Seria o excesso de amortecimento?

Liguei o sinal amarelo desde que senti o joelho direito há algumas semanas. Aparentemente não foi nada preocupante: de lá para cá já fiz longões consideráveis e me mantive ativo sem tirar quase nenhum quilômetro do planejado. Só fiz uma coisa: troquei o Merrell Ultra, tênis sem drop mas com um amortecimento de alguns milímetros, pelos Vibram Fivefingers ou Merrel TrailGloves – ambos minimalistas ao extremo.

Hoje saí com o Ultra. Resultado: nova fisgada no joelho em menos de 2km! Não forcei: dei meia volta.

Não costumo colocar a culpa em tênis ou acessórios quaisquer: a “culpa”, por assim dizer, é sempre da biomecânica. Mas talvez… talvez esteja tão habituado ao minimalismo que amortecimentos simplesmente atrapalham, machucam, enganam os pés e o corpo quanto à tactilidade do solo.

Enfim, é uma teoria que será testada no longão de sábado. Sem amortecimento, claro!

  

Conclusões do último longo antes da ultra

Hoje foi um daqueles dias importantes em um treinamento: o último longo antes da largada que, agora, está a menos de uma semaninha de distância.

Minhas principais preocupações eram preparo nutricional (por conta da dieta low carb), cansaço físico e equipamento.

Ponto 1: nutricionalmente, nada poderia estar melhor. Saí de jejum para a corrida (leve) de 2h15 e nem me lembrei de qualquer sensação próxima de fome. Ao contrário, foi como se ficasse mais forte na medida em que o tempo passasse – algo que parece um contrasenso mas que tem a sua lógica. Com o tempo, afinal, o organismo vai ficando mais hábil na conversão de gordura em energia.

A única coisa que me chamou a atenção negativamente foi a sede. Não sei se porque o corpo está retendo menos líquido, mas o fato é que a sensação de sede foi constante. Enfim, aparentemente será algo que precisarei lidar.

Ponto 2: o cansaço físico está mais vinculado aos erros de treino que cometi. Comecei com intensidade demais, atingi meu pico um mês antes do que deveria e passei as últimas semanas forçando uma espécie de “tapering” antecipado seguido de uma escalada gradual em volume. Em outras palavras, estou tentando reparar um estrago que culminou em uma exaustão total há 30 dias. 

Há, claro, aquela insegurança pela redução brusca na quilometragem semanal – algo que faz a mente temer a visão de qualquer ultra. Mas isso é algo que terei que lidar lá, na semana que vem. 

Do ponto de vista de fadiga, as pernas estão melhores e senti um cansaço além do esperado em subidas mais íngremes. Nos últimos km ainda fiquei com as panturrilhas mais pesadas – o que acabou passando depois que mudei o foco e deixei o pensamento voar por frugalidades além da corrida.

De zero a 10, nota 7. Ainda tenho uma semana de ajuste e espero aproveitá-la bem, mesclando treinos com algum descanso. Pouco: a essa altura, estou com a nítida sensação que, se foi o excesso de treino que me derrubou no mês passado, agora pode ser o excesso de descanso que está impedindo uma recuperação mais rápida.

Ponto 3: o equipamento em si sempre é uma preocupação, principalmente em uma ultra meio autosuficiente, onde se deve contar apenas com um apoio mínimo.

Minha mochila é nova, uma RaidTrail de 10L da Quechua. Aguenta 2 litros de água, quantidade que considero ideal, com algum espaço para coisas extras (bateria de telefone adicional, cobertor térmico, pacotes de nozes etc.). 

O único problema é que esse modelo não tem cinto na parte de baixo, o que faz o volume inteiro balançar um pouco. Mas tudo bem: é facilmente administrável. Não vejo problemas aí.

Com o tênis, por outro lado, a questão foi outra. Originalmente usaria um Salomon Sense Ultra, perfeito para trilhas. O problema: o cabedal é muito duro, prendendo os dedos. Na última ultra que fiz, em janeiro, ele foi responsável por evitar muitos escorregões – mas gerou duas bolhas e me fez perder duas unhas.

A opção é um Merrell Ultra, relativamente novo, feito para longas distâncias no asfalto. É a marca que mais curto pela leveza, falta de drop, tamanho do cabedal e resistência. O lado ruim: ele não é exatamente feito para trilhas.

O que fazer então? Bom… como o Merrell está novo, com o solado Vibram praticamente intacto, vou confiar na sua capacidade de grip e optar pelo conforto que proporciona. Como a Estrada Real não deve ter muitas trilhas técnicas (e mais estradas de terra), creio ser uma opção perfeita.

Resumo da ópera, portanto: nutrição perfeita, físico quase lá e equipamento definido.

Tudo a caminho para a Ultra Estrada Real!

  

Checkpoint 6: Novo tênis, nova rotina de subidas, longão acima de 4 horas

Essa semana trouxe três “novidades” importantes ao ciclo de treinamentos. O primeiro, claro, foi o tênis: sem me adaptar direito à forma do Merrell Trail Gloves, que me causou duas bolhas, acabei migrando para o Sketchers GoBionic Trail por indicação do Jósa, do Endorfine-se.

Hoje foi o terceiro dia que rodei com ele, mas o primeiro realmente longo. Sendo bem direto: ele funciona. Adapta-se bem aos pés, tem um grip forte o bastante e é minimalista dentro das possibilidades de minimalismo das trilhas. Falo isso porque, sendo bem sincero, o tamanho do seu solado é a única coisa que me incomoda – muito embora ele cumpra o papel de proteger os pés das “abruptidões” encontradas fora do asfalto. Mas meu desejo mesmo era que os pés criassem calos e ficassem imunes a bolhas para que pudesse voltar ao modelo mais natural do Merrell. Enfim… quem sabe um dia isso não aconteça?

