Como anda o preparo mental?

Para esta prova em especial, o Caminhos de Rosa, o preparo mental vai muito além do que se costuma imaginar em uma ultra. Nada de forçar treinos tediosos simulando horas e mais horas de nadismos pelo percurso: tudo isso é secundário. 

Há que se lembrar do motivo de ser do percurso: uma espécie de ode à inspiração que elevou um sertanejo perdido pelos ermos dos gerais a se tornar um dos – senão “o” – mais genial dos nossos escritores, Guimarães Rosa. 

Sorte dos corredores ter um preparador como estes tão ao alcance. 

Nesses últimos dois meses devorei quase mil páginas do mestre, incluindo toda a saga de Riobaldo em Grande Sertão: Veredas e os primeiros dois volumes de Corpo de Baile com as histórias de Miguilim, Manuelzão, Pedro Orósio, Cara-de-Bronze e Lélio e Lina. Nesses dois últimos meses me tornei íntimo dos sertões que cruzarei em agosto com a ajuda espiritual de todos esses tantos personagens que desafiaram o caos para contornarem aquele estado de ser que nenhum de nós consegue fugir. 

Falta um mês para o Caminhos de Rosa, mais ou menos.

Falta também o terceiro e último volume de Corpo de Baile, Noites do Sertão. 

A largada para esta última etapa do treino começa hoje.

 

 

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Vídeo: Caminhos de Rosa, parte 1

Recentemente, o André Zumzum, Diretor de Prova do Caminhos de Rosa, segmentou o documentário que fez no ano passado em 4 pequenos vídeos.

Já estou em pleno treinamento para a prova e com um nível poderoso de motivação. Nesses momentos, todo e qualquer material – fotos, vídeos, depoimentos etc. – é sempre bem vindo.

E, como há tempo até lá, vou sorvendo esse conteúdo aos poucos, um de cada vez, exatamente como costumamos correr ultras.

O primeiro segue abaixo: dá para sacar a força histórica e o calor intenso em cada cena.

Que venha agosto!

 

 

 

Chuva, chuva, chuva

Essas últimas duas semanas deveriam ser as mais secas e quentes do sudeste ao menos no último ano. Eu nem pediria tanto: ficaria feliz apenas com a falta de chuva. 

Mas não: os Deuses, aparentemente, curtem sincronizar as suas águas com o calendário da Indomit. Comigo, pelo menos, foi assim nos 42K de Bombinhas e nos 100K da Costa Esmeralda. 

A Indomit São Bento do Sapucaí, ao que tudo indica, será tanto corrida quanto nadada. 

Cheguei até a questionar a ida – a perspectiva de escorregar e de tentar me equilibrar em rios de lama me dá uma preguiça digna de Macunaíma. 

Mas aí tem os pontos. Os tais 3 pontos que essa prova me garantirá para a OCC, em Mont Blanc, no ano que vem…

Haverá outras oportunidades para somá-los? Certamente. Provavelmente. 

Mas, em um ano complicado em que o calendário de viagens para corridas ficou invariavelmente mais escasso, melhor garantir do que esperançar. 

Águas, nos veremos no sábado.

   

Procura-se

Apoios para ultra de 140km no sertão mineiro durante o mês de agosto.

Candidatos se responsabilizarão por conduzir um carro a 10km/h atrás de dois corredores principais, iluminando caminhos à noite e essencialmente servindo de babá por aproximadamente 26 horas seguidas. 

Não haverá pausa para dormir. 

Haverá uma ou outra oportunidade para comer, incluindo sofisticadas iguarias como calango e rapadura. Estas oportunidades, no entanto, devem ser aproveitadas com celeridade uma vez que os corredores não podem ficar desassistidos por muito tempo.

No período, temperaturas devem chegar a 45 graus com probabilidade quase nula de chuvas. 

Candidatos devem se preparar para ouvir xingamentos e reclamações de corredores exaustos e sem mais estoque de endorfina. Ainda assim, devem responder com sorrisos e entoar cantos de incentivo.

Remuneração: abraços suados. Muito suados, aliás.

Interessados devem responder a este post. 

  

Corra pelo sertão e litaratura no incrível Caminhos de Rosa

Na quinta-feira, 24 de setembro de 2015, um grupo de ultracorredores partirá para uma daquelas aventuras inesquecíveis que só quem ama as longas distâncias experimenta. 

