2015 vs. 2014: Comparando 2 anos de treinos e resultados

Fiquei encafifado com o post de ontem, quando efetivamente analisei meu pace médio e comecei a ver que uma tendência de lentidão que começou a (finalmente) ser interrompida.

Aí me lembrei que registrei cada semana também do meu treinamento para a Comrades 2014, base no mínimo interessante para um comparativo.

Ei-lo nos gráficos abaixo, que consideram a semana 1 (S1) como a primeira de novembro do ano anterior ao de análise:

Screen Shot 2015-02-09 at 10.29.01 AM

 

O primeiro gráfico é o de volumetria – e já deixa uma informação preciosa: nas últimas 14 semanas, apenas 2 tiveram menos rodagem que em 2014: a que incluiu a ultra de 50K e a da semana imediatamente posterior, que dediquei a recuperação.

O outro gráfico, de pace médio, reforça os efeitos disso: tirando os dois picos de lentidão nas semanas que incluíram a viagem recheada de trilhas por montanhas nos Andes e os 50K da ultra de aventura na Serra do Mar.

Uma olhar mais superficial já enxergaria uma clara relação entre rodar mais e acelerar menos. No entanto, há algo mais aí.

A rodagem realmente aumentou, mas nada que tenha sido exagerado ou mesmo fora de um natural ganho de experiência. O que aconteceu mesmo foi redução de velocidade por conta da transição para trilhas. Ou seja: na medida em que terrenos vão ficando mais técnicos e subidas, mais íngremes, realmente se cria uma espécie de zona de conforto em que se aceita melhor uma menor agilidade. Natural.

Natural, no entanto, não significa correto. Aliás, análises assim são perfeitas para se ajustar o treino.

Meu objetivo agora: voltar a paces médios sub-6′ mantendo (ou pelo menos reduzindo apenas minimamente) a volumetria.

Entre as cores do Ibirapuera

Há dias em que o protagonismo fica inteiramente com o sol.

Em algum momento do final da tarde de ontem, chuvas súbitas apareceram para limpar o céu daquele véu de poluição cinzenta que geralmente acompanha climas secos. Funcionou.

Hoje pela manhã, quando cruzei o portão do prédio, o dia estava parecendo baiano: azul forte contrastando com verdes super saturados nas árvores e pontuado por um vazio preguiçoso nas ruas, típico das primeiras horas.

A endorfina nem precisou esperar os primeiros passos para correr pelas veias: ela me carregou de casa até o Ibirapuera, ao longo do percurso e de volta ao ponto de partida. Os 5 tiros de 1 minuto que tinha programado, aliás, viraram 9 – e sem nenhum tipo de exaustão resultante, diga-se de passagem.

O parque, por sua vez, estava ainda mais fenomenal do que a rua: colorido, cheio de si mas com aquela suavidade típica das manhãs.

Pensei um pouco: era a minha primeira corrida de dezembro. Ainda que extraoficialmente, o mês, o céu e o calor indicavam que já estávamos no tão esperado verão.

Hora de começar a fechar um ciclo, um ano, de aguardar a bem vinda calmaria e de começar a mesclar pensamentos do passado com planos de futuro.

Hora de começar a desacelerar a mente.

Hora de tomar ar, de se reenergizar.

Hora de dar um pouco mais de tempo ao tempo.

2014 está, finalmente, acabando.

E, verdade seja dita, não poderia haver dia melhor para inaugurar esse fim de ano do que hoje, entre o azul cintilante e o verde abundante do Ibirapuera.

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