50 deslumbrantes quilômetros por Atibaia

Já acordei ansioso, lá pelas 5 da manhã do domingo, e com tudo pronto para pegar a estrada. Tinha uma hora até Atibaia para os 50K e, honestamente não fazia ideia do que me esperava. 

A organizadora, a Corridas de Montanha, tem o mérito de garantir que o calendário tenha pelo menos uma prova de 50K todo mês – mas a organização pre-prova não é o seu forte. Mapa de percurso, informações sobre o quão técnico ele é, fotos… enfim, nada aparece para ajudar. 

Mas depois que participei da primeira prova deles, praticamente toda corrida em charcos e escalando morros absolutamente úmidos, aprendi a esperar de tudo. 

Técnica perfeita quando não se sabe nada.

Os primeiros quilômetros em Atibaia foram bem mansos: estradões de terra cortavam as montanhas e abriam caminho para vistas deslumbrantes. Muita subida e descida, claro – mas por trilhas leves, fluidas e deliciosas. 

Só em um trecho tive problemas, quando alguns cachorros grandes decidiram fechar o caminho e mostraram intuito de avançar. Com cautela, parei, dei alguns passos para trás e esperei um pouco até que eles desaparecessem para seguir. São coisas das trilhas para as quais sempre devemos estar preparados.

Fiz os primeiros 40km assim, de forma tranquila e relativamente rápida, caminhando pouco e correndo até na mais íngreme das subidas. Até que chegou a montanha.

Ali, nos km finais, a prova mudou.

Correr era impossível: uma single track bem técnica serpenteava a região da Pedra Grande inclusive por trechos em que se podia duvidar da existência de um caminho. As marcações de percurso ficaram escassas mesmo em bifurcações, um erro da organização reclamado por muitos. Errei.

Segui por uma trilha paralela por mais ou menos 1km, voltando apenas quando um outro corredor que já conhecia a região levantou a hipótese de estarmos perdidos.

Voltamos.

Tomamos o outro caminho.

Acertamos, muito embora as bandeiras que sinalizavam o percurso só fossem aparecer mais de 1km depois.

Houve trechos tão íngremes que tive que parar para recuperar o fôlego e deixar o coração bater mais devagar. Depois continuei.

Em um ou outro momento olhei em volta: a vista era simplesmente incrível!

Mas precisava, claro, seguir. E segui.

Uma subida ainda mais íngreme me esperava. 

Joguei fora um pedaço de pau que estava usando como pole improvisado: já não conseguiria mais utilizá-lo por ali.

Subi com mãos e pés, deixando um rastro de suor para trás.

No topo de uma pedra avistei a chegada, lá longe, onde paragliders e asas delta saltavam para o céu. A vista era inesquecível.

A partir dali tudo estava mais fácil.

Segui a trilha e caminhei pelas pedras, respirando o céu azul e vendo a cidade esparramada lá em baixo. 

Quando cheguei, foi hora de respirar fundo e ainda descobrir que tunha levado o 3º lugar por faixa etária! Uma bela surpresa – muito embora, claro, a pouquíssima quantidade de corredores na ultra certamente tivesse contribuído bastante.

Ainda assim, devo dizer que amei essa prova. Sim: a organização foi média e poderia ter melhorado em muitos aspectos, incluindo a quase inexistente hidratação e a marcação fraquíssima do trecho montanhoso. Mas isso é tudo detalhe.

Olhe as fotos, afinal. Dá para reclamar de algo assim?

   
             

Como serão os 50K em Atibaia?

Sendo bem sincero, é difícil de dizer. Ao contrário de muitos circuitos de ultra no mundo, no Brasil há uma espécie de aversão tácita a prover informações aos corredores. Resultados: nos inscrevemos no escuro, sabendo apenas a distância total e deduzindo o resto pelo perfil do organizador. 

No caso de Atibaia, organizado pelo Corridas de Montanha, imagino que será algo bem técnico e possivelmente em um circuito menor que a distância, incluindo assim alguns loops. Sem problemas quanto a isso: diferente da última vez que fiz uma prova deles, agora estou preparado. 

Mas tive uma ideia essa semana: lembrei que, há algum tempo, vi alguns circuitos deles na minha timeline do Strava. Resultado: depois de uma breve caça, percebi que eles mapearam o percurso nessa semana. 

Ponto positivo: agora pelo menos sei que o percurso incluirá trechos longos em estrada (creio que de terra) e uma subida que promete ser deliciosamente intensa. 

Pelo mapa, acredito que os 50K incluirão uma soma de 4 percursos: 3 loops e um bate-volta até o topo de uma montanha. 

Do ponto de vista de elevação, a altimetria acumulada deve ser de 1.840m – um bom número para a distância – com as duas maiores subidas no final. Pelo mapa, no entanto, parece que a chegada será em um local diferente da largada. Não sei se isso procede mas, caso positivo, será bem vindo. É sempre mais empolgante seguir em uma “reta” do que em “círculos”. 

Agora é me preparar. 

E correr.  
   
 

Planejamento de ultras

Depois de algumas semanas me organizando, caçando calendários e fazendo todo tipo de conta, é hora de efetivamente estabelecer as minhas próximas metas. E já digo uma coisa: estou absolutamente empolgado com elas!

Daqui até fevereiro tenho pelo menos três provas nas quais já me inscrevi e que, claro, pretendo dominar para riscar itens da minha lista de desejos.

A primeira será logo agora, no final do mês: 50K em Atibaia, parte do circuito da Copa Paulista de Corridas de Montanha. A prova em si não deve ser nada de apavorante, mas quero tirar da mente aquela impressão negativa de passar por percursos “excessivamente selvagens”. Não sei se é ou não o caso de Atibaia – o site não dá nem sequer uma pista sobre nada – mas será excelente para returbinar o corpo.

