Checkpoint: Hoje, só gráficos

Não há nada além deles que poderia escrever hoje: ainda estou impressionado com as paisagens impressionantes pelas quais corri pela manhã aqui no Ceará.

Só amanhã para conseguir escrever mais sobre elas…

Enquanto isso, apenas uma observação: para que conseguisse analisar melhor a evolução, cortei um pouco os gráficos para que iniciassem no começo de junho deste mês. O resto está todo aqui, armazenado para uma análise de longo prazo quando esta se fizer necessária.

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Buscando a paisagem “errada”?

Esse será o cenário para a semana que vem inteira:

  
Perfeito, não? Praia calma, águas refrescantes e aquele clima zen que só o nordeste consegue entregar ao país.

É nessas horas que descobrimos o quanto corredores devem mesmo ter problemas. 

Usei o Google Street View na região que estarei, no litoral cearense, e eis o que apareceu: 

  
É mais ou menos em ruas de terra assim, castigadas pelo sol inclemente e beirando paisagens que se situam entre a miséria e o bucólico, que correrei nos próximos dias. 

Curiosamente, estou muito mais empolgado com esse novo território para correr do que com qualquer praia. 

Vai entender…

Inundação

Acho que nunca, em nenhum outro momento, tomei tanta chuva quanto agora à noite. 

Quando saí para correr, já nas primeiras horas da noite, o céu até parecia claro. Um friozinho leve, quase imperceptível, aliviava os passos e embalava a corrida. O parque estava vazio, o que dava uma sensação de liberdade até maior – além de impregnar o horário de rush de uma sexta com um tom estranho, quase exótico. 

Quando terminei a primeira volta, uma ou outra gota pontuou o chão. De leve. Finas. Separadas por metros. 

Continuei para a segunda volta – queria fechar 15K hoje. 

Na metade da segunda volta, a água decidiu desabar. 

Relâmpagos iluminaram o céu. 

Trovões simularam fogos de artifício dignos de finais de Copa do Mundo. 

Pingos grossos pareciam capazes de furar o asfalto, raivosos, estressados. Em um determinado momento, parecia que os Deuses haviam despejado seus baldes sobre o Ibirapuera. 

Apertei o passo, agora preocupado com a capacidade da braçadeira de manter seco o celular. Pelas ruas, puro caos: rios margeavam as ruas, sacos de lixo atravessavam bueiros, carros buscavam escapar de enchentes. Na Estados Unidos, cruzei de um lado a outro saltando obstáculos como se estivesse em uma corrida de aventura. 

Na Bela Cintra, a força das águas descendo a ladeira quase me derrubou uma, duas, três vezes. 

Estávamos inundados: a cidade e eu. Na verdade, era tanta água que seria difícil nos distinguir: éramos um só morro de massa disforme no caminho das cachoeiras urbanas. 

Mas fui, me movendo como podia. Com cautela para evitar passos em falso, caindo em buracos camuflados, mas ainda assim com a pressa de quem quer terminar logo. 

Depois de alguns minutos, terminei. 

Entrei no prédio mais molhado do que se tivesse morrido afogado. Olhei para o relógio: meta cumprida. 

Olhei para o celular: funcionando. 

Respirei fundo. 

Encerrei o dia.

  

Emendando noite com dia

Ontem acordei empolgado. Estava inteiro, intacto e com sede da rua. 

Tinha uma reunião no Shopping JK, nas redondezas da Faria Lima, que terminaria entre 18:30 e 19:00. 

Na programação, tinha uma hora incluindo alguns tiros para acelerar a musculatura. Mas 1 hora era pouco. 

Saí do Shopping tomando o rumo do Ibirapuera em uma sessão improvisada de 1h30 com 3×15′ de tempo run. Voei pela avenida e por duas voltas ao redor de um Ibirapuera frio, escuro e curiosamente deserto. Foi bom: pouca gente equivale a mais espaço. 

Cheguei tarde em casa. Cansado pela intensidade do treino, mas inteiro. 

Por conta da viagem no sábado, teria treino também no dia seguinte – hoje – à noite. Mas não deu. 

Ou melhor: deu demais. Acordei às 6:00 com uma empolgação em alta e tempo de sobra – só precisaria sair para o trabalho às 9. 

