As opções para a maratona de amanhã

Não, não é uma maratona oficial. Antes fosse.

Na verdade, meu “problema” agora é encaixar no mapa algum roteiro de longão que comporte os 42K previstos para amanhã.

Algumas opções aparecem, com a primeira colocada sendo uma ida e volta até o Horto. Mas há ainda uma rota que costumo fazer até o Burle Marx, lá no Morumbi, com o incômodo de demandar algumas voltas a mais para encher o balde de quilômetros.

Tem também a USP com Parque Villa-Lobos ou a Barra Funda com o Parque Villa-Lobos, ambos com algumas voltas a mais pela densidade paulistana.

Pico do Jaraguá? Poderia chegar lá de UBER, fazer duas vezes o cume e voltar correndo para casa. O problema aqui é que terei que começar mais tarde que o planejado, pois o parque só abre às 7.

Eis a maior dificuldade em treinar para provas realmente longas: achar percursos para os treinões do sábado.

Bom mesmo seria achar e encaixar alguma prova real no calendário…

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Checkpoint: Semana de recarga

Pronto. 

A partir da semana que vem, começa uma nova fase de intensidade. Serão aproximadamente 45K em 3 dias úteis + uma maratona no sábado e pouco menos de uma meia no domingo. Devo bater os 100K e segurar a rotina por 3 semanas – algo que, vale ressaltar, não consegui fazer no último ciclo. Vamos para uma nova tentativa. 

Para a semana que passou, os cerca de 60K rodados foram um descanso bem vindo, embora as coxas estejam levemente doloridas por conta dos dois ‘bate-volta’ no Pico do Jaraguá ontem. Ainda assim, valeu a pena: não é toda semana que tenho uma programação que se encaixe perfeito no maravilhoso pico: menos acaba não compensando, mais pode ser excessivamente pesado. 

Além disso, o tempo fechado e frio de ontem acabou me deixando inteiramente só naquela paisagem deslumbrante, o que sempre transforma a corrida em uma experiência muito mais espiritual do que física. Experiências espirituais valem mais: limpam mente e peito e deixam aquela sensação residual de bem estar correndo pelas veias por horas ou mesmo dias a fio. 

Agora é reforçar a concentração e, na terça cedo, largar para o começo de um novo ciclo. 

  

No teto de São Paulo

Cruzei o portão de acesso do Pico do Jaraguá às 7:10, 10 minutos depois dele abrir: gosto de começar a correr cedo, antes do dia acordar. 

Normalmente, uma pequena fila de carros já está formada a essa hora, com corredores e ciclistas se preparando para enfrentar a subida. Hoje, não.

O frio intenso, a garoa fina e a neblina espantaram praticamente todos. Quase todos: eu, afinal, estava lá.

E amei.

Sem música nenhuma nos ouvidos além do som dos ventos soprando a mata, fui serpenteando a estrada pico acima, desviando das árvores derrubadas pela tempestade da noite anterior e respirando o ar puro, úmido, típico de montanha. 

Fui lento, leve, constante. A cada curva cênica, uma conclusão qualquer sobre um pensamento também qualquer, aleatório, que se instaurava na cabeça. Estava tão só naquela montanha fria, belíssima, que me sentia correndo dentro de um sonho. 

Na medida que subia, o frio apertava. O verde intenso das encostas começou a ceder, sendo coberto por uma película de nuvens que, a cada metro, se engrossava. Em mais alguns quilômetros tudo era branco: enxergar qualquer coisa que não poucos metros de asfalto no chão se tornara impossível. 

Perfeito: não enxergar nada, às vezes, nos faz entender tudo muito melhor. Quando cheguei no alto, no pico, estava dentro de uma nuvem gelada sendo soprado por solitários cordões de vento, uivantes, de uma calma quase monástica. Era hora de descer.

Caminho oposto, sob todos os aspectos. Voei ladeira abaixo, a pace queniano, como se estivesse sendo perseguido por um urso polar. A cada passo, o branco foi cedendo e o verde, gritando. O frio foi cedendo espaço ao suor e até uma paisagem qualquer, em um dado momento, decidiu furar a neblina e se exibir. Havia movimento nela: carros, luzes, passos. 

À minha frente, dois corredores e um ciclista, furaram a solidão e superpopularam o local. Até mesmo algumas vozes decidiram contestar os ventos.

Aí cheguei de volta no carro.

Ao pico ermado, à base movimentada. Correr no Jaraguá tem disso: além da vista deslumbrante, aproveita-se toda uma imersão em metáforas mil e mergulha-se naquela zona densa, funda, encravada lá no interior da espinha. É um dos lugares mais incríveis para se comer quilômetros.

Antes de voltar para casa, fiz mais um bate-volta ao topo, fechando os 18km que tinha programado para o dia. E aí tomei o meu rumo.

Era hora se começar o dia.

Asfaltite aguda

Nunca fui exatamente radical quanto a corridas em trilha: para mim, o que importa mesmo é poder correr, é passar horas a fio cruzando percursos quaisquer imerso nos próprios pensamentos.

Nesse período, de treino pleno para o Caminhos de Rosa, tenho passado mais tempo no asfalto: é mais prático e abre espaço para rodagens mais “amplas”, por assim dizer.

Só há um porém: as paisagens das montanhas e trilhas estão realmente fazendo falta agora.

Talvez tente compensar um pouco treinando no Pico do Jaraguá amanhã… não sei ainda.

Mas essa asfaltite aguda realmente está pesada.

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