Nesse caso não basta apenas amar a distância: é necessário estar REALMENTE preparado para ela. Serão 263km cortando o sertão mineiro e seguindo a mesma rota que Guimarães Rosa percorreu e onde tirou inspiração para sua obra prima, Grande Sertão: Veredas

Cada pedacinho de chão lá do norte mineiro, com temperaturas variando de 18 a escorchantes 44 graus, dará aos corredores a oportunidade de viver na pele as letras de um dos maiores gênios que o Brasil já deu ao mundo. 

Paisagens? De chãos talhados a lagos secos, de vidas a ermo a esperanças pairando pelos ares, de suor em cada pedaço azul do céu a noites estreladas como se estivesse flutuando pelo universo: assim deve acontecer a nova edição do Caminhos de Rosa, uma prova icônica organizada pelo André Zumzum e que merece a atenção de todos. 

Destaco a organização porque foi o próprio Zumzum que, como voluntário, organizou a Ultra Estrada Real com uma maestria absoluta, fazendo aquela “prova independente” ser melhor organizada do que muitas, mas muitas provas oficiais mundo afora. 

O que, então, se deve esperar? Dificuldades extremas, um calor infernal, história e literatura s emetamorfoseando em vistas inesquecíveis e muita, muita brasilidade. 

Quer saber mais? Clique aqui, na imagem abaixo (de uma foto tirada do percurso) ou vá ao link http://caminhosderosa.com.br. Se, se tiver coragem de se inscrever, boa sorte! Não estarei lá esse ano – mas certamente participarei em alguma edição futura!!! 
  

Ultra Estrada Real: Relato da prova

Estávamos em 65, já alinhados em Santa Bárbara, quando o relógio bateu 5:40 da manhã. Com os primeiros raios do sol, ainda tímidos, saímos.

O primeiro destino era a cidade de Catas Altas, 22km para frente em um trajeto relativamente plano e que, mesmo com uma pequena (e levíssima) trilha de 2k, foi vencido em pace rápido.

Pelo caminho, os olhos já começavam a colecionar memórias: correr ao lado de trilhos, cruzando colinas e passando por um aqueduto antigo, feito pelos escravos, foi algo incrível.

E seguimos e chegamos. Em Catas Altas, uma leve garoa aliviava o suor e encobria um pouco da majestosa Serra da Caraça, que rodeava a região. Subimos até a igreja matriz, um daqueles exemplares perfeitos da arquitetura colonial, e seguimos viagem até Santa Rita Durão.

Mais 18k em uma paisagem diferente, meio cinza, sempre acompanhada pela Caraça e abrindo vistas deslumbrantes a cada curva.

A partir daqui, nada mais de planos: o trajeto inteiro seria pontuado por subidas e descidas que ainda castigariam as pernas. Tudo bem: pernas castigadas, vistas abençoadas.

Em Santa Rita, outra cidadezinha incrível e extremamente bem conservada, mostrando aos forasteiros um pouco da alma de Minas Gerais. Entre goles de água e uma altimetria que começava a se mostrar intensa, chegamos a Camargos.

Outra pérola, como todas as que fizeram o caminho memorável. Não só elas, aliás: a organização dos voluntários foi impecável!

Havia van à frente, picape atrás fechando o percurso, tropas de bikes ajudando e hidratação e comida em todos os pontos. Apesar da rota inteira ser bem demarcada, alguns corredores se perderam – mas rapidamente esse staff os localizou, conferiu seus nomes em uma planilha e os colocou no caminho certo. Não cito nomes para não deixar a minha memória cometer nenhuma injustiça, mas boa parte do sucesso dessa ultra se deve ao suor desses herois!

E, enfim, de Camargos, subimos uma serra severa, quase sádica, até Mariana. Nesse ponto, comecei a me sentir mal, tendo me superhidratado por uma falha tática: já estava nos 57k e tinha tomado apenas água e em grande quantidade, tirando o equilíbrio de sódio do corpo. Para piorar, isso aconteceu justamente quando o sol decidiu nos castigar e quando as subidas foram piores.

Por sorte, estava com os amigos David, Dirceu e Ilza, que me deram um isotônico em pó e uma cápsula de sal. No caminho, encontrei também a van de apoio que me deu uma Coca. Bem… no total, foram 10km de estresse mas que sintetizaram o que é participar de uma ultra: há sempre os momentos mais “escuros” que passam com um pouco de paciência e conhecimento do próprio corpo – e sempre solidariedade nos corredores parceiros.

Em Mariana, já estava perfeito. As pernas e pés, é verdade, doíam – mas nada além do esperado.

