Ainda sobre altimetria: cotidiano vs. Indomit K42 vs. Douro Ultra Trail

Agora que já consegui desenhar o perfil altimétrico dos meus treinos cotidianos, está na hora de comparar com as próximas provas.

Bom… diferentemente de muitas corridas de rua (onde altimetria é muito pouco relevante, aliás), os perfis são pouco detalhados e não dão muita margem a cálculos exatos. Mas enfim… vamos ao que temos:

No mês de agosto, a prova-alvo será a Indomit K42, em Bombinhas. O site disponibiliza o mapa abaixo:

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O ponto mais alto não é exatamente alto – tem pouco menos de 300m. Há muitos planos e, muitas estradas de terra e, apesar de trechos em pedras e na praia, o percurso parece relativamente fácil. Claro: considerando que continua sendo uma maratona e, portanto, que já carrega as dificuldades naturais da distância.

O trecho mais “tenso” é no começo, com uma inclinação severa de 15%. É mais íngreme do que o mais íngreme que já subi (trilha do Pico do Jaraguá) – mas dura menos de metade da distância. No mais é curtir o cenário, que deve ser deslumbrante.

Em setembro vem a prova alvo, a DUT. Aqui as coisas complicam mais um pouco:

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Não há marcação trecho a trecho no site, que apresenta apenas uma visão genérica do perfil. No entanto, a imagem acima é de um post que eles fizeram recentemente no Facebook e pega um trecho de 18km. Traçar o grau de inclinação desse trecho não é algo tão “correto” assim, pois ele inclui partes planas e algumas descidas. Mas, se considerássemos uma “linha reta” entre a parte mais baixa (no Douro) e a mais alta (na Serra do Marão), o ganho altimétrico é de 10,8%. É quase a mesma coisa que a parte mais íngreme da Ministro – só que por 18km inteiros. Esse sim é de se preocupar.

Em todos os casos, no entanto, os cenários e os próprios desafios devem compensar de longe. Aliás, todos esses cálculos são prova pura disso: é a ansiedade querendo prever o esforço que, na prática, não faço a menor ideia de como medir mesmo :-)

Vídeo: hora de se inspirar com um mini-documentário sobre Hardrock 100

Uma das ultras de trilha mais famosas é a Hardrock – uma prova de 100 milhas que inclui 10.300 metros de subida e mais 10.300 metros de descida. Em um percurso extremamente técnico, há pessoas que desmaiam, aproximam-se perigosamente de hipotermia e enfrentam todo tipo de problema físico e mental.

Não dá para dizer que sou apaixonado por trilhas técnicas – mas não dá também para negar que elas são as mais belas. Recentemente a Hoka publicou em seu canal um vídeo com a cobertura da prova incluindo pílulas de todas as dificuldades e maravilhas pelas quais os corredores passam.

Vale a pena ver – nem que seja para se inspirar com o mundo:

 

Douro Ultra Trail: infos, fotos e percurso

Ontem à noite a equipe organizadora do Douro Ultra Trail atualizou o site com algumas informações sobre a prova, mapas novos e um mar de fotos.

Não posso mentir: realmente ainda estou com um pouco de medo de encarar 80km de trilhas pelas montanhas, somando 4,5 mil metros de ganho altimétrico.

Mas, aos poucos, esse temor está se convertendo em ansiedade. Basta ver as imagens do percurso, aliás, e isso fica bem fácil.

Os 80km incluem atravessar a região do Rio Douro, possivelmente a parte mais bela de Portugal, justamente na época de colheita de uvas para o vinho. Inclui cruzar a magnífica Serra do Marão passando por aldeias antigas e atravessando pontes feitas pelos romanos. Inclui ver algumas das paisagens mais marcantes de toda essa região da Europa, mesclando natureza a história em um equilíbrio perfeito.

A essa altura faltam poucas semanas. 2 meses, para ser exato, já que a largada será no dia 13 de setembro.

E o coração já começa a palpitar mais rapidamente à mera lembrança da prova…

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Impressões da primeira prova na montanha

Tudo foi diferente. Primeiro, o próprio ato de acordar e pegar o carro (ao invés de um taxi) e rodar por quilômetros a fio, trocando estradas de asfalto por terra batida. Depois, chegar em um local menor de organização – mas muito mais aconchegante e convidativo – na largada. Para quem está acostumado a largadas em baias e por ondas para conter multidões de 20 a 40 mil pessoas, os pouco mais de 400 (por estimativas minhas) certamente desenhavam uma experiência diferente.

E foi.

Não dá para dizer que essa prova – a etapa Ponte Queimada do circuito Mundo Terra Pé na Estrada – foi feita em trilha. Todo o percurso foi em estrada de terra batida, por vezes com pedrinhas que serviram de dificuldade a mais para quem corre com tênis minimalista (uso um Merrell TrailGloves).

