Para a lista: Parque do Carmo

De acordo com a meteorologia, o sábado que vem será abençoado por mais chuva. Ótimo para as represas paulistas, péssimo para os meus planos de desbravar a Cantareira!

Tudo bem: o final de semana ainda está longe e São Pedro pode mudar de ideia até lá. Mas um plano B é sempre bem vindo.

Com isso em mente, abri o Google Maps e fiquei buscando manchas verdes no mapa de Sampa. Cortei as que já conheço: Ibirapuera, Horto, Villa-Lobos, Pico do Jaraguá, Parque do Povo, Ipiranga, Aclimação, Jardim Botânico, Luz, Água Branca… foi até inspirador notar que já conheço tanto parque na cidade!

Aí notei uma mancha grande, lá na Zona Leste, que nunca tinha passado pela minha cabeça: o Parque do Carmo.

Pesquisei.

Tem de tudo: trilhas, circuitos pavimentados, gramadões e muitos, muitos hectares de puro verde. E o melhor: abre a partir das 5:30, sem esse negócio de fechar quando estiver chovendo.

Peguei ainda algumas fotos na Web, que coloco abaixo, apenas para me certificar de que vale a pernada. E vale.

Não vou dizer que o Carmo se transformou em meu plano A: ainda estou doido de curiosidade para me enfiar na Cantareira, principalmente depois de degustá-la, de leve, por meio das cercas furadas no Horto.

Mas também não vou dizer que seria um plano B melancólico.

Resultado: faça sol ou faça chuva, o sábado me reserva 4 horas de trilhas novinhas em folha!

IMG_6204.JPG

IMG_6202.JPG

IMG_6201.JPG

IMG_6203.JPG

IMG_6200.PNG

O olho que enxerga as trilhas

Dizem que os nossos olhos enxergam melhor algo que já reconhecem. É verdade.

Esse é o quinto ano seguido que venho a Paraty participar da Flip e, nos últimos três, aproveitei para fazer corridas sempre bem vindas pela cidade ou por trechos da Rio-Santos. O visual dessa região nunca cansa, mesmo considerando que os pés estavam sempre sobre o asfalto (ou, no máximo, os paralelepípedos do centro).

Nunca nem pensei na possibilidade de haver trilhas legais por aqui – e, por conta disso, nunca percebi a existência de nenhuma.

Hoje foi diferente.

photo 2

Saí com o sol ainda nascendo, saindo em direção à Rio-Santos com o objetivo de caçar alguma trilha pelas montanhas do outro lado. No caminho cheguei até a me perguntar se encontraria algo, duvidando do que agora parece óbvio.

É claro que encontrei. Por todas as partes das encostas pequenas trilhas se abriam, subindo em meio ao verde úmido da Mata Atlântica. Eram tantos caminhos que, honestamente, não consegui entender como nunca os percebi antes!

Escolhi um. 50, 100, 200 metros e topei com uma pequena casa. Perguntei ao morador se havia alguma forma de subir a montanha correndo e ele logo me apontou duas opções.

Escolhi uma. Subi. Alguns pontos foram mais íngremes, outros mais escorregadios, outros mais fechados, todos incríveis. Perfeitos. Em meia hora cheguei ao fim do caminho que havia escolhido, tempo o suficiente para voltar dentro da minha programação.

Na volta, comecei a perceber, bifurcações claras, algumas inclusive sinalizadas, apontando outras trilhas que davam para outros caminhos, matas e vistas. Perfeito.

De alguma forma, senti como se estivesse descobrindo algo novo nessa corrida que nasceu de maneira tão despretenciosa. Foi como se todo um mundo que eu desconhecia decidisse se apresentar de uma vez só sob o céu azul da costa carioca e o verde abundante da mata.

Em uma palavra: inesquecível.

Não foi a trilha mais bela do mundo – mas foi a que mostrou que há todo um mundo de trilhas pronto para ser desbravado por qualquer um que estiver com um mínimo de vontade.

photo 1

Screen Shot 2014-08-01 at 12.52.32 PM