A segunda já será mais “tensa”: meus primeiros 100K, com direito às trilhas técnicas da Indomit Costa Esmeralda e a uma largada à meia noite. Uma prova de fogo: passando bem por ela, encaro qualquer coisa! E, para falar a verdade, essa é a prova que mais está me deixando de cabelo em pé, meio inseguro. Mas, enfim, só sabemos mesmo quais são os nossos limites depois de nos testarmos.

Finalmente, a terceira e última também está nos meus sonhos faz tempo: o El Cruce, lá nos Andes, paisagem exuberante que tive o prazer de percorrer por conta própria no final do ano passado. E, nesse caso, será a minha primeira corrida em estágios.

Agora é treinar.

Empolgado.

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Ultra nas montanhas em Atibaia? Parece boa ideia…

No começo desse ano, fiz uma prova organizada pela Corridas de Montanha que jurei nunca mais repetir: havia charco, travessia de rio e todo um percurso onde trilha, trilha de verdade, era um luxo quase raro.

Aparentemente, algo mudou. Ao menos em minha mente.

Hoje me peguei navegando pelo site deles em busca justamente de desafios semelhantes. E olhe o que encontrei: uma ultra de 50K aqui pertinho, em Atibaia…

Cedi. E me inscrevi, contando também com a dificuldade técnica como ferramenta de treino para a Indomit!

Em resumo: já há uma nova prova em vista. Ainda bem!!

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50K de aventura na Serra do Mar

A aventura em si começou mesmo na noite anterior: vim com toda a família para o Guarujá para que minha mulher e filha pudessem curtir a praia com mais um trio de amigos enquanto eu me embrenhava na Mata Atlântica.

Bom… por volta da meia noite – hora em que o trio de amigos chegou na praia – todas as ruas em torno do prédio inundaram e ficaram intransitáveis até as 4:00. Para ajudar, a energia também foi embora e, assim, só saberia se realmente conseguiria sair para a prova na madrugada.

Por conta desses imprevistos, acabei com a noite totalmente virada e, às 4:30, com água mais baixa e luz reestabelecida, peguei o carro e fiz o trajeto de 1h30 até a largada.

Uma observação: até aquele momento, eu não fazia nenhuma ideia de que os 50K eram uma corrida de aventura. Para mim, seria uma corrida de montanha normal, com trilhas bem demarcadas, paisagens incríveis e aquela vibração única.

Não foi. Trilha, para falar a verdade, deve ter existido apenas em uns 10 ou 15km entre estrada de terra e single tracks. O resto era tudo mato mesmo – e do tipo pantanoso. Passei boa parte do percurso com água até os tornozelos, cruzei três ou quatro rios, caí em uma poça de areia movediça (que, para ser sincero, eu nem sabia que existia no Brasil) e tomei tanto tombo que fiquei irreconhecível.

Isso sem falar em subidas íngremes e descidas enlameadas, sol forte em uns momentos, neblina espessa em outras e uma sensação de completa solidão no mato. No total, estimo que não mais de 15 ou 20 corredores tenham largado para os 50K – número que se espalha já nos primeiros trechos do percurso.

Terminei marrom, com minha inexperiência em percursos assim somando pouco mais de 8 horas de prova. Cansado? Sim. Mais com dor de cabeça dado que não consegui comer absolutamente nada durante todo o percurso. Mas inteiro.

E também com uma sensação de que faltaram as paisagens bonitas, as vistas deslumbrantes da Serra do Mar. Estas foram, verdade seja dita, “trocadas” pelas visões dos trechos que precisariam ser percorridos – uma mescla de assombração com empolgação.

Resumo da ópera? Amei ter participado de uma prova de aventura, principalmente por ter sido uma ultra com tantos desafios assim. Foi pro “currículo”. Em contrapartida, devo dizer que não é algo que eu esteja tão empolgado assim para repetir. Prefiro mesmo provas mais secas, com trilhas mais existentes e vistas mais inspiradoras.

Agora é hora de pensar na próxima.

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Que tal uma ultra surpresa? Me inscrevi nos 50K da Copa Paulista de Corridas de Montanha!

Tem ultra “surpresa” no sábado, dia 24!

Pois é: navegando em busca de desafios novos para esse ano, acabei me deparando com uma corrida de 50K bem perto de São Paulo – algo que serviu como uma espécie de ordem divina para que eu participasse.

Aqui, afinal, pode até haver corridas de 5 a 10K toda semana – mas ultras são realmente raras.

Isto posto, a ideia é madrugar no sábado, dirigir cerca de 1h15 até a largada e fazer os 50km na parte de cima da Serra do Mar, mas já próximo a Cubatão. Aliás, espremido entre a represa Billings e a Serra do Mar, o percurso deve ser muito, muito interessante.

A etapa de Santo André da Copa Paulista de Corridas de Montanha, como foi batizada, contará com uma altimetria tranquila para a distância, com o ponto mais baixo de 740m e o mais alto, de 798m em relação ao nível do mar. Ou seja: haverá ondulações, claro, mas nada de tenso.

É uma pena apenas que o site da organizadora, a Corridas de Montanha, seja tão, tão ruim. Não há nenhuma foto, nenhuma descrição sobre o tipo de terreno ou percurso ou nada que possa servir de apoio. Pelo menos há uma integração com o Strava na versão beta do novo site, cujo print colo abaixo.

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Para ver mais detalhes é só clicar aqui ou sobre a imagem.

Agora é inventar uma micro fase de polimento e me preparar para 50K nas trilhas paulistas!