Fazendo as pazes com a USP

Não era o plano original: hoje deveria ter ido ao Pico do Jaraguá. Mas acordei tarde e, por algum motivo, decidi ir até a USP. 

Estava ‘embirrado’ com a USP. Por algum motivo, provavelmente pelo excesso de longões rodados lá no passado, enjoei das voltas, das paisagens, do trânsito de bikes e corredores. De repente, tudo pareceu lotado demais para um sábado de manhã. 

E comecei a variar. Rodei parques novos, trilhas escondidas, bairros distantes. Amei cada parte dessas descobertas e provavelmente continuarei as tendo como meta todos os sábados. 

Mas, por algum motivo, decidi voltar à USP hoje. Fui guiado pelos pés: quando cruzei a ponte da Rebouças, ao invés de seguir pela esquerda até o Morumbi, virei à direita até o Butantã. E fui. 

Sob um garoa insistente, entrei nos portões da Cidade Universitária e percebi que, na verdade, o lugar continuava sendo uma espécie de oásis da corrida. Calmo, silencioso, arborizado. Fiz a rota normal uma vez, subindo a belíssima Rua do Matão. Aquele sempre foi o ponto mais bonito de toda a USP. 

Desci voando, completei o circuito e dei outra volta. Nesta, no entanto, peguei uma outra curva e aumentei a circunferência, passando por áreas mais desertas. Na descida, desviei de novo e, desta vez, desci a Rua do Matão pela primeira vez na vida. 

Entrei na trilha, úmida e escorregadia por conta do tempo. Dei uma volta. Saí. 

Peguei uma diagonal até a praça do monumento. Voei até a raia olímpica e fui margeando-a até a saída. 

Com e memória de uma espécie de redescoberta de um local tão importante na minha vida de corredor, segui até em casa fechando exatos 35km de longão. 

No final de uma corrida daquelas perfeitas, onde tudo parece se encaixar e com endorfina durando do primeiro ao último passo, uma sensação ficou: fiz as pazes com a USP. 

Que bom. 

  

Como serão os 50K em Atibaia?

Sendo bem sincero, é difícil de dizer. Ao contrário de muitos circuitos de ultra no mundo, no Brasil há uma espécie de aversão tácita a prover informações aos corredores. Resultados: nos inscrevemos no escuro, sabendo apenas a distância total e deduzindo o resto pelo perfil do organizador. 

No caso de Atibaia, organizado pelo Corridas de Montanha, imagino que será algo bem técnico e possivelmente em um circuito menor que a distância, incluindo assim alguns loops. Sem problemas quanto a isso: diferente da última vez que fiz uma prova deles, agora estou preparado. 

Mas tive uma ideia essa semana: lembrei que, há algum tempo, vi alguns circuitos deles na minha timeline do Strava. Resultado: depois de uma breve caça, percebi que eles mapearam o percurso nessa semana. 

Ponto positivo: agora pelo menos sei que o percurso incluirá trechos longos em estrada (creio que de terra) e uma subida que promete ser deliciosamente intensa. 

Pelo mapa, acredito que os 50K incluirão uma soma de 4 percursos: 3 loops e um bate-volta até o topo de uma montanha. 

Do ponto de vista de elevação, a altimetria acumulada deve ser de 1.840m – um bom número para a distância – com as duas maiores subidas no final. Pelo mapa, no entanto, parece que a chegada será em um local diferente da largada. Não sei se isso procede mas, caso positivo, será bem vindo. É sempre mais empolgante seguir em uma “reta” do que em “círculos”. 

Agora é me preparar. 

E correr.  
   
 

O “relax organizacional” das corridas de trilha

Uma das dificuldades para quem está mudando das ruas para as trilhas é a falta de informações – sob todos os aspectos.

Pudera: todos os finais de semana, circuitos de rua levam milhares de corredores para linhas de largada – o que também significa milhares de reais em faturamento. Com mais dinheiro, vem mais investimento, incluindo sites bem elaborados, mapas claros de percurso e mais repercussão em sites e veículos especializados, seduzidos tanto pela demanda quanto por acordos publicitários. Não há mal em nada disso: afinal, organização de corridas é um negócio que, como todo negócio, existe para dar lucro. E a busca pelo lucro, por sua vez, é o melhor combustível que motiva organizadores a tratar bem e mimar corredores/ clientes (exceto no caso da Yescom, que faz tudo errado o tempo todo e, contrariando as leis do marketing, sobrevive).

Quando se muda para as trilhas, no entanto, os números são todos menores. Há poucas centenas – e não muitos milhares – de atletas interessados; os percursos são mais escondidos (e, portanto, menos chamativos); e mesmo os esforços de divulgação são parcos. Achar um evento depende muito mais do esforço incessante do atleta do que da capacidade de marketing do organizador.

Bom… no caminho até a Réccua Douto Ultra Trail, coloquei como meta fazer pelo menos uma corrida de trilha de distância razoável. Procurei, procurei, procurei.

Até que achei uma próxima e, com muito esforço, me inscrevi. No dia 6 de julho, em algum lugar perto de Campinas (no Bar do Vicentão, para ser mais “exato”), largarei na etapa Ponte Queimada do Circuito Mundo Terra Pé na Estrada.

Serão 27km em um percurso sobre o qual não consegui nenhuma informação e, portanto, não faço a menor ideia. Chega a ser divertido, assim como o esquisitíssimo site da Ultrarunner Eventos (imagem abaixo), que organiza a prova.

Bom… acho que devo encarar isso como as boas vindas ao mundo mais “organizacionalmente relaxado” das corridas de trilha :-)

E agora… agora é esperar para sentir como será esse primeiro teste!

Circuito Pé na Estrada