Que venha a Indomit Costa Esmeralda 100K!

A esta altura, minha esperança de passar por um percurso seco, relativamente tranquilo e sem muitas intempéries, já se foi. Mesmo que não chova na madrugada do dia 6 para o dia 7, as tempestades das últimas semanas já se encarregaram de deixar o solo molhado o suficiente para garantir muita, muita lama.

Paciência.

Inaugurei minha primeira prova mais longa em trilhas na mesma região: foi a Indomit Bombinhas, com 42K, regada a chuva e a escorregões. Quando terminei, jurei a mim mesmo que jamais voltaria ao local.

O tempo passou, me adaptei mais às trilhas, perdi o medo. E, curiosamente, lá estarei eu para uma nova estreia: os primeiros 100K.

O que esperar? No mínimo, uma dificuldade técnica alta.

A largada será na madrugada, garantindo pelo menos umas 6 horas de escuridão. Comigo, além da óbvia mochila de hidratação, levarei uma lanterna testeira poderosa e poles para ajudar no equilíbrio e nas escaladas. Serão muitas: 3.088 metros acumulados, para ser exato. Pior: as maiores montanhas estarão justamente no começo, quando a luz inexistirá.

100k1

Não vou estimar pace algum aqui – mas ficaria muito feliz de chegar ao menos próximo do marco da maratona quando o sol começar a raiar. 4 ou 5 subidas, portanto, estarão para trás.

Ainda assim, não planejo acelerar nada: a meta é ir no ritmo que o corpo, os olhos e o equilíbrio permitirem, poupando energia física e mental para os últimos trechos.

A parte “boa” é que, por mais que seja uma prova dura, os trechos mais ásperos serão percorridos à noite, sem que os olhos possam assustar a cabeça devido à redução no campo de visão. É o ideal? Não sei – mas é o que se apresenta.

Pelo mapa, pelo menos, haverá alguns espaços longos de “calmaria técnica”: ruas, seja de asfalto ou de terra, onde a cabeça poderá descansar um pouco.

Aproveitemos também esses espaços.

Aliás, aproveitemos tudo.

Serão meus primeiros 100K e nada melhor do que começar em um lugar incrivelmente lindo, com um desafio forte e um potencial altíssimo de boas histórias para contar.

Minha expectativa de tempo? A julgar pelos tempos do ano passado, imagino que levarei algo entre 15 e 18 horas. Menos, difícil; mais, possível.

Seja como for, espero apenas uma coisa: que me divirta por cada um dos segundos que a Indomit durar!

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Meus primeiros 100K já tem data marcada: 7 de novembro

Ainda levará algum tempo, o que garante tempo para treino. 

Ainda há Comrades pela frente e, depois, alguns meses de preparo. 

A largada será à noite e na praia, em pleno período de verão catarinense. 

Haverá estradas de terra, areiões, costões de pedra e trilhas. 

Haverá um amanhecer no alto das montanhas fazendo o mar ficar dourado sob pés que, provavelmente, já estarão começando a ficar cansados. 

Haverá aventura, adrenalina e uma estreia que mescla percurso técnico à ansiedade de inaugurar uma nova distância. 

E já há muita ansiedade pulsando pelas veias. 

Dia 7 de novembro largarei na Indomit 100K Costa Esmeralda. 

  

Um novo tipo de polimento

Já comentei aqui que a fase de tapering, ou polimento, nunca foi muito fácil para mim. Pelas tantas receitas espalhadas pela Web, considerando principalmente variações do período em que a fase deve começar, ela é composta basicamente de uma diminuição (mais ou menos abrupta) do volume de treino para que as pernas cheguem mais frescas na linha de largada. 

Em tese, pouca coisa pode fazer mais sentido. Mas seja em maratonas ou ultras, essa tática sempre me trouxe mais problemas do que benefícios. 

Primeiro, as gripes. Simples assim: com uma queda grande no volume, parece que a resistência do corpo despenca junto – e isso sempre me trouxe resfriados bem, bem inconvenientes. 

Depois vêm as dores fantasmas. Quando se treina muito, a musculatura fica em uma espécie de estado constante de tensão, pronta para a próxima “carga” que pode vir a qualquer momento. Quando a quantidade de horas nas ruas diminui, essa tensão vai diminuindo ao ponto de fazer o corpo perceber dores esquisitíssimas que, até então, estavam escondidas. Os efeitos disso podem ser péssimos: no polimento que fiz para a Comrades, por exemplo, uma dor bem chata apareceu no meu tornozelo direito. Ela persistiu até a hora da prova e, inconscientemente, acabei correndo de maneira a forçar mais a perna esquerda (“supercompensando”, digamos assim, o sintoma). Resultado: ao final de 70km, o líquido de uma das articulações do tornozelo esquerdo – o que estava bem – acabou vazando e fazendo uma bolha bem inconveniente. Foram 20km correndo sem conseguir mover direito o pé em um teste de resistência mental e física impressionante (ao menos para os meus parâmetros). 

