Impressões da primeira prova na montanha

Tudo foi diferente. Primeiro, o próprio ato de acordar e pegar o carro (ao invés de um taxi) e rodar por quilômetros a fio, trocando estradas de asfalto por terra batida. Depois, chegar em um local menor de organização – mas muito mais aconchegante e convidativo – na largada. Para quem está acostumado a largadas em baias e por ondas para conter multidões de 20 a 40 mil pessoas, os pouco mais de 400 (por estimativas minhas) certamente desenhavam uma experiência diferente.

E foi.

Não dá para dizer que essa prova – a etapa Ponte Queimada do circuito Mundo Terra Pé na Estrada – foi feita em trilha. Todo o percurso foi em estrada de terra batida, por vezes com pedrinhas que serviram de dificuldade a mais para quem corre com tênis minimalista (uso um Merrell TrailGloves).

Mas dá para dizer, sem a menor sombra de dúvidas, que foi uma prova de montanha. Já nos primeiros metros havia uma subida BEM intensa, classificada por eles como nível 5 (de uma escala que não tenho ideia até onde vai). Depois, mais subidas. Descobri que corridas fora do asfalto não tem planos: ou se sobe ou se desce. Sempre.

Mas, entre um e outro, durante ambos, há vistas. E essas vistas é que fazem a prova.

Me arrependo de não ter parado para tirar mais fotos: foi apenas uma, de uma montanha sob um céu azul cintilante, logo depois de um rio tão lindo que parecia não se encaixar em um lugar tão próximo da cidade grande.

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Vistas assim se multiplicavam – tanto que o cansaço parecia ceder espaço a uma produção intensificada de endorfina.

Enquanto isso, mais subidas vinham e iam. Andei em algumas – mas recuperei tempo nas descidas. Voei por elas com uma velocidade que nem sabia que tinha. Talvez tenha sido fruto dessas primeiras semanas de treinamento.

No fim, acabei chegando impressionantemente inteiro. Verdade seja dita, não me esfolei tanto nessa prova: realmente peguei leve e encarei como um treino. Mas, por ter sido minha primeira prova fora das ruas, ela teve um peso especial.

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E, se é verdade que a primeira impressão é a que fica, posso me considerar bem feliz. Amei cada metro do percurso.

Agora quero mais.

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Longão? Nada: hoje foi dia de curtinho só para variar

Às vezes, uma corridinha leve é exatamente o que precisamos.

Já estou em Campinas, onde amanhã largo na minha primeira corrida de montanha (sobre a qual as únicas informações que tenho são que ela terá 27km e que devo me encontrar na subprefeitura de Sousas para seguir em comboio até a largada).

Assim, rodar 20 ou 30k hoje pelo Pico do Jaraguá ou pela USP não ajudariam. Acrescentariam volume, claro – mas me deixariam em um estado pouco prático para amanhã.

Saí apenas para um trote descompromissado pelas redondezas de casa antes de pegar a estrada. Fui lento, leve e sem a mochila de hidratação que tem se transformado em parte integrante do meu “corpo em movimento”. Fui seguindo a vista e a vontade, me guiando por incríveis paisagens urbanas que às vezes esquecemos que Sampa tem.

O objetivo do treino de hoje foi um só: soltar mente e corpo. Liberar a tensão da musculatura que, acreditem se quiser, ainda não se recuperou plenamente da trilha do sábado passado, e diminuir a ansiedade.

Funcionou.

Agora é curtir um pouco o sol e a piscina do hotel e sair amanhã cedo, sabe-se lá para onde, para somar essa primeira experiência de correr na montanha!

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