Molho e massagem

Sábado tem ultra: a Copa Paulista de Corridas de Montanha.

Não é das maiores, mas incluirá 50km por trilhas novas no topo da Serra do Mar. Imagino que as vistas sejam incríveis, que o sol inclemente deste verão tatue a experiência na pele, que a endorfina vá correr solta pelas veias. Espero tudo o que se possa esperar de uma ultra em um clima de ansiedade poderoso.

Até aí, tudo lindo. Só que as costas continuavam doendo e o medo de enfrentar 6 ou 7 horas nas montanhas com a coluna incomodando desde o primeiro minuto começou a pegar.

Resultado: mudança de planos.

Até agora fiz apenas um treino na semana, de 11K, na terça. Foram 11K relativamente puxados, mas no mesmo ritmo. Ontem teria mais um treino, com intervalados, que acabei cancelando por precaução. Cancelando não: trocando.

Ao invés dele, em um ato de pura (e talvez desesperada) esperança, fiz uma tal de massagem “Tailor Made” na Lush, aqui perto. 30 minutos concentrados na lombar e que me custaram os olhos da cara – mas que, confesso, fizeram efeito.

Aliás, se soubesse que ficaria tão melhor, teria antecipado a decisão. Não é que eu esteja “curado”, mas boa parte da dor realmente desapareceu!

E isso sem contar com a experiência exótica: essa massagem é feita com música de marinheiros irlandeses bêbados ao fundo, fumaça saindo do chão e um clima que em nada lembra spas tradicionais. Curti.

Agora é uma espécie de teste: sair para uma corrida leve, lenta, de pouco menos de uma hora, para soltar os músculos e testar o “novo” corpo.

Que as boas notícias se confirmem no caminho do Ibirapuera!

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A reta final

Hoje se inicia um dos períodos mais cruciais de todo o processo de treinamento para a Douro Ultra Trail: as três semanas finais. E, dado o pouco tempo de treino em todo esse processo de transição, não serão três semanas fáceis (como pode ser visto abaixo).

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Essa, por exemplo, contará com três longões (dois de 2h30 na terça e quinta e um de 5 horas no sábado). Na sexta anterior, uma série de fartleks servirá para complementar a planilha com pitadas fundamentais de velocidade. Deverei chegar ao fim do último longão bem cansado – mas aí entrará uma estratégia diferente das que usei em ultras anteriores, principalmente pela inutilidade que períodos de tapering/ ajuste fino mais tradicionais tiveram para mim no passado.

Primeiro, mudarei toda a rotina começando pelo domingo, dia normalmente utilizado para regenerativos e que será, neste caso, de puro descanso. 

A semana que vem, por sua vez, começará com treinos já na segunda, emendando com terá e quarta. Em geral, serão treinos mais leves – mas ainda com alguns exercícios de velocidade. Viajarei para Portugal na sexta, dia 5 – mas o dia será aberto com um longão de 2 horas essencialmente compostos de tempo runs encavalados. Sábado será dia de descanso e, no domingo, apenas 40 minutos leves fecharam esse período que somará um total acumulado de 6 horas.

Finalmente, a semana de prova terá 4 treinos: um leve e curto na segunda, um mais puxado na terça, uma sessão de fartleks na quinta e 15 minutinhos levíssimos na sexta apenas para soltar as pernas e aliviar a ansiedade. Essa tática, aliás, me foi passada por um dos meus ídolos, o Bruce Fordyce, quando me preparava para a Comrades – e funcionou super bem. 

A partir daí é largar na DUT e torcer para que toda essa nova rotina de reta final funcione tão bem na prática quanto no papel. E, se ajustes forem exigidos pelo corpo ao longo do caminho, certamente nada me impedirá de fazê-los!

 

Checkpoint 5: Recuperação e um pequeno ajuste no treino

Depois de uma semana infernal, a vida finalmente voltou ao normal. Essa semana, aliás, foi de plena recuperação: o volume de treino aumentou, a quilometragem idem, a altimetria passou novamente à casa dos 1.000m e a sensação de cansaço se foi por completo.

Acho que, no fim, tudo o que precisava mesmo era de algumas horas de sono a mais. Com isso, a própria energia para lidar com o cotidiano acabou me forçando para a rua – ainda bem.

Mas confesso que um aspecto do treino está me incomodando: apesar de estar pegando pesado com tiros, tempos e intervalados, a sensação de pouca altimetria acumulada tem se fixado na mente. Principalmente quando olho o perfil do DUT, que inclui 2 mil metros espremidos em 18 quilômetros!

Com isso em mente, passei a incluir a subida da Ministro Rocha Azevedo – muito, MUITO íngreme – em todos os treinos em dias úteis. Ela não é muito extensa, tendo cerca de 1,5km de subida – mas os seus últimos 400 metros são de deixar a língua no asfalto!

Isso, somado a mais algumas subidas do Matão e uma ou outra ida ao Jaraguá, devem pelo menos melhorar um pouco o preparo. Veremos!

Enquanto isso, seguem os gráficos abaixo:

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Semana que vem deve ter um ritmo parecido com esta – exceto pelo longão, que crescerá para as 4 horas. Nada que não esteja já acostumado e que assuste (ainda bem).

A próxima é que terá uma mudança de cenário, pois irei para Paraty participar de um evento pela empresa. Excelente: além da cidadezinha ser incrível, ela fica bem no meio da Rio-Santos, o que permitirá um longão abençoado por morros e vistas deslumbrantes!

 

Primeiro papo com o treinador: sincronizando a planilha com o corredor

Treinar a distância tem as suas peculiaridades. Falamos via Skype, trocamos informações por email e tentamos nos acertar como pode.

O começo oficial do meu treino, devo dizer, foi bem truncado. Nas primeiras duas semanas o Ian estava fora da Inglaterra, cobrindo uma ultra na Espanha, e teve todo o seu equipamento de fotografia roubado em Barcelona. OK… baita problema para ele… mas acabou sendo para mim também, que precisei me guiar meio que no escuro.

Tinha recebido algumas planilhas dele mas, especialmente por ser no começo, ajustes eram absolutamente fundamentais. Para citar apenas dois itens: ele considerou 6 treinos semanais (algo meio impossível pela minha agenda) e longos que achei curtos demais.

Enfim… mimimis à parte, acabei conseguindo falar com ele ontem (quarta). Levantei todos os pontos e combinamos os seguintes ajustes:

  • Os treinos caíram para 5 por semana
  • As sessões serão mais direcionadas: treinos de velocidade terão velocidade de verdade, treinos longos serão mais longos, treinos de regeneração serão realmente leves
  • Morros serão incorporados nos longões
  • Os acompanhamentos todos terão como foco as três provas em que eu estou inscrito (mas, claro, tendo a DUT como principal)

No geral, o papo foi BEM importante e fundamental para essa adaptação entre corredor e planilha. Agora é seguir e monitorar os próximos passos.

Agora é seguir adiante!

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