.

Assim, pelos próximos dias, darei férias a este blog e retomarei as postagens no www.rumoacomrades.com . Até lá!

Vídeo-documentário da Douro Ultra Trail no ar

Para fechar com chave de ouro o excelente trabalho da organização, eles montaram um vídeo com o histórico da prova. Para quem estiver pensando em viajar ao Douro no ano que vem, certamente não faltarão argumentos ao ver esses poucos mais de 6 minutos…

Resultados oficiais da Douro Ultra Trail

Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.

Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.

Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.

Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!

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Douro Ultra Trail: missão cumprida!

Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!

Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.

A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.

Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.

Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.

Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.

O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.

Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.

Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.

Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.

Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.

Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.

E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.

Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.

Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.

E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.

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Checkup de véspera: momentaneamente abaixo das expectativas

Quando um escritor pensa em começar um livro, ele sonha com uma folha lisa e branca de papel; quando um corredor está prestes a encarar um novo desafio, ele sonha em chegar na largada em perfeitas condições.

Hoje, véspera da Douro Ultra Trail, não posso dizer que estou assim.

Ao contrário: ganhei alguns quilos na viagem, estou inchado, com dores nas costas de levar 13kg de filha no ombro para cima e para baixo, com um pouco de dor de garganta e aquela sensação tenebrosa de princípio de gripe.

Para piorar, são 6 da manhã aqui e estou acordado por total falta de sono. Na somatória, aliás, dormi por menos de 4 horas esta noite.

Prospecto meio ruim, certo?

Pois é.

Mas se tem uma coisa que aprendi correndo ultras é que o corpo aguenta sempre mais do que a mente imagina – e que tem uma capacidade incrível de recuperação.

Ainda tenho um dia inteiro antes da largada e, por mais que isso inclua um vôo de Barcelona ao Porto e uma rápida viagem de carro até a Régua, dá para tirar algum descanso.

Aliás, é fundamental que tire descanso de cada segundo dessas próximas 24 horas, me refazendo e me “reposturando”, mesmo que por meio de mantras mentais constantes e muita concentração.

De agora até amanhã o princípio de gripe precisa ter passado; a garganta precisa estar perfeita; o inchaço, desaparecido; as costas, nova; e o ânimo, revigorado.

Já está amanhecendo aqui na Espanha: é hora de descansar.

É hora de desamassar o papel e deixá-lo lisinho para esse novo capítulo de amanhã.

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Por enquanto, a expectativa é de tempo bom na DUT

Diferentemente de uma corrida de rua, o clima tem uma importância sempre determinante nas trilhas. 

Não que uma corrida com chuva torrencial ou sol senegalês não faça a diferença nas ruas: as duas maratonas do Rio que participei, uma em cada uma dessas condições, foram realmente complicadas. 

Mas nada se compara a enfrentar uma trilha na montanha sob tempestado – o que inclui lama e escorregões. 

E, pelo menos até agora, a expectativa é boa. Que se mantenha assim!!!

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Único brasileiro na Douro Ultra Trail

É… aparentemente, a DUT não é a prova mais famosa aqui por essas bandas! Tudo bem: na prática, ela está apenas em sua segunda edição, sendo que a primeira teve um percurso diferente (e mais curto).

Peguei as infos abaixo do site deles:

  • Minitrail de 15km: 223 inscritos (222 portugueses e 1 espanhol)
  • Trail de 44Km: 196 inscritos (190 portugueses, 4 espanhóis, 1 belga e 1 italiano). Há uma observação importante aqui: originalmente, o percurso do trail era de 40km, tendo sido ampliado por questões logísticas. Alguns inscritos manifestaram nas redes a intenção de abandonar a prova, o que significa que esse número deve cair um pouco.
  • Ultratrail de 80km: 109 inscritos (107 portugueses, 1 belga e 1 brasileiro – eu)

No total, portanto, há 528 inscritos – o que faz da DUT uma prova de tamanho respeitável principalmente dado o seu tempo de vida. Pena só ter eu de brasileiro lá – mas tenho certeza que os irmãos do além-mar me receberão bem :-)

Douro Ultra Trail

Percurso da Douro Ultra Trail visto de cima

Dia desses, navegando pela Fan Page da organização da DUT, acabei me deparando com uma série de imagens do percurso feitas de helicóptero. Esta fase de agora, de finalização de todo o processo de transição que começou na semana seguinte a Comrades, é feita de plena e irrestrita ansiedade pela prova-alvo. Isso inclui beber imagens, vídeos, ouvir histórias, conversar com corredores locais etc.

E, claro, uma oportunidade assim de ver essas imagens certamente não ficaria de fora. Veja algumas das imagens abaixo – e, se quiser acessar o álbum completo, clique aqui.

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(e nada impede também de rever o vídeo promo da prova, abaixo):