Mas dá para dizer, sem a menor sombra de dúvidas, que foi uma prova de montanha. Já nos primeiros metros havia uma subida BEM intensa, classificada por eles como nível 5 (de uma escala que não tenho ideia até onde vai). Depois, mais subidas. Descobri que corridas fora do asfalto não tem planos: ou se sobe ou se desce. Sempre.

Mas, entre um e outro, durante ambos, há vistas. E essas vistas é que fazem a prova.

Me arrependo de não ter parado para tirar mais fotos: foi apenas uma, de uma montanha sob um céu azul cintilante, logo depois de um rio tão lindo que parecia não se encaixar em um lugar tão próximo da cidade grande.

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Vistas assim se multiplicavam – tanto que o cansaço parecia ceder espaço a uma produção intensificada de endorfina.

Enquanto isso, mais subidas vinham e iam. Andei em algumas – mas recuperei tempo nas descidas. Voei por elas com uma velocidade que nem sabia que tinha. Talvez tenha sido fruto dessas primeiras semanas de treinamento.

No fim, acabei chegando impressionantemente inteiro. Verdade seja dita, não me esfolei tanto nessa prova: realmente peguei leve e encarei como um treino. Mas, por ter sido minha primeira prova fora das ruas, ela teve um peso especial.

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E, se é verdade que a primeira impressão é a que fica, posso me considerar bem feliz. Amei cada metro do percurso.

Agora quero mais.

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Checkpoint 3: primeira prova feita!

Com intensidade inquestionável nos treinos da semana, esta terminou com o marco dos 70K batidos e com a primeira prova de montanha devidamente feita. Não pretendo me alongar muito sobre ela aqui – deixarei para o post de amanhã – mas o sentimento de que estou na rota certa para o DUT, em setembro, é nítida.

É claro que uma prova de montanha cansa de uma maneira diferente de provas de ruas: há menos corrida e mais altimetria, para ficar apenas em uma das “trocas”. Mas terminei esses 27km bem, inteiro, como se tivesse feito um longão normal a uma distância das que estava habituado à época de Comrades.

Gráficos abaixo:

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Essa semana que entra terá alguns contratempos que precisarei lidar. Primeiro, na falta de vôos, amanhã viajarei noite adentro, de ônibus, até Joinville, para uma reunião com cliente. Sairei de lá corrido ao meio dia, a tempo de pegar o jogo do Brasil aqui em Sampa. Na quarta, por sua vez, viajarei às 6:30 para outra reunião em Brasília, voltando no mesmo dia. Em resumo: a planilha precisará ser reajustada para amanhã cedo, quinta, sexta, sábado e domingo. Ainda bem que os treinos previstos são mais light!

Mas, enfim, são ossos do ofício. Já me habituei tanto a malabarismos na agenda que, honestamente, estava até sentindo falta de um pouco de desorganização!

 

Longão? Nada: hoje foi dia de curtinho só para variar

Às vezes, uma corridinha leve é exatamente o que precisamos.

Já estou em Campinas, onde amanhã largo na minha primeira corrida de montanha (sobre a qual as únicas informações que tenho são que ela terá 27km e que devo me encontrar na subprefeitura de Sousas para seguir em comboio até a largada).

Assim, rodar 20 ou 30k hoje pelo Pico do Jaraguá ou pela USP não ajudariam. Acrescentariam volume, claro – mas me deixariam em um estado pouco prático para amanhã.

Saí apenas para um trote descompromissado pelas redondezas de casa antes de pegar a estrada. Fui lento, leve e sem a mochila de hidratação que tem se transformado em parte integrante do meu “corpo em movimento”. Fui seguindo a vista e a vontade, me guiando por incríveis paisagens urbanas que às vezes esquecemos que Sampa tem.

O objetivo do treino de hoje foi um só: soltar mente e corpo. Liberar a tensão da musculatura que, acreditem se quiser, ainda não se recuperou plenamente da trilha do sábado passado, e diminuir a ansiedade.

Funcionou.

Agora é curtir um pouco o sol e a piscina do hotel e sair amanhã cedo, sabe-se lá para onde, para somar essa primeira experiência de correr na montanha!

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A expectativa primeira prova

Domingo tem a minha primeira prova de trilha. Fora o processo de treinamento como um todo – incluindo todas as decisões que me trouxeram até aqui – será o primeiro teste concreto do meu preparo para encarar, em setembro, o DUT.

O lado negativo é que as informações sobre a prova realmente são parcas: o site da Ultrarunner é esquisito demais e, mesmo em redes sociais, o volume de conversa de outros corredores sobre ela beira o nada. Mas tudo bem: não dá para comparar uma corrida de trilha local com a organização da Maratona de Chicago. E nem era esse o propósito.

