Para sentar confortavelmente, deixar os estresses de lado e agradecer aos céus por termos escolhido esse esporte tão incrível como estilo de vida:
The Ingenuous Choice – Mountain Running with Anton Krupicka from Outdoor Live on Vimeo.
Para sentar confortavelmente, deixar os estresses de lado e agradecer aos céus por termos escolhido esse esporte tão incrível como estilo de vida:
The Ingenuous Choice – Mountain Running with Anton Krupicka from Outdoor Live on Vimeo.
Um dos maiores ícones das corridas em montanha é Emelie Forsberg, uma sueca de 27 anos que colecionou títulos que vão do recorde feminino na Ultra Trail de Mont Blanc até o diversos campeonatos de ultra sky racing.
Mas, diferentemente de muitos esportes, esse tem um tipo de conexão diferente entre o meio e o atleta – algo que inclui um tipo de simbiose absolutamente impressionante. Basta ver a Emelie (ou a sua “versão masculina”, Kilian Jornet) falarem sobre o ato de correr em montanhas.
Recentemente, a CNN fez uma matéria curta sobre ela que vale a pena conferir. Veja abaixo:
Curta sobre a Squamish 50/50, lá no Canadá. Não está na minha lista suprema de desejos, é verdade – mas que é inspiradora, certamente é.
No que pensamos enquanto corremos? O turbilhão é tamanho, principalmente em ultras onde a pressão por tempo é menor do que em treinos ou provas de rua, que responder beira o impossível.
Mas, em geral, as passadas trazem consigo mergulhos que vão se aprofundando gradativamente a cada quilômetro, metro, centímetro. De repente, acabamos nos dando conta de que estamos nos redescobrindo de uma maneira quase filosófica, com uma profundidade que chega a assustar.
Redescobertas e viagens ensimesmadas, no entanto, sempre trazem um saldo mais positivo do que negativo. Basta ver essas pequenas gotas de pensamentos do Rob Krar enquanto ele corria as 30 milhas do Rim2Rim2Rim, no Grand Canyon.
depressions – a few moments from 30 miles in the canyon. from Joel Wolpert on Vimeo.
Há alguns dias publiquei, no Rumo às Trilhas, a minha lista de desejos de provas mundo afora. Não dá para dizer que foi uma surpresa, mas a lista ficou muito, MUITO extensa. Conversei com alguns amigos, fiz algumas edições, pesquisei datas e acabei tirando umas corridas e acrescentando outras. Foi uma pesquisa difícil (embora deliciosa) devido ao grande número de provas e de informações espalhadas – mas acabei conseguindo compilar tudo e organizar em uma espécie de agenda aproximada.
E digo “aproximada” porque, obviamente, levarei provavelmente 10 ou mais anos para matar toda essa lista. Mas tudo bem: o importante é curtir e aproveitar cada passo da jornada.
Observação importante: os meses de realização foram postados com base em calendários de 2014 ou 2013. Pequenos ajustes em datas, claro, devem ocorrer em todas as provas nos próximos anos.
CALENDÁRIO DE ULTRAS IRADAS PELO MUNDO:
JANEIRO:
FEVEREIRO:
MARÇO:
ABRIL:
MAIO:
JUNHO:
JULHO:
AGOSTO:
SETEMBRO:
OUTUBRO:
NOVEMBRO:
DEZEMBRO:
Bom… tem ultras iradas todos os meses! Agora é escolher a próxima, vasculhar os bolsos e correr!!
A propósito, alguns vídeos de todas essas provas podem ser vistos compilados nesse post aqui.
Depois de quase uma semana, está na hora de voltar as atenções para Comrades. Ainda tenho como objetivo conseguir a Back-to-Back em 2015, fazendo os 87km que separam Durban de Pietermaritzburg.
E, claro, o treinamento muda: o percurso é todo em estrada, mais rápido, mais dolorido e com aquele clima que só a rainha das ultras tem.
Não dá para mentir: corridas de rua certamente perderam muito do seu encanto para mim depois que descobri as trilhas e as paisagens deslumbrantes que se escondem por trás de cada montanha ou local abandonado. Mas, ainda assim, Comrades é diferente. E, embora esteja longe ainda, já está na hora de fazer o qualify.
Assim, pelos próximos dias, darei férias a este blog e retomarei as postagens no www.rumoacomrades.com . Até lá!