De lá até Ouro Preto seria uma ladeira só de 12km pelo asfalto, subindo sem parar.

E subimos, agora também na companhia da Milva, que estava manuseando dois postos de apoio.

Intercalamos 30″ de trote com 30″ de caminhada, acendendo as headlamps para avisar aos carros que estávamos próximos.

A ladeira foi severa – mas a imagem do sol de fim de tarde queimando as colinas mineiras com as luzes de Ouro Preto iluminando a distância compensou.

Quando chegamos, o clima na cidade era só de festa: os moradores já estavam por dentro da prova e perguntavam, incrédulos, se realmente estávamos vindo de Santa Bárbara.

Viramos na Praça Tiradentes sob palmas e gritos: os outros corredores estavam em festa, celebrando o feito e congratulando a todos que chegavam.

Não há palavra melhor para descrever essa ultra: perfeita. Por 13h23 em seus 88km e quase 2 mil metros de subida acumulada.

Não sei se haverá nova edição, se essa prova se oficializará no calendário ou coisa do gênero. Mas sei que ver uma ideia postada há meses aqui no blog se materializar de forma tão impressionante e mágica foi inesquecível – assim como toda essa experiência de cruzar a história de Minas, atravessando caminhos de bandeirantes e escravos pelas veias por onde pulsou boa parte da economia colonial.

E, embora tantos tenham sido responsáveis pela realização desse sonho, há duas pessoas em especial que não posso deixar de agradecer: Zilma Rodrigues, que chegou 2 horas antes de mim e que agitou a organização pre-prova, e André Zumzum, que deu um show à parte na coordenação do apoio.

Agora é descansar por uns dias, aproveitando a sensação de realização que vem com as linhas de chegada de ultras, e iniciar uma nova preparação. Daqui a dois meses, afinal, tem mais 90k para fazer – e a ansiedade já está batendo forte!

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Conclusões do último longo antes da ultra

Hoje foi um daqueles dias importantes em um treinamento: o último longo antes da largada que, agora, está a menos de uma semaninha de distância.

Minhas principais preocupações eram preparo nutricional (por conta da dieta low carb), cansaço físico e equipamento.

Ponto 1: nutricionalmente, nada poderia estar melhor. Saí de jejum para a corrida (leve) de 2h15 e nem me lembrei de qualquer sensação próxima de fome. Ao contrário, foi como se ficasse mais forte na medida em que o tempo passasse – algo que parece um contrasenso mas que tem a sua lógica. Com o tempo, afinal, o organismo vai ficando mais hábil na conversão de gordura em energia.

A única coisa que me chamou a atenção negativamente foi a sede. Não sei se porque o corpo está retendo menos líquido, mas o fato é que a sensação de sede foi constante. Enfim, aparentemente será algo que precisarei lidar.

Ponto 2: o cansaço físico está mais vinculado aos erros de treino que cometi. Comecei com intensidade demais, atingi meu pico um mês antes do que deveria e passei as últimas semanas forçando uma espécie de “tapering” antecipado seguido de uma escalada gradual em volume. Em outras palavras, estou tentando reparar um estrago que culminou em uma exaustão total há 30 dias. 

Há, claro, aquela insegurança pela redução brusca na quilometragem semanal – algo que faz a mente temer a visão de qualquer ultra. Mas isso é algo que terei que lidar lá, na semana que vem. 

Do ponto de vista de fadiga, as pernas estão melhores e senti um cansaço além do esperado em subidas mais íngremes. Nos últimos km ainda fiquei com as panturrilhas mais pesadas – o que acabou passando depois que mudei o foco e deixei o pensamento voar por frugalidades além da corrida.

De zero a 10, nota 7. Ainda tenho uma semana de ajuste e espero aproveitá-la bem, mesclando treinos com algum descanso. Pouco: a essa altura, estou com a nítida sensação que, se foi o excesso de treino que me derrubou no mês passado, agora pode ser o excesso de descanso que está impedindo uma recuperação mais rápida.

Ponto 3: o equipamento em si sempre é uma preocupação, principalmente em uma ultra meio autosuficiente, onde se deve contar apenas com um apoio mínimo.

Minha mochila é nova, uma RaidTrail de 10L da Quechua. Aguenta 2 litros de água, quantidade que considero ideal, com algum espaço para coisas extras (bateria de telefone adicional, cobertor térmico, pacotes de nozes etc.). 

O único problema é que esse modelo não tem cinto na parte de baixo, o que faz o volume inteiro balançar um pouco. Mas tudo bem: é facilmente administrável. Não vejo problemas aí.

