Checkpoint: Evolução nítida com uma pitada de medo

Fazia tempo que eu não batia 85km em uma semana de treino. Aliás, a última vez foi no meio de setembro do ano passado, na semana em que fiz a Douro Ultra Trail em Portugal.

Para completar, meus tempos estão melhores. Aliás, fazia algumas semanas que não atualizava meu gráfico de pace médio e vê-lo hoje me surpreendeu:

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Não tinha me ligado que, aos poucos, estava efetivamente me tornando mais e mais lento em um processo que vinha desde outubro, depois da Maratona de São Paulo. Foi como se um botão tivesse simplesmente sido desligado em mim: diminuí ritmo e rodagem ao mesmo tempo. Gráficos sempre permitem boas conclusões.

Enfim, estava na hora de mudar – e já faz duas semanas que decidi me sincronizar melhor com meu treino e aumentar a intensidade geral. A parte boa é que, ao menos de acordo com os dados, está funcionando:

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Se tudo está indo bem, então, de onde vem o “medo” que entrou no título do post?

Bom… a dor nas costas que havia desaparecido desde os 50K na Serra do Mar voltou. E voltou subitamente, depois de um treino quase perfeito durante a semana. Suas características são idênticas: ela some durante corridas mas incomoda em momentos que o corpo está mais frio e descansado, praticamente soletrando a palavra “hérnia”. E, nos 21K de hoje, um incômodo esquisito no joelho direito – lado oposto do da dor na coluna – apareceu.

Não costumo ter dores no joelho – o próprio conceito é meio alienígena para mim, o que me fez acender uma luz amarela. Minha conclusão imediata: o corpo está tentando compensar a dor no lado esquerdo colocando mais peso no direito, quebrando a biomecânica de maneira imperceptível durante os treinos mas nítida depois.

Preciso ficar de olho nisso – além de parar de empurrar com a barriga e efetivamente fazer exames na coluna.

Enquanto isso, aproveitar bem o dia de descanso amanhã certamente me fará bem!

Ai.

Sinal amarelo aceso.

No domingo passado passei praticamente todo o dia com minha filha montada no ombro. Até aí, nenhuma novidade: faço isso com uma frequência provavelmente maior que deveria.

Só que, desde a segunda, tenho sentido dores constantes na parte inferior esquerda das costas. Não precisa de muita análise para entender a dor: carregar peso nos ombros é uma das principais causas para hérnias.

Na segunda, até os menores movimentos doíam. O dia foi passado às custas de analgésicos.

Na terça, acordei melhor. O dia foi mais tranquilo e saí para o treino à noite. Correr, por incrível que pareça, me fez sentir melhor.

Na quarta pela manhã tinha uma sessão mais puxada, de intervalados. Cumpri todos sem nenhuma dor durante a corrida – mas, depois, ela voltou. Com um pouco mais de intensidade.

Insistindo no erro com boas doses de teimosia, saí ontem para uma sessão de 10 tiros de 3′. Bom… apesar de nada ter chegado perto das dores da segunda, foi a primeira vez que elas apareceram durante a corrida.

Parei antes do final.

Analgésico de novo.

Descanso hoje, sexta.

Em uma análise rápida, imagino que minha postura se perca um pouco na medida em que os treinos cresce de ritmo: a única corrida indolor e que me fez sentir melhor na sequência foi a da terça – a mais longa, aliás, com 1h40 a ritmo moderado.

Já com os intervalados, a dor do dia seguinte foi maior; e, com os tiros mais curtos, nem cheguei a terminar.

Pode ser que essa análise até esteja enviesada dado que a piora pode mesmo ter sido gerada pela insistência na atividade física. Mas ficam, pelo menos, dois alertas: ouvir melhor a dor e prestar mais atenção à postura nos momentos de maior intensidade.

Confesso que estou com sinal amarelo aceso, na esperança de que alguma mágica aconteça e a dor passe (como sempre aconteceu até hoje comigo, aliás).

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