É uma boa pergunta.Treinei 99% das vezes sozinho e já aqui escrevi que gosto de treinar assim, sobretudo pela questão logística e ter muito pouco tempo disponível e combinar cenas faz perder ainda mais tempo. Por contraste, adoro o dia das corridas e ver pessoas e partilhar a experiência. Aqui no RDUT pude encontrar uma pequena parte da pequena comunidade de ultra maratonistas que como aves migratórias aparecem vindos de todo o país e mesmo do mundo. Se numa prova do tipo corrida do Tejo (a minha primeira prova há pouco mais de um ano) ou mesmo uma Maratona de Madrid ou trails curtos encontro pessoas de todo o tipo e todos os níveis, no RDUT 80k havia apenas 99 atletas na partida às 6 da manhã em Peso da Régua.
Conheço alguns corredores melhores do que eu que nunca se meteram sequer numa maratona e para quem uma ultra…
Ver o post original 634 mais palavras
Para fechar com chave de ouro o excelente trabalho da organização, eles montaram um vídeo com o histórico da prova. Para quem estiver pensando em viajar ao Douro no ano que vem, certamente não faltarão argumentos ao ver esses poucos mais de 6 minutos…
Resultados já confirmados: de um total de 162 inscritos, 9 foram desqualificados e 64 desistiram, deixando 89 concluintes.
Destes, minha posição foi 76, com um tempo de 16h16’53”. A título de comparação, o primeiro chegou em (absurdas) 9h17’16” e o último, em 17h37’32”.
Mais informações sobre essa prova inesquecível podem ser conseguidas no site, aqui, ou no Facebook, aqui.
Estou já a caminho do aeroporto para o Brasil – e para alguma nova meta a ser definida. Ainda não dá para saber qual, mas dá para ter a certeza de que, treinando, absolutamente tudo é possível!
Oficialmente meu tempo ainda não saiu – mas fiz os 80 duríssimos quilômetros em um pouco mais de 16 horas!
Duríssimos – mas de uma beleza inesquecível.
A começar pelo clima de largada de ultra trail, com pouco mais de uma centena de corredores devidamente equipados com mochilas, iluminação noturna, poles e aquele olhar que só quem está prestes a encarar um dia de pura aventura e desafio porta.
Depois, logo que o sol nasceu nas montanhas do Douro, começou o espetáculo. As primeiras descidas e subidas eram dentro de vinhedos – algo mágico justamente nesta época, quando as colheitas começam e há cachos de uva para todos os lados. Alimento perfeito para trilhas, aliás.
Depois vieram paisagens diferentes, como uma ponte feita pelos antigos romanos que era parte do percurso. Foi como correr pela história, gerando picos de endorfina.
Até aí, tudo foi relativamente leve. Mas veio a subida do Marão, maior montanha do percurso com 1.430 metros de subida. Um dos trechos, de um quilômetro, era tão íngreme e sem apoio que alguns corredores pararam para vomitar e dois se lesionaram ao ponto de terem que abandonar a prova.
O topo, no quilômetro 34, viu mais algumas desistências. Natural dada a dificuldade, agravada pelos quase 30 graus e um sol forte brilhando no céu.
Quem continuou, foi até o fim: correndo de posto de controle a posto de controle. No meu caso, fui embalado por Coca-Cola e biscoitos de maizena servidos neles, mais uvas dos vinhedos e água, reabastecendo a mochila em fontes das pequenas aldeias que pontilhavam o percurso.
Dores vieram e foram. A gripe que apareceu na véspera e que, embora leve, persistia ainda na largada, foi deixada ao longo do percurso.
Amigos foram feitos no caminho. Vistas ficaram presas para sempre na retina.
Difícil esquecer a paisagem do Douro, patrimônio da humanidade pela UNESCO, ou as tantas aldeias antigas da região.
Ao chegar próximo ao final, avistar a cidade da Régua toda acesa já por volta das 21:30 foi também inesquecível. Chegaria à meta cerca de 40 minutos e uma descida quase sádica depois.
E cheguei inteiro, inclusive em um estado bem melhor do que em Comrades. Os pés estavam marcados por bolhas e dores, claro – mas as pernas, o resto do corpo e o ânimo, intactos.
Hoje, domingo, depois de uma noite bem dormida, é hora de curtir o efeito prolongado da realização de uma ultra – principalmente desta, meta final de um treino que durou três longos e suados meses.
Sensação de missão cumprida, de auto-realização, de orgulho.
E de ter captado paisagens e sensações que certamente levarei por toda a vida.