Finalmente, há a angústia. Sim, porque ficar sem treinar às vésperas de uma ultra pode ter benefícios óbvios – mas nem sempre a mente acredita em obviedades. Às vezes ela simplesmente se desfaz em agonia pura, insistindo na teoria (absurda, diga-se de passagem) de que estamos perdendo o preparo construído ao longo de meses. Há como combatê-la? Sim, claro: mas o custo pode ser alto. 

Com todas essas armadilhas, acabei construindo uma fase de polimento diferente com o Ian, meu treinador. 

1) A semana de pico, espremida entre a Indomit Bombinhas (que não teve polimento algum) e a Douro Ultra Trail, foi na semana passada – portanto, deixando 14 dias para a prova alvo. 

2) Não há como não diminuir o volume – até mesmo porque estou bastante cansado. Mas há como trocar a carga muscular, alternando distância por intensidade. Hoje, por exemplo, fiz 2 horas de treino bem cedo, sendo 1h10 na casa dos 5min/km, 20 minutos abaixo disso e o restante apenas para recuperação. Um baita esforço considerando que no sábado anterior fiz 5h22 de longão e ontem corri por mais 1h20. Os demais dias também serão assim: porrada pura com distância menor. 

3) Logo na véspera da prova farei apenas 15 minutinhos de trote – só para soltar as pernas, de leve, sem muito comprometimento. E aí é partir para as montanhas. 

Se vai funcionar, não sei. Mas vale o teste. 

A meta em si é enganar tanto corpo quanto mente, fazendo ambos acreditarem estar trabalhando com a mesma carga de antes quando, na prática, estão preparando músculos mais ágeis e descansando um pouco os mais resistentes (e, portanto, mais importantes para uma ultra). 

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Clima animador para a Indomit?

Já fiz algumas provas sob chuva pesada (como a Maratona do Rio de 2012) e sob ventos de mais de 50km/h (Ultra de Two Oceans, 2013). Mas todas elas foram sempre no asfalto, o que ajuda a ter um tipo de controle maior do ritmo e das circunstâncias como um todo.

Em trilha, claro, isso muda. Para começo de conversa, há lama. Muita lama, dependendo da água que vier de cima.

Há trechos escorregadios, poças que podem ficar do tamanho de pequenas piscinas e assim por diante. Na minha cabeça, aliás, passar por uma prova de trilha com condições pouco convidativas é uma experiência que todos deveriam ter.

Mas poxa…. não precisava ser exatamente na minha estreia em corridas de trilha mais longas!

Ontem à noite olhei a previsão para Bombinhas no sábado, data da Indomit: 90% de chance de chuva!

Parece que os 42km serão (literalmente) regados de mais emoção e com mais dificuldades! Não vou dizer que fiquei entusiasmado com isso não… mas, também, não dá para negar que essa falta maior de controle sobre fatores externos faz parte da graça de se correr em trilhas.

Tendo dito isso, que venham o sábado e a Indomit! E que cheguem com toda a ira que uma trilha insana tiver para mostrar!

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Indomit Bombinhas: Mapas, altimetria, vídeos e mais

Já cozinhando ansiedade pelo Indomit Bombinhas, resolvi juntar aqui no blog um compilado de materiais relevantes que achei pela Web. Diferentemente de outras provas de trilha, o que mais surpreende desta é o alto nível do conteúdo disponibilizado pela organização e por outros corredores, algo que certamente ajuda a manter alta a empolgação!

Bom… vamos ao que há:

Mapa do percurso, abaixo (link direto aqui):

Screen Shot 2014-08-10 at 9.41.58 PM

Vídeo oficial do percurso:

Percurso K42 Bombinhas Adventure Marathon from BOMBINHAS ADVENTURE RUNNERS on Vimeo.

Altimetria:

Screen Shot 2014-08-10 at 9.37.55 PM

Raio-X técnico:

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Especial K42 feito pelo Corrida no Ar (partes 1 e 2):

Cobertura da edição de 2013:

Pronto: material mais do que o suficiente para entender a prova. Agora só falta correr :-)

Vídeo com dicas para a Indomit K42 Bombinhas

Empolgado pelo vídeo de ontem, sobre o DUT, acabei acordando para o fato de que minha preocupação maior deveria ser a Indomit K42 que, afinal, acontece neste sábado!

Pelo jeito, será uma corrida com direito a muita chuva, lama e todo tipo de dificuldade que serve como boas vindas para novos corredores de trilha como eu. Como o vídeo da prova tem apenas imagens promocionais, busquei um da MidiaSport mais interessante, com relato gravado ao longo da prova e ilustrando melhor os seus altos e baixos. Para quem se interessar vale conferir abaixo.