Com o tênis, por outro lado, a questão foi outra. Originalmente usaria um Salomon Sense Ultra, perfeito para trilhas. O problema: o cabedal é muito duro, prendendo os dedos. Na última ultra que fiz, em janeiro, ele foi responsável por evitar muitos escorregões – mas gerou duas bolhas e me fez perder duas unhas.

A opção é um Merrell Ultra, relativamente novo, feito para longas distâncias no asfalto. É a marca que mais curto pela leveza, falta de drop, tamanho do cabedal e resistência. O lado ruim: ele não é exatamente feito para trilhas.

O que fazer então? Bom… como o Merrell está novo, com o solado Vibram praticamente intacto, vou confiar na sua capacidade de grip e optar pelo conforto que proporciona. Como a Estrada Real não deve ter muitas trilhas técnicas (e mais estradas de terra), creio ser uma opção perfeita.

Resumo da ópera, portanto: nutrição perfeita, físico quase lá e equipamento definido.

Tudo a caminho para a Ultra Estrada Real!

  

Ultra Estrada Real: Vans até a largada

Já começo pedindo desculpas pelo prazo apertado, mas somente agora conseguimos articular as vans que sairão de Ouro Preto, na madrugada do dia 4, até Santa Bárbara. 

Na prática, aliás, estamos trabalhando com dois cenários: um micro-ônibus para 25 pessoas ou uma van para 15. 

Tudo depende da quantidade de pessoas que efetivamente confirmarão, então nosso prazo também está apertado.

Por conta disso, já sendo prático, vamos às infos:
 

– A van custará R$ 50,00 por pessoa. Ela poderá parar em cada uma das cidades do percurso mas, até o momento, a lista de interessados inclui pontos em Ouro Preto, Mariana e Catas Altas. 

 – Em seguida, a van retornará até Ouro Preto 

 – O prazo para pagamento e confirmação é até o final desta próxima terça, 31/03. 

Isso é importantíssimo: quem quiser deve fazer o pagamento até esta data, impreterivelmente. 

 O pagamento deve ser feito pelo site do Caminhos de Rosa, outra corrida organizada pelo André Zumzum, no link http://caminhosderosa.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=van 

É isso! 

Dúvidas, por favor mandem email diretamente para ele e para mim nos emails andrepuc_vet@hotmail.com e emailnacorrida@gmail.com

 Hora de correr para garantir o traslado!!

 

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Ultra Estrada Real: Inscrições encerradas e contagem regressiva iniciada!

Pois é.

Agora somos, oficialmente, 105 inscritos para fazer a Ultra Estrada Real no sábado anterior à Páscoa, 4 de abril. A lista completa de participantes está aqui e, a partir de agora, começamos a contagem regressiva para a largada!

Boa sorte a todos os que participarão nesse evento que, pessoalmente, considero incrível pelas suas características: marcado 100% via redes sociais e blogs, gratuito, sem nenhum tipo de sofisticação mas que cruzará uma rota histórica, de beleza indescritível e ideal para esse grupo multifacetado de corredores de todos os cantos do Brasil.

Nos vemos às 5:30 da manhã em Santa Bárbara!

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Ultra Estrada Real: Inscrições até o domingo!

Sim, há manifestação para todo lado de hoje até domingo, o que deve ocupar pauta, noticiários, acirrar ânimos em redes sociais etc. E longe de mim querer que a UER dispute espaço com eventuais mudanças de rumo no país como um todo… Mas é sempre bom lembrar que as inscrições para a Ultra ficam abertas apenas até este domingo, dia 15!

Depois disso, fecharemos a lista e passaremos ao Instituto Estrada Real, que providenciará os certificados, e para a organização dos pontos de apoio.

Ou seja: quer correr em um percurso histórico, lindo, cercado de amigos em um espírito de confraternização e paixão total pelo esporte? Então a hora é essa.

Link de inscrição: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/formulario-de-inscricao/

Sobre a Ultra: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/sobre-a-ultra/

Sobre o percurso: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/o-percurso/

Fotos do percurso: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/fotos-do-percurso/

Informações importantes: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/informacoes-importantissimas/

Largada, chegada e pontos no percurso: https://rumoastrilhas.com/ultraestradareal/largada-chegada-e-pontos-no-percurso/

Infos sobre o troféu de lembrança: https://rumoastrilhas.com/2015/03/02/ultra-estrada-real-teremos-um-trofeu-para-os-concluintes/

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