Voltei ao parque, mais uma vez para uma sessão de 1h30, embora sem os tempos de ontem. Peguei o sol nascendo no caminho, cortando a Groenlândia, e os primeiros raios na trilha do parque exalando aquele cheiro de manhã incrível. 

Não vou mentir: emendar um treino à noite com outro na manhã seguinte cansa – mas canaço faz parte. E, desde que não desmotive, desestimule ou lesione, faz bem. Cheguei em casa às 8, pronto para começar o dia com a endorfina pulsando forte nas veias. 

E, curiosamente, pensando já no treino de amanhã…

Às vezes nem sabemos o que ou como uma determinada explosão de motivação surge – mas, sempre que isso acontece, é importante agarrá-la como se não houvesse amanhã e exaurir cada gota de energia possível. 

Suar, afinal, faz um bem inacreditável. 

  

Replanejando (de novo)

Desta vez, no entanto, não é por nenhum problema mais dramático. Ao contrário: neste sábado farei uma espécie de “mudança temporária de CEP”. Me mudarei, ainda que por uma semana, para o litoral cearense. 

Poucos termos parecem mais apropriados, aliás, do que “mudança de CEP”: afinal, continuarei trabalhando normalmente, fazendo reuniões via Skype e tocando a vida como se a geografia fosse irrelevante. Do ponto de vista dos treinos, no entanto, haverá impactos. 

A minha ida será no sábado pela manhã, me fazendo chegar ao destino apenas a noite. O Ceará é mais longe de São Paulo do que costumamos supor. Minha volta será no sábado seguinte, também matando todo o dia. 

Resultado: perdi dois dias de longões. 

Há o lado positivo, claro: não se pode falar em “perda” quando se vai passar uma semana sob o sol nordestino. Pode-se falar em rearranjo. 

O primeiro já está em curso: esta semana teve treinamento na segunda, descanso na terça (até porque tive que fazer um bate-volta até Brasília, a trabalho) e ritmo puxado de hoje a sexta. Por puxado, entenda-se de corridas de 1h30 a tiros e intervalados. 

Meu próximo longão será no domingo, com 3 horas pelo litoral – embora esteja pensando em fazer um pequeno teste que possivelmente mude isso. 

E se, ao invés de deixar o longão para o final de semana, o fizer na sexta a noite? Alguns amigos meus o fazem como maneira de poupar o sábado para a família e nao nego que isso já passou pela minha cabeça algumas vezes. Claro: esse é um tipo de mudança que altera todo o estilo da corrida: mesmo que consiga sair do trabalho às 18, algo difícil, ficaria rodando por parques até as 21:00, já tarde. 

Ainda assim, talvez valha um teste – uma espécie de rereplanejamento. Veremos nos próximos dias. 

Mais mudanças, claro, virão na semana que vem. Estarei no Pontal do Maceió, com possibilidade de correr na areia da praia e sob o sol escaldante, perfeito para sessões diferentes de treino. 

Espremerei 4 dias de treino no período, incluindo um longão na sexta de 3 horas. Nesse aspecto, aliás, estou na mais pura empolgação: mudanças de cenário, principalmente as mais drásticas, são sempre bem vindas.

E, no final das contas, tudo isso servirá também de teste, de experiência para ver como corpo e mente se adaptam a rotinas diferentes. 

  

‘Finding Traction’ disponível online

Faz tempo – muito tempo – que eu quero ver o filme ‘Finding Traction’, com a corredora Nikki Kimball. Em linhas gerais, é um documentário que narra a jornada dela pelos 440km das Green Mountains, nos EUA.

Claro: tudo o que costuma acontecer em uma ultra – mesmo as “pequenininhas” – aparece de maneira concentrada aqui. Inspirador.

E agora disponível no Youtube.

Para quem quiser ver, é só apertar o ‘play’ abaixo.

Diverta-se:

Checkpoint: Sobre mochilas de hidratação, centro de gravidade e biomecânica

Nada melhor que um giro de desbravamento por alguma cidade, praia ou montanha para estabilizar corpo e mente. E por estabilizar, neste sentido, entenda-se esfriar a cabeça, aquecer o peito e deixar o corpo em estado mais sólido. 

Ainda não estou 100% daquela dor no joelho direito – mas agora já posso chamá-la de um leve incômodo que desaparece na medida em que passos são dados na rua. Principalmente, aliás, quando estou sem a mochila de hidratação. 

