El Cruce: Os camps

Escrito nas montanhas argentinas em 13/02/2016

Difícil falar do segundo dia sem antes falar da primeira noite no camp. 

Frio e chuva dominaram a paisagem. Não que tenha sido aquela chuva torrencial, mas foi uma garoa fina, gelada e permanente que durou até o dia raiar. No camp em si, a infra acabou nos deixando o mais próximos possível do confortável: havia churrasco a qualquer hora, café, uma tenda de relax, uma específica oara se recarregar as baterias dos relógios e barracas até que confortáveis. 

Neste ponto eu dei MUITA sorte: em um acesso de pão-durice no ato da inscrição, não reservei uma barraca só para mim e fui designado pela organização uma outra pessoa com quem dividiria. Isso significaria espaço apertado e dois dias dividindo barraca com alguém que, como eu, estaria por muito tempo sem banho e com suor.

Mas a palavra-chave aqui é “dividiria”. Meu companheiro acabou não vindo e a barraca – ainda bem – ficou só para mim!

E olhem que espaço:

   
    
  
  

Em 60 minutos.

Em 60 minutos, deixo a minha sacola com roupas e mantimentos para os campings na organização do Cruce. 

A partir desse momento, ficarei apenas com roupas e equipamentos para largar às 08:20 de amanhã, 12/02.

A partir desse momento, o Cruce efetivamente começará para mim. 

E, como não poderia deixar de ser, a ansiedade parece espessa ao ponto de impedir que eu consiga raciocinar além desses mesmos 60 minutos. 

Pela previsão do tempo, teremos 3 dias mais frios e com chuvas entre os finais de tarde e noite. Durante os percursos, no entanto, o céu claro deve reinar, abrindo caminho para vistas que certamente serão memoráveis. 

Pelo que vi na Internet dos grupos de corredores que já largaram, houve certamente muito mais sorrisos do que sofrimento estampado em seus semblantes. Bom sinal. 

Pelo que estou sentindo nos rostos de todos os corredores que ainda se preparam, incluindo os três novos amigos brasileiros que fiz aqui (Márcio, Francisco e Reginaldo, todos largando junto comigo), o desejo de se teletransportar até o dia de amanhã é generalizado. Ô, tempo que não passa quando queremos que ele voe!

Exceto por estas poucas conclusões ou previsões, não sei de mais nada. Não sei sequer se conseguirei postar alguma coisa de lá das montanhas, embora a lógica diga que não. Se for o caso, atualizo o blog quando voltar, no domingo, recheando-o com fotos e descrições mais próximas da realidade do que do imaginário. 

Enquanto isso, o que fazer? Não há remédio: sentar aqui, com um olho na sacola e outro nos ponteiros aparentemente congelados do relógio. 

Por 60 longos minutos.