Checkpoint: Sistemas reiniciados e novos em folha

Nada como uma semana depois da outra.

Estafa, desmotivação, sonolência: esses foram apenas três dos adjetivos que marcaram a semana passada. Mas, às vezes, basta identificar um problema pra resolvê-lo.

No domingo passado, respirei fundo. Revi metas, mergulhei em sites e vídeos sobre os próximos desafios para dar uma carga extra à motivação – base de tudo – e recomecei. Simples assim.

Aliás, simples como nas ultras. Nelas, sempre há aquele momento esquisito, escuro, em que tudo parece estar errado e desconectado. O cansaço se acumula, a linha de chegada parece mais distante, o corpo faz de tudo para desistir.

Mas aí basta afastar a negatividade da mente e prosseguir com um passo depois do outro, sem parar. Com o tempo, as nuvens negras cedem, o ar melhora e tudo fica impressionantemente bem. 

Bem até demais, se poderia dizer.

Nesta semana fechei 90km, mais que o planejado originalmente. Uma surpresa, diga-se de passagem, dado que na semana passada mal estava conseguindo caminhar de tanto cansaço.

Adicionei mais subidas, redescobri rotas que estavam esquecidas e aproveitei cada segundo ao ar livre – tanto no sol escaldante quanto na garoa insistente desse clima híbrido e esquisito que tem caracterizado nossos tempos.

Semana que vem a pegada será mais forte: estou, afinal, no pico do treino para a Bertioga-Maresias. Mas quer saber? É sempre inusitadamente perfeito quando picos de treino vem acompanhados mais de sorrisos do que de suspiros.

   
 

Checkpoint: Restart

Com motivação em alta, madruguei hoje para correr por São Paulo. 

Paraty havia ficado para trás e não minto que, durante todo o trajeto de volta, fiquei observando as montanhas do litoral norte paulista caçando trilhas com os olhos e desejando estar perdido nelas. Perfeito: isso confirmou apenas que o mais importante dos ingredientes deste esporte, a empolgação, estava em alta. 

Não foi difícil decidir acordar às 5:30, com um céu nublado ainda escuro e um frio de 11 graus, e rodar pela cidade. Por locais diferentes dos habituais, diga-se de passagem: Barra Funda, Parque da Água Branca, um Minhocão que em instantes serviria de percurso para alguma prova de 10K qualquer, toda a região do centro sujo porém belo da cidade, incluindo Bolsa de Valores, Edifício Martinelli, prédio do Banespa, Municipal etc., subida da Brigadeiro, virada da Paulista, um corte pelo pequeno mas charmoso Parque Trianon e, enfim, encerrando na porta de casa. 

21km em que fiquei curtindo cada passo e ladeira, dividindo a concentração entre pensamentos sobre novos projetos e um audiobook incrível de V.S. Naipaul, A Curva no Rio. 

Cheguei revigorado. 

Agora mal posso esperar para engatar a semana que vem com uma motivação arrebatada para todas as frentes da vida.