Considerações sobre o modelo de treino para correr os 140km do Caminhos de Rosa

Essa será, provavelmente, a semana mais light que já tive em muito tempo.

Faz parte de um modelo novo de treinamento que estou testando para o Caminhos de Rosa. Verdade seja dita, estou adaptando esse modelo tanto de um outro post que li há algum tempo quanto de dicas da Zilma Rodrigues, uma das mais experientes ultramaratonistas que conheço.

A diferença do que vinha fazendo antes – de certa forma, afinal, esse modelo já fazia parte do meu ritmo cotidiano – é que agora estou realmente levando a sério.

Ele prega 3 semanas com volumes altos, praticamente estáveis e “no talo”, seguidas por uma semana de descanso. Não exagero quando falo da radicalidade da volumetria, diga-se de passagem. Por exemplo:

Essa próxima semana é de descanso. No total, terei 4 corridas a fazer: duas de 1h10 (terça e quarta) e 2 de 1h30 (sábado e domingo). É quase que metade do que fiz nesta última semana.

As próximas 3, no entanto, serão diferentes: todas terão 3 corridas de 1h10 em dias úteis mais uma de 4h no sábado e outra de 2h no domingo. Total: 9h30, provavelmente encostando na casa dos 90km rodados por 3 semanas seguidas. A semana depois disso? Uma redução para 6h40 divididas em 5 sessões leves.

E, assim, vou recuperando as energias nas semanas leves e forçando o volume nas altas.

Não há muita preocupação aqui com alta intensidade, embora eu esteja acrescentando mais velocidade nas corridas feitas em dias úteis. A ideia não é essa: uma prova de 140km sob o sol do sertão será percorrida muito mais com resistência do que com explosão. É também por isso que essas 3 semanas pesadas e seguidas servem: para acostumar o corpo a correr mais cansado, forçando um pouco mais os próprios limites.

Uma coisa digo: chegar na semana leve é também uma espécie de meta muito bem vinda. Chegar no portão de casa depois dos últimos passos do domingo foi quase como cruzar uma linha de chegada de uma prova real! Isso também entra na conta: achar motivação ao longo do caminho é sempre fundamental em uma jornada dessas.

Agora é seguir adiante. Por enquanto, estou bem contente com esse modelo, embora ainda seja cedo para falar de resultados práticos.

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Diminuindo as distâncias para aumentar a velocidade

Meu treinador é adepto da troca de distância por velocidade durante treinos para ultras.

Não que a distância deva ser ignorada, obviamente: mas é a obsessão pelos quilômetros que acaba condicionando o corpo a aguentar tempo demais na rua por ritmos desnecessariamente lentos.

O problema, no meu caso, é que eu genuinamente gosto de passar tempo demais na rua. É o único momento realmente meu, de pleno egoísmo, que uso durante um cotidiano abarrotado de tarefas e responsabilidades. Por outro lado, é claro que, como qualquer corredor, também quero melhorar minhas marcas nas ruas e raspar alguns minutos dos meus recordes pessoais.

Se não fosse por isso eu estaria com outro treinador, aliás.

Mas e quando se começa lentamente, sorrateiramente e quase inconscientemente a desobedecer as planilhas? Aqui e ali, tenho me pegado inserindo uma voltinha a mais nesse percurso, uma ladeirinha a mais naquele, 20 minutinhos somados ao longão. Ao invés de ficar na casa dos 50-60km semanais, pulei para os 60-70km.

E ao invés de cortar tempo, fiquei meio congelado nos mesmos paces de sempre.

Ok: minha próxima ultra será apenas em abril, na Estrada Real – e os céus sabem o quanto tenho precisado desses quilômetros a mais no organismo.

Mas está na hora de ajustar um pouco o treino e ouvir mais o treinador.

Na terça, saí para uma primeira sessão conscientizado da necessidade de mudança: uma tempo run de 20 minutos a ritmo sub-5. Consegui completar a meta – mas às custas de uma dor significativa nas pernas. Além do esperado, inclusive.

Tradução: o corpo precisa se adaptar a um modelo de treino mais ágil e curto, mais intenso e menos extenso. Tudo bem: há tempo para isso.

Resta saber se há paciência para ser mais rápido.

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