Outro ponto importante: inseri a subida da Ministro Rocha Azevedo em todos os treinos, acrescentando uma pequena volta no caminho para casa e uma grande ladeira. Estava sentindo falta de mais subida, principalmente depois de fazer os cálculos de altimetria do DUT e, embora saiba que o problema não foi “resolvido”, estou seguro de ter pelo menos amenizado um pouco. Agora é dar tempo ao tempo.

Finalmente, o terceiro e último ponto importante dessa semana foi o longão acima de 4 horas, algo que já estava sentindo falta e que acabei fazendo hoje mesmo por conta de um imprevisto que tive ontem. Resultado: rodei pouco menos de 40K e me senti bem – muito bem. Isso tudo em uma USP no domingo chuvoso, totalmente deserta e com um silêncio quase zen. Perfeito.

Semana que vem tem mais coisas interessantes acontecendo, incluindo uma viagem a trabalho para Paraty na quinta. Como voltarei apenas no domingo, isso me deixará correr por aquela paisagem incrível do sul carioca, rodando morros e bebendo os mares com os olhos, por horas a fio. Tem treino melhor do que esse?

Gráficos da semana abaixo:

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#BoasTrilhas

Passos doloridos com o Merrell Trail Gloves

Estava na hora de trocar de tênis: o Merrell Barefoot que usei ao longo do treino e da prova em Comrades estava já se desfazendo, com quase 1,5 mil quilômetros rodados. Aliás, esse é um dos pontos mais positivos de tênis minimalistas: como eles não tem acolchoamento, tendem a durar muito, muito mais do que os “normais”.

Passei para um outro par que havia comprado há algum tempo, o Merrell Trail Gloves. Basicamente, o tipo de solado é o mesmo (Vibram), só que mais grip, e a estrutura é um pouco diferente. E eis que veio o problema.

Veja a foto do solado abaixo: perceba que ele é extremamente cavado na curvatura interna do pé.

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O resultado disso: no longão do sábado passado, ganhei duas bolhas justamente nessa área: uma em cada pé.

Por mais que eu seja um fã da Merrell e do solado Vibram, não dá para imaginar correr uma ultra de 80km com dores chatas como as de bolhas se agravando a cada passo.

Ainda tentarei algumas corridas com eles para ver se crio algum calo que me livre do problema – mas não quero deixar a solução para as vésperas da DUT (ou da Indomit K42, em algumas semanas, que também participarei).

Em algum post antigo, o Jósa, do Endorfine-se, me sugeriu um tênis da Sketchers (o GoBionic Trail, review completo aqui). Procurei, procurei, procurei… mas não achei em lugar nenhum.

Mudei de marca e fui para a linha Minimus, da New Balance. Tem solado Vibram, o que é bom, mas com um grip que considero apenas médio. A parte ruim mesmo é que ele tem um drop de 4mm (e estou acostumado a zero). Mas, na prática, acho difícil que isso realmente atrapalhe.

Vamos ver como ele se comporta nos treinos. Se não funcionar bem, resta torcer para que os pés criem calos nos locais das bolhas para que eu possa voltar ao Merrell que, afinal, está novinho!

Atualização: tanto o Jósa quanto a própria Sketchers me mandaram links para lojas vendendo o GoBionic Trail (no que agradeço imensamente a ambos!). Desisti do New Balance e o comprei agora à noite.

Agora é esperar que ele chegue, arrancar a palmilha para que o drop fique zerado e testar nas trilhas!!

Merrell Barefoot: o tênis perfeito?

Há anos que fiz a transição para tênis de estilo barefoot – os ultra minimalistas com drop zero. No início, corria com Vibram FiveFingers, que até hoje considero um dos melhores do ponto de vista educativo.

Sem praticamente nenhuma estrutura, funcionando mais como uma luva do que como um tênis, o Vibram meio que força o corredor a adotar uma postura mais correta, pisando com o peito do pé. E isso fez maravilhas para mim, eliminando, por exemplo, as (então) sempre presentes dores no joelho após períodos mais longos na rua.

Que fique claro: o milagre não é feito por nenhum tênis, mas sim pela adoção de uma postura biomecanicamente correta. O tênis, no entanto, ajuda com um empurrãozinho importante.

Mas o Vibram tinha dois problemas: a falta total de estrutura começa a incomodar em distâncias mais longas e, claro, a sua aparência exótica rende comentários e olhares desnecessários e “desconcentradores”.

O que havia de alternativa? Fuçando na rede, acabei descobrindo a marca Merrell, que uso faz bastante tempo.

O solado é duro e resistente como o do Vibram, sendo inclusive fabricado pela mesma empresa; há alguma estrutura, embora pouca; o cabedal (parte da frente) é bem grande, dando espaço aos dedos e evitando de bolhas a unhas pretas; e o drop continua sendo zero.

Em outras palavras: é o Vibram sem nenhum dos seus problemas.

Já usei o Merrell Barefoot em maratonas e nas duas ultras que fiz, Two Oceans e Comrades: ele foi perfeito. Mesmo as dores no pé (por conta da falta de amortecimento) nos 90K em asfalto da Comrades não foram nada considerando que joelhos e articulações como um todo saíram praticamente ilesos.

A dúvida agora seria usar ou não os Merrells nas trilhas. E, pensando no caso, acabei lendo o nome inteiro do modelo que tenho, o que trouxe uma resposta óbvia: Merrell Barefoot Trail Glove.

O grip e a resistência do solado Vibram realmente são indiscutíveis – e creio que isso seja 90% do que um tênis de trilha precise. Certo?

Para falar a verdade, minha total falta de experiência fora do asfalo me impede de dar uma resposta mais segura. Mas uma coisa é certa: estou prestes a descobrir!

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