Li em algum lugar que mochilas tem esse lado negativo, de forçar uma espécie de quebra na biomecânica e atrapalhar o delicadíssimo equilíbrio que se traduz em um centro de gravidade claro. Confirmei isso ontem, depois da (inspiradora) corrida pela Mooca e centro de São Paulo. No total, fiz apenas o equivalente a uma meia maratona – mas pausas para fotos e para checagem do mapa fizeram o tempo se estender por cerca de 3 horas. Resultado: no período da tarde, quando o corpo já estava frio e livre de qualquer resíduo de ácido láctico, o tal incômodo (que não dava as caras faz dias) voltou a me visitar.

Pensei bastante antes de correr hoje…. mas o dia estava tão azul, tão convidativo, que fui guiado quase que espiritualmente até o tênis. Para a minha surpresa, não senti nem vestígio de dor. Foi o suficiente para me levar à conclusão relacionada ao uso da mochila. 

Bom… mas essa conclusão, verdade seja dita, não me serve de nada: em longos percursos, usá-la é algo simplesmente obrigatório. Terei apenas que redobrar a atenção quando o fizer, garantindo que ela meio que seja parte integrante do corpo, por assim dizer. 

Correndo e aprendendo :-)

   
 

Mooca: Correndo pela Era Industrial de Sampa

Tudo bem que o plano era fazer 30km em 3 horas… mas quem se importa?

A ideia mesmo era desbravar a pé uma região de São Paulo que, exceto por uma ou duas incursões de carro no passado, permanecia um mistério para mim: a Mooca.

E, assim, saí Paulista afora programando um giro antes pelo Parque da Aclimação. Os objetivos lá eram três: aproveitar os primeiros raios de sol cortando um céu azulíssimo em um lugar realmente lindo; acostumar os olhos às pequenas casinhas da região, já com ares da década de 50 ou 60; e evitar passar pelo Glicério, perigoso demais mesmo pra aquelas horas.

De lá, entre uma e outra ladeira, passei pela D. Pedro I, já próximo do Ipiranga, Cambuci e, de repente, estava atravessando trilhos de trem. Uma avenida imensa de trilhos, diga-se de passagem, o que alertava para a chegada na Era Industrial de São Paulo. 

  
Estava na Mooca.

De lá, cruzei algumas ruas e me deparei com o Teatro Arthur Azevedo – uma construção com ares de 1960, meio acinzentada e ainda sólida.  

 
Segui pela Paes de Barros. Havia uma rua ali famosa por ter mantido as típicas casas de operários e imigrantes italianos, a Henrique Dantas. Cheguei nela no exato instante em que velhas moradoras, provavelmente amigas de décadas, se despediam na porta de casa. 

   
   
Perfeito. A rua parecia sair de um filme de época, intocada, colorida, meio enferrujada. 

Mas precisava seguir. De lá, passei no velho e tradicionalíssimo estadio do Juventos na Rua Javari, outro símbolo da imigração italiana, e por incontáveis galpões industriais.

   
   
Tudo ali, incluindo um museu destinado à imigração à beira de outro conjunto de trilhos que ainda contavam com uma Maria Fumaça, respirava décadas de 40, 50, 60. Era a base, por assim dizer, da origem das fortunas modernas paulistanas. 

  
E correr por ali foi cruzar o tempo.

Voltar, ainda por cima, me faria refressar o calendário ainda mais. Segui pelo centro, atravessando um viaduto que deixava à mostra, lá em baixo e de longe, a Baixada do Glicério. Colorida, perigosa, mendigada, traficada, populosa. Até deu vontade de mergulhar naquele caos por alguns instantes – mas preferi escutar o juízo e voltar.

Tomei o caminho da Sé, passando pelo Centro Histórico, cortando a Avanhandava e tomando a Augusta.

   
 
Estava em casa e 3 horas já haviam se passado. Mas a quilometragem? Bem…. entre pausas para fotos e para conferir o Google Maps, mal cheguei aos 21km!

Sem problemas: a distância se compensa amanhã. Hoje, no entanto, foi dia de deixar entrar pálpebras adentro memórias de uma São Paulo que nunca vivi, em tempos passados e lugares distantes, mas que me deixarão fascinados por muitos e muitos anos.

Há que se amar essa metrópole.

(Clique para acessar o mapa interativo)