O que eu deveria fazer vs. O que eu com certeza farei

Minhas pernas estão moídas. Coxas parecem ter sido mastigadas e cuspidas pelo asfalto, panturrilhas reclamam incessantemente e até algumas articulações já mostram sinais de insatisfação. O que eu deveria fazer?

É óbvio: aproveitar hoje e amanhã, dias que estarei em viagem de trabalho, para dar ao corpo o tempo que ele precisa antes de retomar a semana de treino que, por coincidência, está programada pra ser leve. 

Dormi com esse plano.

Acordei com esse plano.

Mas, quando o taxi para o aeroporto chegou, voei até o armário e enfiei tênis e roupa de correr na mochila antes que pudesse pronunciar a palavra “não”.

Sei o que devo fazer: nada.

Mas também sei o que provavelmente farei: um trote leve cortando a cidade.

  

A nova fase de preparação

Janeiro está sendo fechado para mim com alguma dose de orgulho (por ter concluído os pantanosos 50K no sábado) e autoconhecimento (por ter esclarecido que esse tipo de corrida não é para mim).

Às vezes apenas ter algumas coisas no currículo já são o suficiente.

Agora, no entanto, começa uma nova fase. Entre abril e junho tenho duas ultras – a Estrada Real e a Comrades – ambas com suas próprias peculiaridades. A Estrada Real será majoritariamente percorrida em trilhas, entre amigos e sem nenhum tipo de organização oficial.

A Comrades é, provavelmente, a ultra mais organizada do mundo, corrida em asfalto e com multidões torcendo pelos 87km do percurso de up-run.

A semelhança entre as duas? Ambas são relativamente velozes, o que significa que todo o meu treino agora deve se focar nisso.

Costumo fazer uma semana mais light depois de provas mais duras e essa não está sendo diferente: recomecei a correr apenas na quarta e o longão tradicional de sábado foi cancelado (embora o motivo tenha sido mais profissional do que pessoal).

Mas, ainda assim, o norte para os treinos já ficaram claros: desde a quarta tenho aumentado o ritmo sensivelmente. Mesmo em intervalados, como os que fiz ontem, a parte “light” foi quase toda acima da zona de regeneração, forçando um pouco o corpo. Coloquei uma imagem da análise de pace, feita pelo Strava, abaixo.

Hoje, não tenho problemas em passar horas e mais horas nas trilhas: a mente segura bem e o organismo resiste sem problemas. Mas, claro, ser mais rápido ajuda em uma recuperação melhor. E velocidade, sendo sincero, era algo que eu estava me dedicando menos do que deveria.

De agora até as próximas provas, portanto, que venha a intensidade!

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