(O post feito pelo Enzo Amato também é bem interessante e pode ser acessado clicando aqui.)

Checkpoint 7: Montanhas e trilhas

Semana com viagem a trabalho nunca é fácil: no mínimo, há uma semi-impossível conciliação entre uma infinidade de tarefas novas, locais, com o cotidiano que nunca dá trégua.

Mas, mimimis à parte, há também a possibilidade de explorar novos caminhos. Esse foi o ponto alto da semana: desbravar as trilhas de Paraty, com ou sem vistas, mata adentro, bebendo paisagens que deixam claro o motivo de toda essa transição do asfalto para a terra.

Aliás, é impressionante como a rua fica perde parte de seu encanto já depois das primeiras montanhas que se sobe.

Falando da semana em si, a quilometragem foi menor do que a média das anteriores – mas nada que não estivesse planejado. Depois de uma espécie de escadinha na volumetria, esses dias estavam programados para dar uma aliviada nas pernas e permitir que a musculatura digerisse melhor o que havia enfrentado. Não sei o quão efetivo isso foi dadas as mudanças de cenário (e altimetria), mas veremos nos próximos capítulos.

Esse mês tem prova nova: a Indomit, em Bombinhas, e já devo me focar mais para ela. Terei um papo com o Ian na terça sobre isso, ajustando as planilhas e fazendo um checkpoint geral de todo o processo de treino até agora.

Enquanto isso, amanhã é dia de descansar um pouco para começar uma semana que promete ser bem agitada!

Gráficos abaixo:

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Ainda sobre altimetria: cotidiano vs. Indomit K42 vs. Douro Ultra Trail

Agora que já consegui desenhar o perfil altimétrico dos meus treinos cotidianos, está na hora de comparar com as próximas provas.

Bom… diferentemente de muitas corridas de rua (onde altimetria é muito pouco relevante, aliás), os perfis são pouco detalhados e não dão muita margem a cálculos exatos. Mas enfim… vamos ao que temos:

No mês de agosto, a prova-alvo será a Indomit K42, em Bombinhas. O site disponibiliza o mapa abaixo:

Screen Shot 2014-07-24 at 11.17.02 AM

O ponto mais alto não é exatamente alto – tem pouco menos de 300m. Há muitos planos e, muitas estradas de terra e, apesar de trechos em pedras e na praia, o percurso parece relativamente fácil. Claro: considerando que continua sendo uma maratona e, portanto, que já carrega as dificuldades naturais da distância.

O trecho mais “tenso” é no começo, com uma inclinação severa de 15%. É mais íngreme do que o mais íngreme que já subi (trilha do Pico do Jaraguá) – mas dura menos de metade da distância. No mais é curtir o cenário, que deve ser deslumbrante.

Em setembro vem a prova alvo, a DUT. Aqui as coisas complicam mais um pouco:

Screen Shot 2014-07-24 at 11.16.54 AM

Não há marcação trecho a trecho no site, que apresenta apenas uma visão genérica do perfil. No entanto, a imagem acima é de um post que eles fizeram recentemente no Facebook e pega um trecho de 18km. Traçar o grau de inclinação desse trecho não é algo tão “correto” assim, pois ele inclui partes planas e algumas descidas. Mas, se considerássemos uma “linha reta” entre a parte mais baixa (no Douro) e a mais alta (na Serra do Marão), o ganho altimétrico é de 10,8%. É quase a mesma coisa que a parte mais íngreme da Ministro – só que por 18km inteiros. Esse sim é de se preocupar.

Em todos os casos, no entanto, os cenários e os próprios desafios devem compensar de longe. Aliás, todos esses cálculos são prova pura disso: é a ansiedade querendo prever o esforço que, na prática, não faço a menor ideia de como medir mesmo :-)

O plano: dos 27 aos 80K em 2 meses

Screen Shot 2014-06-12 at 11.00.13 AM

OK, o plano tem algo de arrojado demais. Ou talvez arrogante. Ou ingênuo, insano ou qualquer outra palavra com conotação mais negativa do que positiva.

Mas, ainda assim, é um plano. E não entro exatamente de mãos vazias: afinal, não dá para esquecer que saí bem de uma Comrades há duas semanas, o que no mínimo me dá algum tipo de experiência com endurance.

Agora, no entanto, o bicho é outro: de zero de experiência em trilhas, munido apenas de um treinador experiente (a distância) e muita, muita força de vontade, pretendo chegar à Douro Ultra Trail em setembro. No caminho, elegi duas provas: a Pé na Estrada, de 27K nos arredores de Campinas, e a Indomit Bombinhas, de 42K, esta última com características (no mínimo) premium dados fatores como percurso, história, região etc.

Agora é ver como as coisas caminham e seguir firme nos treinos, que já começaram bem pesados desde a segunda passada!