Vamos então com as informações que existem – e que basicamente se resumem à imagem abaixo:

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Pelo mapa, pode-se entender que o percurso inteiro, de 27km, será em montanhas. O ganho de elevação será relativamente pequeno, com três subidas (sendo que apenas a primeira e a última são “complicadas”). No total, o ganho altimétrico será de cerca de 500m – bem menos, por exemplo, do que eu fiz no Pico do Jaraguá (830m em 15km). Sob esse aspecto, não me parece que seja nada assustador.

Minha maior dúvida é com relação ao tipo de terreno: não sei até que ponto haverá rios a serem cruzados, ambientes mais lamacentos, subidas ou descidas mais técnicas etc. Mas isso realmente eu não descobrirei antes da prova.

Verei ainda se consigo algumas fotos ou vídeos (o que está no site da Ultrarunner não abre). Até lá, é só expectativa para esses primeiros 27km nas montanhas!

 

O plano: dos 27 aos 80K em 2 meses

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OK, o plano tem algo de arrojado demais. Ou talvez arrogante. Ou ingênuo, insano ou qualquer outra palavra com conotação mais negativa do que positiva.

Mas, ainda assim, é um plano. E não entro exatamente de mãos vazias: afinal, não dá para esquecer que saí bem de uma Comrades há duas semanas, o que no mínimo me dá algum tipo de experiência com endurance.

Agora, no entanto, o bicho é outro: de zero de experiência em trilhas, munido apenas de um treinador experiente (a distância) e muita, muita força de vontade, pretendo chegar à Douro Ultra Trail em setembro. No caminho, elegi duas provas: a Pé na Estrada, de 27K nos arredores de Campinas, e a Indomit Bombinhas, de 42K, esta última com características (no mínimo) premium dados fatores como percurso, história, região etc.

Agora é ver como as coisas caminham e seguir firme nos treinos, que já começaram bem pesados desde a segunda passada!

O “relax organizacional” das corridas de trilha

Uma das dificuldades para quem está mudando das ruas para as trilhas é a falta de informações – sob todos os aspectos.

Pudera: todos os finais de semana, circuitos de rua levam milhares de corredores para linhas de largada – o que também significa milhares de reais em faturamento. Com mais dinheiro, vem mais investimento, incluindo sites bem elaborados, mapas claros de percurso e mais repercussão em sites e veículos especializados, seduzidos tanto pela demanda quanto por acordos publicitários. Não há mal em nada disso: afinal, organização de corridas é um negócio que, como todo negócio, existe para dar lucro. E a busca pelo lucro, por sua vez, é o melhor combustível que motiva organizadores a tratar bem e mimar corredores/ clientes (exceto no caso da Yescom, que faz tudo errado o tempo todo e, contrariando as leis do marketing, sobrevive).

Quando se muda para as trilhas, no entanto, os números são todos menores. Há poucas centenas – e não muitos milhares – de atletas interessados; os percursos são mais escondidos (e, portanto, menos chamativos); e mesmo os esforços de divulgação são parcos. Achar um evento depende muito mais do esforço incessante do atleta do que da capacidade de marketing do organizador.

Bom… no caminho até a Réccua Douto Ultra Trail, coloquei como meta fazer pelo menos uma corrida de trilha de distância razoável. Procurei, procurei, procurei.

Até que achei uma próxima e, com muito esforço, me inscrevi. No dia 6 de julho, em algum lugar perto de Campinas (no Bar do Vicentão, para ser mais “exato”), largarei na etapa Ponte Queimada do Circuito Mundo Terra Pé na Estrada.

Serão 27km em um percurso sobre o qual não consegui nenhuma informação e, portanto, não faço a menor ideia. Chega a ser divertido, assim como o esquisitíssimo site da Ultrarunner Eventos (imagem abaixo), que organiza a prova.

Bom… acho que devo encarar isso como as boas vindas ao mundo mais “organizacionalmente relaxado” das corridas de trilha :-)

E agora… agora é esperar para sentir como será esse primeiro teste!

Circuito Pé na Estrada

A nova meta: Réccua Douro Ultra Trail

Estarei em Portugal entre os dias 13 e 14 de setembro – e é nesta data que a minha nova prova alvo acontecerá.

Ainda estou inseguro quanto à distância – se 40 ou 80K. O local, no entanto, não poderia ser mais perfeito: a região do Rio Douro, uma das mais maravilhosas do mundo e carregada de vistas deslumbrantes.

Para quem quiser se aprofundar, veja site aqui e vídeo promocional abaixo.

Ao longo dos próximos dias vou começar a focar no treinamento, equipamento e importantes decisões que guiarão desde a escolha do percurso até o processo de preparação como um todo. De toda forma, está já aberta essa nova meta.

Que ela seja alcançada!