Checkpoint: 50K de aventura adicionados ao currículo

Terminar uma ultra sempre dá uma sensação incrível de realização. Não importa tempo ou mesmo condições: importa apenas que ela foi devidamente vencida, gerando medalhas adicionais para as pernas e a mente.

Essa última, então, foi quase épica para mim: estava com noite virada, dores nas costas e nem imaginava que se tratava de uma corrida de aventura até me deparar com um rio a ser atravessado já nos primeiros quilômetros. A partir daí charques, mais rios, subidas e descidas íngremes e muita, muita lama apenas somaram a uma lista de obstáculos não imaginados.

Hoje, passado o primeiro dia, as dores finalmente começam a ceder (exceto pela unha de um dos dedos que, aparentemente, não quer mais ficar nele). Já estou andando normalmente e até encararia uma corridinha leve no final da tarde para abrir uma nova temporada. Mas evitarei: apesar de ter aguentado bem, principalmente por conta da (sábia) troca de um treino por uma massagem na quarta, preciso dar mais algum descanso à coluna.

Semana que vem ainda pegarei um pouco mais leve e, a partir de então, está na hora de focar os treinos na Ultra Estrada Real e em Comrades. Por essas, preciso começar a acrescentar mais velocidade aos longões, que tenho dedicado principalmente a corridas em ritmo baixo entrecortadas por pausas para fotos. De alguma maneira terei que conciliar as duas coisas, pois não quero abrir mão de nenhuma.

Mas, enfim, a estratégia para isso fica para a semana que vem. Por enquanto é hora de deixar o orgulho de ter finalizado a Serra do Mar dominar o restante do domingo!

Screen Shot 2015-01-25 at 4.32.24 PM

50K de aventura na Serra do Mar

A aventura em si começou mesmo na noite anterior: vim com toda a família para o Guarujá para que minha mulher e filha pudessem curtir a praia com mais um trio de amigos enquanto eu me embrenhava na Mata Atlântica.

Bom… por volta da meia noite – hora em que o trio de amigos chegou na praia – todas as ruas em torno do prédio inundaram e ficaram intransitáveis até as 4:00. Para ajudar, a energia também foi embora e, assim, só saberia se realmente conseguiria sair para a prova na madrugada.

Por conta desses imprevistos, acabei com a noite totalmente virada e, às 4:30, com água mais baixa e luz reestabelecida, peguei o carro e fiz o trajeto de 1h30 até a largada.

Uma observação: até aquele momento, eu não fazia nenhuma ideia de que os 50K eram uma corrida de aventura. Para mim, seria uma corrida de montanha normal, com trilhas bem demarcadas, paisagens incríveis e aquela vibração única.

Não foi. Trilha, para falar a verdade, deve ter existido apenas em uns 10 ou 15km entre estrada de terra e single tracks. O resto era tudo mato mesmo – e do tipo pantanoso. Passei boa parte do percurso com água até os tornozelos, cruzei três ou quatro rios, caí em uma poça de areia movediça (que, para ser sincero, eu nem sabia que existia no Brasil) e tomei tanto tombo que fiquei irreconhecível.

Isso sem falar em subidas íngremes e descidas enlameadas, sol forte em uns momentos, neblina espessa em outras e uma sensação de completa solidão no mato. No total, estimo que não mais de 15 ou 20 corredores tenham largado para os 50K – número que se espalha já nos primeiros trechos do percurso.

Terminei marrom, com minha inexperiência em percursos assim somando pouco mais de 8 horas de prova. Cansado? Sim. Mais com dor de cabeça dado que não consegui comer absolutamente nada durante todo o percurso. Mas inteiro.

E também com uma sensação de que faltaram as paisagens bonitas, as vistas deslumbrantes da Serra do Mar. Estas foram, verdade seja dita, “trocadas” pelas visões dos trechos que precisariam ser percorridos – uma mescla de assombração com empolgação.

Resumo da ópera? Amei ter participado de uma prova de aventura, principalmente por ter sido uma ultra com tantos desafios assim. Foi pro “currículo”. Em contrapartida, devo dizer que não é algo que eu esteja tão empolgado assim para repetir. Prefiro mesmo provas mais secas, com trilhas mais existentes e vistas mais inspiradoras.

Agora é hora de pensar na próxima.

2015/01/img_6475.jpg

2015/01/img_6477.jpg

2015/01/img_6476.jpg

2015/01/img_6478.jpg

2015/01/img_6479.jpg

2015/01/img_6480.jpg
Screen Shot 2015-01-24 at 7.48.06 PM