Em 60 minutos.

Em 60 minutos, deixo a minha sacola com roupas e mantimentos para os campings na organização do Cruce. 

A partir desse momento, ficarei apenas com roupas e equipamentos para largar às 08:20 de amanhã, 12/02.

A partir desse momento, o Cruce efetivamente começará para mim. 

E, como não poderia deixar de ser, a ansiedade parece espessa ao ponto de impedir que eu consiga raciocinar além desses mesmos 60 minutos. 

Pela previsão do tempo, teremos 3 dias mais frios e com chuvas entre os finais de tarde e noite. Durante os percursos, no entanto, o céu claro deve reinar, abrindo caminho para vistas que certamente serão memoráveis. 

Pelo que vi na Internet dos grupos de corredores que já largaram, houve certamente muito mais sorrisos do que sofrimento estampado em seus semblantes. Bom sinal. 

Pelo que estou sentindo nos rostos de todos os corredores que ainda se preparam, incluindo os três novos amigos brasileiros que fiz aqui (Márcio, Francisco e Reginaldo, todos largando junto comigo), o desejo de se teletransportar até o dia de amanhã é generalizado. Ô, tempo que não passa quando queremos que ele voe!

Exceto por estas poucas conclusões ou previsões, não sei de mais nada. Não sei sequer se conseguirei postar alguma coisa de lá das montanhas, embora a lógica diga que não. Se for o caso, atualizo o blog quando voltar, no domingo, recheando-o com fotos e descrições mais próximas da realidade do que do imaginário. 

Enquanto isso, o que fazer? Não há remédio: sentar aqui, com um olho na sacola e outro nos ponteiros aparentemente congelados do relógio. 

Por 60 longos minutos.

   
 

Anúncios

A retirada do kit: organização que impressiona

Confesso que a fila que dava a volta ao quarteirão não me animou muito – mas há coisas que nenhuma organização consegue impedir.

Fora isso, fiquei embasbacado com o nível da organização.

E não só pelo uso de email e Facebook como ferramentas organizacionais, a exemplo do cronograma com as etapas abaixo – mas pelo desenrolar absolutamente tranquilo de cada uma das três etapas:

  
1) Acreditação

No espaço de convenções de um hotel, retira-se uma senha de acordo com o “status” (argentino, estranheiro, estrangeiro com saldo a pagar etc.). Feito isso, deve-se aguardar por poucos minutos até que a senha apareça em um painel. Na dúvida, uma atendente com microfone também reforça os números da hora.

Chamado, recebe-se um crachá que deve ser utilizado nas demais etapas, o número da barraca (no meu caso, ficarei na 131), paga-se o montante devido e se retira o formulário da imigração chilena, que precisará ser apresentado assim que se cruzar a fronteira no primeiro dia. 

Feito isso, que não dura mais que poucos minutos, deve-se ir a um endereço vizinho para pegar o chip.

  

2) O chip e o kit

A primeiro coisa que se pede na “segunda fase” é o preenchimento do formulário de imigração chilena. E tudo é facilitado: eles tem caneta – algo raro em situações assim – e gente que sabe responder a perguntas relacionadas às burocracias alfandegárias.

O formulário fica com a organização na entrega do chip – e o crachá de controle é perfurado em um local pra dizer que a etapa está “cumprida”.

  
  

Atravessando o ginásio, retira-se a sacola – fantástica, diga-se de passagem.
Junto com ela, meias, kits de comidas, casaco polar e camiseta. Nunca recebi tanta coisa, com tanta qualidade, em uma corrida!

Material retirado, se vai a outro canto do ginásio para tirar uma foto. Essa é importante: vincula o número de peito ao Facebook, permitindo que quem quiser acompanhe o progresso durante a prova.

Pronto. Depois disso, pode-se passar a qualquer hora no ginásio para retirar um retrato.

  

3) Entrega da bolsa montada

É a última e mais óbvia parte – mas a que requer mais atenção. A bolsa deve receber todo o equipamento e roupas para os campings e ser deixada em um terceiro endereço, também perto dos outros.
Agora, portanto, é hora de fazer as malas – ainda que com bastante antecedência.

  

El Cruce: O que é fornecido e o que precisamos levar de equipamentos obrigatórios

O site deixa dúvidas: dependendo do idioma, as informações sobre o que devemos levar e o que será fornecido pela organização são inclusive contraditórias. Mas nada que não seja facilmente resolvido: eles mesmos fazem alguns plantões no Facebook onde se pode perguntar o que quiser e ter a resposta na hora. Aliás, a organização do El Cruce, ao menos até agora, é muito perto da perfeição. 

Bom… vamos então a uma atualização de equipamentos obrigatórios:

  • Camiseta de prova: Fornecida pela organização
  • Número de competidor e chip: Fornecidos pela organização
  • Mochila de hidratação: Deve ser levado
  • Casaco impermeável: Deve ser levado
  • Camiseta manga longa (ou remera): Fornecida pela organização
  • Polar (jaqueta): Fornecida pela organização
  • Gorro: Deve ser levado
  • Mochila resistente à água para os acampamentos: Fornecida pela organização
  • Cobertor de sobrevivência: Fornecido pela organização
  • Bivac ou vivisac: Deve ser levado

Por essa lista, me resta apenas o gorro e um casaco impermeável decente. No mais, agora é fazer um checklist dos itens recomendados.